# Como reconhecer petéquias e quando é importante consultar um médico por causa de pontos vermelhos
Pequenos pontos vermelhos na pele, que não causam dor e frequentemente aparecem aparentemente do nada – esta é uma situação que um número surpreendente de pessoas conhece. Alguns notam-nos após uma tosse intensa, outros após um treino exigente e outros ainda de manhã ao acordar sem qualquer razão aparente. Estamos a falar de petéquias, pequenas manchas que surgem pela passagem de sangue dos vasos mais pequenos para a pele. Embora na maioria das vezes não se trate de nada grave, em alguns casos podem ser o primeiro sinal de que o corpo merece uma atenção mais cuidadosa.
Imagine, por exemplo, a Martina, uma professora de quarenta anos que, numa manhã durante o duche, reparou em aglomerados de pequenos pontos vermelhos nas pernas. Não doíam, não causavam comichão, mas pareciam preocupantes. A sua primeira reação? Procurar respostas na internet. Porém, as informações que encontrou variavam desde explicações inofensivas até diagnósticos graves. No final, visitou a sua médica de família, que após análises ao sangue lhe comunicou que a causa era provavelmente uma ligeira diminuição das plaquetas em combinação com o exercício intenso do dia anterior. A história da Martina ilustra como é importante não ignorar alterações na pele, mas ao mesmo tempo não ceder ao pânico desnecessário.
O que são afinal as petéquias do ponto de vista médico? Trata-se de hemorragias puntiformes sob a pele, que surgem pela fuga de sangue dos capilares – ou seja, dos vasos sanguíneos mais pequenos do corpo humano. Ao contrário das nódoas negras, que são maiores e surgem geralmente após uma pancada, as petéquias têm um diâmetro inferior a dois milímetros e assemelham-se mais a pequenos pontos vermelhos, roxos ou acastanhados. O sinal de identificação chave é o chamado teste de diascopia: se pressionar a mancha com um vidro ou com o dedo, a petéquia não desaparece, porque o sangue já se encontra fora dos vasos, diretamente no tecido. Isto distingue-as do vermelhidão causada pela dilatação dos vasos, que empalidece sob pressão. Este teste simples pode ser feito por qualquer pessoa em casa e é o primeiro passo para distinguir petéquias de outras manifestações cutâneas, como por exemplo reações alérgicas ou pequenos angiomas.
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Porque surgem as petéquias e o que as causa
As causas do aparecimento de petéquias são surpreendentemente diversas e vão desde situações completamente banais até estados que requerem cuidados médicos imediatos. Entre as mais frequentes e simultaneamente menos preocupantes encontram-se o esforço físico e a pressão mecânica. Tosse forte, vómitos, choro intenso em crianças ou levantamento de pesos – tudo isto pode causar um aumento temporário da pressão nos pequenos vasos, que acabam por rebentar. As petéquias nestes casos aparecem tipicamente na zona do rosto, pescoço e parte superior do tórax, ou seja, nos locais onde a pressão durante o esforço é mais elevada. Desportistas que praticam treinos de força ou atividades com impactos repetidos encontram este fenómeno com relativa frequência.
Outra causa comum são alguns medicamentos. Os anticoagulantes, ou seja, medicamentos para diluir o sangue como a varfarina ou os mais recentes anticoagulantes orais diretos, podem aumentar a tendência para hemorragias na pele. De forma semelhante atuam também o uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroides, por exemplo o ibuprofeno, e alguns antibióticos, especialmente do grupo das penicilinas. Segundo informações da Sociedade Americana de Hematologia (ASH), é importante que os pacientes que tomam estes medicamentos conheçam as possíveis manifestações cutâneas e as comuniquem ao seu médico, mesmo que possam parecer insignificantes.
A situação torna-se mais complexa quando as petéquias são sintoma de uma perturbação das plaquetas – um estado designado como trombocitopenia. As plaquetas desempenham um papel fundamental no processo de coagulação do sangue, e se o seu número descer abaixo de um determinado limiar, os vasos perdem a capacidade de se "selar" eficazmente após pequenas lesões. A trombocitopenia pode ser causada por uma série de fatores: doenças autoimunes, como a púrpura trombocitopénica idiopática (PTI), infeções virais, deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, doenças hepáticas e, em casos mais graves, perturbações da medula óssea. Nas crianças, a trombocitopenia surge frequentemente após uma infeção viral e na maioria dos casos resolve-se espontaneamente em poucas semanas.
Entre as causas mais graves que é necessário mencionar encontram-se as vasculites – doenças inflamatórias dos vasos, nas quais o sistema imunitário ataca as paredes dos vasos sanguíneos e provoca o seu enfraquecimento. A púrpura de Henoch-Schönlein, hoje designada como vasculite por IgA, é um exemplo típico que afeta sobretudo crianças e manifesta-se por petéquias e púrpura nos membros inferiores e nádegas. As petéquias podem igualmente ser sintoma de infeções graves, incluindo a septicemia meningocócica, que representa uma ameaça aguda à vida e requer assistência médica imediata. É precisamente por isso que os médicos sublinham que a combinação de petéquias com febre, especialmente em crianças, deve ser sempre motivo para uma visita rápida às urgências.
Não se podem omitir também os défices nutricionais. A deficiência de vitamina C, historicamente conhecida como escorbuto, leva ao enfraquecimento das paredes vasculares e ao aumento da fragilidade capilar. Embora o escorbuto plenamente desenvolvido ocorra raramente na sociedade moderna, a deficiência subclínica de vitamina C não é tão rara como se poderia pensar, especialmente em pessoas com uma alimentação muito desequilibrada, em fumadores ou em pessoas idosas com ingestão limitada de frutas e legumes frescos. De forma semelhante, a deficiência de vitamina K, que é essencial para o correto funcionamento dos fatores de coagulação, pode contribuir para o aparecimento de petéquias.
