Como beber água mineral corretamente para que lhe faça bem
A água mineral acompanha a humanidade há milhares de anos. Os antigos gregos e romanos construíam termas junto a fontes naturais e acreditavam no seu poder curativo, e até hoje na República Checa as águas minerais gozam de uma popularidade extraordinária. Basta olhar para a prateleira de qualquer loja – dezenas de marcas, diferentes graus de mineralização, variantes com e sem gás. Mas quanta água mineral deveríamos realmente beber por dia? É melhor optar por uma água fortemente mineralizada ou antes por uma fracamente mineralizada? E será que o consumo regular de água mineral pode até prejudicar-nos?
As respostas a estas perguntas não são tão claras como poderia parecer, pois dependem de uma série de fatores – desde o estado de saúde atual, passando pela atividade física, até à composição da água mineral em concreto. Vamos analisar toda esta problemática com mais profundidade e separar os mitos dos factos.
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O que torna a água mineral realmente mineral
Quando se fala em "água mineral", a maioria das pessoas imagina simplesmente água com bolhas. Na realidade, porém, a diferença fundamental entre a água potável comum e a água mineral é o teor de substâncias minerais dissolvidas. Segundo a legislação checa e as normas europeias, a água mineral natural deve provir de uma fonte subterrânea protegida contra contaminação e deve ter uma composição mineral estável. São precisamente estes minerais – cálcio, magnésio, sódio, hidrogenocarbonatos, sulfatos e outros – que conferem a cada água mineral o seu sabor específico e os seus potenciais efeitos na saúde.
As águas minerais classificam-se habitualmente de acordo com a mineralização total. As águas fracamente mineralizadas contêm até 500 mg de substâncias dissolvidas por litro e são adequadas para o consumo diário comum. As águas de mineralização média situam-se entre 500 e 1500 mg/l e as fortemente mineralizadas ultrapassam o limiar de 1500 mg/l. Estas últimas são frequentemente designadas como "terapêuticas" e o seu consumo regular deve ser consultado com um médico. Este é um detalhe importante que muitas pessoas ignoram – nem toda a água mineral se destina a ser bebida ao longo de todo o dia como água comum.
Imaginemos um exemplo concreto. A senhora Jana, uma sexagenária ativa de Brno, começou a queixar-se de pedras nos rins após vários anos. Nos exames, descobriu-se que bebia há muito tempo grandes quantidades de água fortemente mineralizada e rica em cálcio, porque acreditava que isso lhe fazia bem. O seu médico recomendou-lhe que passasse para uma água fracamente mineralizada e que bebesse a fortemente mineralizada apenas ocasionalmente, em menor quantidade. Em poucos meses, o seu estado melhorou significativamente. Esta história ilustra como é importante saber o que realmente bebemos e em que quantidade.
A base de um regime de hidratação correto continua a ser a água pura e simples. Segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), um adulto deve ingerir diariamente aproximadamente 1,5 a 2,5 litros de líquidos, sendo que a quantidade exata depende da idade, do peso, da atividade física e das condições climáticas. A água mineral pode ser um excelente complemento a esta ingestão, mas não deve substituir totalmente a água comum, especialmente quando se trata de variantes mais mineralizadas.
O regime de hidratação é, aliás, algo que os checos, segundo inquéritos, frequentemente subestimam. Muitas pessoas só bebem quando sentem sede, mas a sede é, na verdade, já um sinal tardio de desidratação ligeira. Nesse momento, o corpo já carece há algum tempo de uma quantidade suficiente de líquidos, o que pode manifestar-se através de fadiga, dores de cabeça, diminuição da concentração ou alterações de humor. Beber regularmente pequenas quantidades de líquidos ao longo de todo o dia é muito mais eficaz do que ingerir um grande volume de uma só vez.
E é precisamente aqui que a água mineral encontra o seu lugar natural. Graças ao seu teor de minerais, pode motivar pelo sabor a beber com mais frequência aqueles que têm dificuldade em cumprir o regime de hidratação. Uma água levemente gaseificada com um sabor agradável pode ser para muitas pessoas mais atrativa do que a "aborrecida" água da torneira. E se a pessoa escolher o tipo adequado de água mineral, pode ao mesmo tempo repor substâncias minerais importantes de que o corpo necessita.
Benefícios para a saúde do consumo de água mineral
Vejamos o que diz a ciência sobre os benefícios do consumo regular de água mineral. Um dos aspetos mais estudados é o efeito no sistema cardiovascular. Um estudo publicado na revista científica Journal of Nutrition demonstrou que a água mineral rica em magnésio pode contribuir para a redução da pressão arterial. O magnésio é, de facto, um mineral que desempenha um papel fundamental na regulação do ritmo cardíaco e do tónus vascular, e muitas pessoas não o ingerem em quantidade suficiente na alimentação comum.
Outro benefício significativo é o apoio à saúde óssea. As águas minerais com maior teor de cálcio podem representar uma fonte complementar interessante deste elemento, especialmente para pessoas que não toleram lacticínios ou que, por outros motivos, não os consomem. As investigações sugerem que o cálcio da água mineral é absorvido de forma comparativamente tão eficaz como o cálcio do leite, o que constitui uma descoberta surpreendente para muitos.
