Por que é que os pais se sentem culpados façam o que fizerem
Todos os pais conhecem isto. Aquela voz silenciosa e insistente na cabeça, que se faz ouvir no momento em que a pessoa deveria estar tranquila. A criança está a ver desenhos animados, enquanto lá fora brilha o sol – e a voz diz: "Deviam estar lá fora." O pai leva as crianças a um passeio, mas esquece-se do lanche – e a voz diz: "Outra vez não conseguiste." A mãe regressa ao trabalho após a licença parental, porque isso a preenche – e a voz diz: "Uma boa mãe ficaria em casa." O pai fica em casa com a criança, porque quer estar presente – e a voz diz: "Um homem a sério estaria a ganhar dinheiro." Faça a pessoa o que fizer, o sentimento de culpa aparece sempre. E é precisamente sobre isto que é preciso falar, porque a culpa parental não é um fracasso individual – é um fenómeno com profundas raízes culturais, psicológicas e sociais.
Não é exagero dizer que a geração atual de pais enfrenta uma pressão que nunca existiu nesta dimensão. As redes sociais, o excesso de informação, os conselhos contraditórios de especialistas e leigos e a comparação constante criam um ambiente no qual é praticamente impossível sentir-se um pai "suficientemente bom". Um inquérito de 2023 publicado na revista Journal of Child and Family Studies mostrou que mais de 80% dos pais experienciam regularmente sentimentos de culpa associados à educação dos filhos. Não se trata, portanto, de um problema marginal de alguns indivíduos ansiosos – trata-se de uma norma que afeta a grande maioria das mães e dos pais.
Mas de onde vem, afinal, essa culpa? Porque é que os pais se sentem culpados façam o que fizerem, e como encontrar uma saída?
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O pai perfeito não existe – e mesmo assim todos o procuramos
Uma das principais fontes de culpa parental é o mito da parentalidade perfeita. A sociedade – e sobretudo a internet – criou a imagem do pai ideal, que cozinha com ingredientes frescos e biológicos, passa tempo de qualidade com os filhos cheio de criatividade, ao mesmo tempo constrói uma carreira, mantém uma relação harmoniosa com o parceiro, faz exercício, medita e ainda tem tempo para ler livros especializados sobre educação. Esta imagem é, evidentemente, ficção. Mas é tão omnipresente que se tornou uma medida inconsciente pela qual os pais se avaliam.
A psicóloga Becky Kennedy, autora do bestseller Good Inside, sublinha repetidamente que a parentalidade não é sobre ser perfeito, mas sobre ser "suficientemente bom". Este conceito foi originalmente formulado pelo pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott já em meados do século XX. Winnicott afirmava que a criança não precisa de um pai sem falhas – precisa de um pai que esteja presente, que se esforce e que seja capaz de reconhecer um erro e corrigi-lo. Porém, esta sábia ideia perde-se facilmente na avalanche de publicações no Instagram e artigos clickbait.
Tomemos um exemplo concreto. Jana, mãe de dois filhos, de trinta e três anos, de Brno, descreveu a sua experiência num grupo online de pais com palavras que ressoaram com milhares de outros pais: "Quando estou em casa com os filhos, sinto que devia estar a trabalhar. Quando estou no trabalho, sinto que devia estar com os filhos. Quando lhes permito o tablet, sinto-me mal. Quando lhes proíbo e eles choram, também me sinto mal. Simplesmente não existe uma variante em que me sinta bem." As suas palavras descrevem com precisão a armadilha paradoxal em que muitos pais se encontram. Qualquer que seja o caminho escolhido, existe sempre uma alternativa que parece melhor – e há sempre alguém que promove essa alternativa em voz alta.
Este mecanismo tem também o seu nome psicológico. Chama-se distorção cognitiva do tipo "deveria" e está entre os padrões de pensamento mais comuns que conduzem à ansiedade e a sentimentos de inadequação. Os terapeutas que trabalham com terapia cognitivo-comportamental identificam-no como um dos fatores-chave do burnout parental. O pai cria uma ideia rígida de como as coisas "deveriam" ser, e qualquer desvio desse ideal desencadeia uma onda de culpa. O problema é que esses "deveria" são tantos e tão contraditórios que cumpri-los todos ao mesmo tempo é fisicamente impossível.
A isto acrescenta-se ainda um fator de que se fala menos – a transmissão geracional de padrões. Muitos dos pais de hoje cresceram em famílias onde a educação era completamente diferente. Alguns vivenciaram uma abordagem autoritária, outros, pelo contrário, a indisponibilidade emocional dos pais. Estes adultos decidiram que fariam melhor, diferente, de forma mais consciente. E este compromisso, por mais nobre que seja, traz consigo uma pressão enorme. Cada hesitação, cada momento de impaciência, cada vez que se levanta a voz torna-se então uma prova de fracasso – uma prova de que "estou a fazer igual aos meus pais". No entanto, a impaciência ocasional não é trauma. É humanidade.
É interessante notar que os sentimentos de culpa não se limitam apenas às mães, embora o discurso social os direcione tradicionalmente sobretudo para elas. Uma investigação publicada na Frontiers in Psychology em 2022 mostrou que os pais experienciam culpa parental numa medida comparável à das mães, apenas se fala menos disso e eles partilham-na menos. Os homens descrevem frequentemente a culpa associada ao facto de não estarem suficientemente presentes em casa, de não saberem consolar uma criança a chorar tão bem como a companheira, ou de não terem a certeza do seu papel na família. A sociedade espera deles que sejam os provedores, mas ao mesmo tempo, cada vez mais, que sejam emocionalmente disponíveis e ativamente envolvidos nos cuidados. O resultado? A mesma armadilha, a mesma culpa, apenas com uma roupagem diferente.