Mas como reconhecer quando as petéquias são inofensivas e quando sinalizam um problema? De um modo geral, o aparecimento isolado de petéquias após uma causa evidente, como exercício intenso ou tosse forte, habitualmente não requer exame médico, desde que as manchas desapareçam por si só em poucos dias e não surjam novas. Pelo contrário, os sinais de alerta são: aparecimento repetido ou extenso sem causa aparente, ocorrência simultânea com febre, fadiga ou outros sintomas invulgares, facilidade em formar nódoas negras, hemorragia das gengivas e, especialmente em crianças, a combinação de petéquias com mal-estar geral. Conforme indica o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), petéquias em combinação com febre e rigidez do pescoço são um dos sinais de alerta de meningite e requerem uma chamada imediata para os serviços de emergência.
O processo de diagnóstico começa habitualmente no médico de família, que realiza um exame físico cuidadoso e recolhe a anamnese. Interessa-se por saber quando as manchas apareceram, se são acompanhadas por outros sintomas, que medicamentos o paciente toma, que doenças teve e se existem perturbações da coagulação na família. O exame laboratorial básico é o hemograma completo com contagem diferencial, que revela uma eventual diminuição das plaquetas ou outras anomalias. Consoante os resultados, o médico pode solicitar testes adicionais – testes de coagulação, provas hepáticas, marcadores inflamatórios ou exames imunológicos especializados. Em alguns casos pode ser necessária uma biópsia da medula óssea, especialmente se existir suspeita de doença hematológica.
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Tratamento das petéquias e cuidados com a pele com pequenas manchas
O tratamento das petéquias rege-se por um princípio fundamental: não se tratam as manchas em si, mas a sua causa. Se as petéquias são consequência de pressão mecânica ou de uma pequena lesão, não é necessário nenhum tratamento específico – as manchas são reabsorvidas por si só no prazo de uma a duas semanas, de forma semelhante a pequenas nódoas negras. Durante este processo podem mudar de cor, do vermelho para o roxo e depois para o amarelo-acastanhado, o que é um sinal normal da degradação da hemoglobina no tecido.
No caso de a causa ser trombocitopenia, o tratamento depende da sua origem e gravidade. Na PTI, em primeira linha utilizam-se frequentemente corticosteroides, que suprimem a reação imunitária dirigida contra as próprias plaquetas. Se os corticosteroides não forem eficazes, surgem outras opções, como as imunoglobulinas intravenosas, medicamentos que estimulam a produção de plaquetas (os chamados agonistas do TPO) ou, em último caso, a remoção cirúrgica do baço – esplenectomia. Na trombocitopenia provocada por medicamentos, a solução é frequentemente simples: suspensão ou substituição do medicamento problemático sob supervisão médica.
Se por trás das petéquias estiver uma infeção, seja viral ou bacteriana, o tratamento foca-se na eliminação do agente causador. As infeções bacterianas requerem antibióticos; nas infeções virais procede-se habitualmente de forma sintomática e aguarda-se a resolução da doença. Nas vasculites e doenças autoimunes, o tratamento é mais complexo e inclui terapia imunossupressora, dirigida por um médico especializado – reumatologista ou hematologista.
No que diz respeito aos cuidados domiciliários e prevenção, existem várias coisas que cada pessoa pode fazer para apoiar a saúde dos seus vasos e da sua pele. Uma alimentação equilibrada rica em vitamina C – citrinos, pimento, brócolos, kiwi – ajuda a manter a firmeza das paredes vasculares. Uma ingestão suficiente de vitamina K, que encontramos nos vegetais de folha verde, como espinafres e couve, apoia o correto funcionamento da coagulação sanguínea. O exercício regular, mas moderado, fortalece o sistema cardiovascular, sendo aconselhável evitar esforços extremos sem a preparação adequada. Os fumadores devem saber que fumar enfraquece significativamente as paredes vasculares e aumenta o risco de hemorragia capilar.
Como observou Sir William Osler, um dos fundadores da medicina moderna: "Um bom médico trata a doença, um grande médico trata o paciente que tem a doença." Esta citação descreve perfeitamente a abordagem às petéquias – não se trata apenas de eliminar os pontos na pele, mas de compreender o que o corpo nos está a comunicar através deles.
Para aqueles que se interessam pelo fortalecimento natural do sistema vascular, pode ser interessante saber que algumas substâncias naturais, como os bioflavonoides (rutina, hesperidina) presentes nos citrinos e no trigo-sarraceno, têm efeitos comprovados no fortalecimento dos capilares. O chá verde, os frutos silvestres e o chocolate negro contêm antioxidantes que protegem as paredes vasculares dos danos causados pelos radicais livres. Naturalmente, estas abordagens complementam, e não substituem, os cuidados médicos nos casos em que são necessários.
As petéquias são, em suma, um fenómeno que merece atenção, mas não necessariamente pânico. A maioria das pessoas depara-se com elas pelo menos uma vez na vida e, na maioria dos casos, trata-se de um estado transitório e inofensivo. A chave é prestar atenção ao contexto – quando as manchas apareceram, o que as precedeu, se são acompanhadas por outros sintomas e se se repetem. O corpo comunica através dos mais diversos sinais e a capacidade de reconhecer esses sinais e reagir corretamente a eles é um dos aspetos mais importantes do cuidado com a própria saúde. Se as petéquias o preocupam, uma visita ao médico é sempre a melhor opção – porque a tranquilidade de espírito, fundamentada num exame profissional, tem para a saúde um valor que não pode ser sobrestimado.