As águas minerais hidrogenocarbonatadas, por sua vez, podem influenciar positivamente o sistema digestivo. A recomendação tradicional de beber água mineral para problemas estomacais tem o seu fundamento – os hidrogenocarbonatos ajudam a neutralizar o ácido gástrico e podem aliviar a azia ou a sensação de peso após as refeições. Não é por acaso que estâncias termais checas como Karlovy Vary ou Mariánské Lázně baseiam a sua tradição precisamente em curas de água mineral com composição específica.
A água mineral com gás, além disso, segundo algumas investigações, pode ajudar nos problemas de deglutição e melhorar a sensação de saciedade, o que a torna uma escolha interessante para quem procura controlar o seu peso. As bolhas da água gaseificada provocam uma sensação de plenitude no estômago, pelo que a pessoa pode ter menos tendência para comer em excesso.
A água mineral rica em iões sulfato pode ter um efeito laxante ligeiro, o que é apreciado por pessoas que sofrem de obstipação. Por outro lado, precisamente este efeito pode ser indesejável para algumas pessoas, pelo que é importante prestar atenção à composição indicada no rótulo.
Como disse Paracelso, o célebre médico do século XVI: "Tudo é veneno e nada é sem veneno; somente a dose faz com que algo não seja veneno." Esta sabedoria secular aplica-se também à água mineral – os benefícios podem facilmente transformar-se em riscos se a pessoa não conhecer a medida ou não escolher o tipo adequado.
E é precisamente sobre os riscos que é necessário falar com a mesma abertura que sobre os benefícios. A ingestão excessiva de sódio proveniente de águas minerais ricas neste elemento pode ser problemática para pessoas com pressão arterial elevada ou com doenças cardíacas. Algumas águas minerais contêm quantidades surpreendentemente elevadas de sódio, e se a pessoa as bebe em combinação com uma alimentação já de si salgada, pode estar a sobrecarregar-se sem o saber. A Sociedade Checa de Hipertensão recomenda às pessoas com pressão alta que optem por águas minerais com teor de sódio inferior a 20 mg/l.
As já mencionadas pedras nos rins representam outro risco associado ao consumo excessivo de águas fortemente mineralizadas. Pessoas com predisposição para a formação de cálculos renais devem ser particularmente cautelosas com águas com elevado teor de cálcio e oxalatos. Paradoxalmente, porém, alguns estudos sugerem que uma ingestão moderada de cálcio proveniente de água mineral pode até reduzir o risco de formação de cálculos – mais uma vez, tudo depende do contexto global da alimentação e do estado de saúde.
As águas minerais fluoretadas podem, em caso de consumo excessivo, conduzir à fluorose, que se manifesta por manchas nos dentes e, em casos mais graves, por danos ósseos. O teor de fluoretos é, por isso, obrigatoriamente indicado nos rótulos das águas minerais, e no caso de bebés e crianças pequenas é necessário garantir que a sua ingestão de fluoretos não ultrapasse os limites seguros.
A água mineral com gás pode causar em algumas pessoas inchaço abdominal, eructação e sensação desagradável de plenitude. O dióxido de carbono, que cria as bolhas, liberta-se no estômago e pode irritar um trato digestivo sensível. Para pessoas com doença de refluxo gastroesofágico ou síndrome do intestino irritável, a variante sem gás pode ser uma escolha mais adequada.
Como abordar então o consumo de água mineral de forma sensata? A estratégia ideal é alternar entre diferentes tipos de águas. Como base do regime de hidratação serve a água pura – seja da torneira (se for de qualidade na localidade em questão) ou água engarrafada fracamente mineralizada. As águas de mineralização média podem ser incluídas regularmente, mas em quantidade razoável, digamos um a dois copos por dia. As águas fortemente mineralizadas e terapêuticas devem ser realmente apenas um complemento, idealmente consumidas por recomendação médica ou no âmbito de uma cura de hidratação direcionada.
Na escolha da água mineral, vale a pena ler atentamente os rótulos. Informe-se sobre a mineralização total, o teor de sódio, cálcio, magnésio e outras substâncias. Se tiver qualquer doença crónica, consulte o seu médico sobre qual a água mineral mais adequada para si. O que é excelente para uma pessoa pode não ser ideal para outra.
É igualmente interessante refletir sobre o aspeto ecológico do consumo de água mineral engarrafada. As garrafas de plástico representam um encargo significativo para o ambiente, pelo que vale a pena considerar alternativas – por exemplo, beber água de qualidade da torneira complementada com uma água mineral ocasional em garrafa de vidro. Quem quiser viver de forma mais sustentável pode investir num filtro de água de qualidade e apreciar a água mineral de forma direcionada e em menor quantidade, combinando assim o cuidado com a saúde e o cuidado com o planeta.
O consumo de água mineral é uma tradição profundamente enraizada na República Checa, e com boas razões. Uma água mineral bem escolhida pode ser uma contribuição valiosa para um estilo de vida saudável – repõe minerais importantes, torna o regime de hidratação mais agradável e pode ajudar em diversos problemas de saúde. A chave está, porém, na informação e na moderação. Quem conhece a composição da sua água mineral favorita, respeita as necessidades do seu corpo e não depende de uma única fonte de líquidos, retirará da água mineral o máximo de benefícios sem riscos desnecessários. E, afinal, poucas coisas são tão refrescantes como um copo de água mineral bem fresca num dia quente de verão – desde que saiba que escolheu a certa.