Como sair disto – o caminho da culpa à autoaceitação
Se a culpa parental é tão generalizada e tão profundamente enraizada, será possível fazer alguma coisa? A boa notícia é que sim. Não no sentido de que os sentimentos de culpa desapareçam completamente um dia – isso seria irrealista. Mas no sentido de que é possível mudar a relação com eles, aprender a reconhecê-los e não permitir que conduzam as decisões parentais.
O primeiro passo é distinguir entre culpa saudável e culpa não saudável. A culpa saudável é um sinal útil – alerta-nos quando realmente fizemos algo que queremos corrigir. Quando um pai grita com a criança num momento de impulso e depois sente arrependimento, é uma emoção saudável que o motiva a pedir desculpa e a trabalhar no seu comportamento. A culpa não saudável é, pelo contrário, um estado crónico que não está relacionado com uma falta concreta, mas com a sensação de que "não sou suficiente". Este segundo tipo de culpa não ajuda – pelo contrário, paralisa e esgota.
A psicoterapeuta e autora de livros sobre parentalidade Philippa Perry escreve no seu livro The Book You Wish Your Parents Had Read: "A melhor coisa que pode fazer pelo seu filho não é ser perfeito. É estar disposto a olhar para si mesmo com honestidade." Esta ideia é libertadora, porque desloca o centro de gravidade do desempenho para o processo. Não se trata de nunca errar – trata-se do que fazemos com o erro depois.
A segunda ferramenta importante é a limitação consciente do ruído informativo. Os pais que passam horas a ler artigos contraditórios sobre educação ou a fazer scroll nas redes sociais cheias de famílias "perfeitas" aumentam inconscientemente os seus níveis de stress e culpa. A Associação Americana de Psicologia (APA) alerta que o uso excessivo de redes sociais está associado a níveis mais elevados de ansiedade parental e a uma autoestima reduzida no papel de pai ou mãe. O passo prático pode ser tão simples como deixar de seguir contas que provocam sentimentos de inadequação e substituí-las por fontes que ofereçam uma visão realista da parentalidade.
O terceiro pilar é construir comunidade e partilhar. A culpa cresce no isolamento. Quando um pai acredita que é o único que sofre, que não sabe o que fazer, que por vezes não consegue, o sentimento de fracasso intensifica-se. Pelo contrário, quando ouve de outro pai um sincero "comigo também é assim", surge um momento de alívio e normalização. Os grupos de pais, sejam online ou presenciais, podem ser imensamente valiosos neste aspeto – desde que sejam baseados na honestidade e no apoio mútuo, e não na competição.
Não se pode esquecer também os cuidados consigo próprio como prevenção do burnout parental. Muitos pais encaram o tempo passado consigo mesmos como egoísmo – e aqui volta a ouvir-se aquele pensamento culpado. Contudo, os estudos mostram consistentemente que um pai que cuida da sua saúde mental e física é um melhor pai. Não apesar de tirar tempo para si, mas precisamente por causa disso. Um passeio na natureza, tempo com amigos, desporto, sono de qualidade – não são complementos de luxo, mas condições básicas para uma parentalidade funcional. E é precisamente aqui que pode desempenhar um papel a abordagem consciente ao que a pessoa come, com que se rodeia em casa e como cuida do seu corpo. Os produtos que apoiam um estilo de vida saudável não são apenas uma questão de tendências – são sobre criar um ambiente no qual a pessoa se sente bem e tem energia para o que é importante para si.
Vale a pena mencionar também que a culpa parental pode ser sinal de um bom pai. Parece paradoxal, mas pensemos nisso – quem sente culpa? Quem se importa. Quem reflete sobre as suas decisões, quem quer o melhor para o seu filho, quem está disposto a questionar-se a si mesmo. Os pais para quem a educação é indiferente não experienciam sentimentos de culpa. Portanto, se alguma vez se surpreender a preocupar-se se está a fazer o suficiente, isso pode ser paradoxalmente a prova de que está a fazer mais do que pensa.
Isto não significa, evidentemente, que seja bom instalar-se no sentimento de culpa. A culpa parental crónica conduz ao esgotamento, à ansiedade, a decisões baseadas no medo em vez de nos valores. Um pai que tem constantemente medo de estragar alguma coisa não consegue estar plenamente presente nos momentos de alegria. E são precisamente esses momentos – o riso partilhado, o abraço antes de dormir, aquela sensação especial quando a criança diz algo sábio pela primeira vez – que são o que realmente importa. Não se o lanche era biológico, se as atividades extracurriculares foram suficientes, ou se o tablet ficou ligado mais dez minutos.
Por vezes basta parar, respirar fundo e fazer a si mesmo uma pergunta simples: "O meu filho está em segurança, está alimentado, sabe que o amo?" Se a resposta for sim, então há uma grande probabilidade de que a voz na cabeça que diz que não é suficiente não tenha razão. E está tudo bem deixá-la falar – e depois deixá-la ir, como uma nuvem que atravessa o céu e desaparece. Porque a parentalidade não é sobre perfeição. É sobre presença, sobre amor e sobre a coragem de ser humano – com tudo o que isso implica.