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Existe um padrão de comportamento que se enraizou tão profundamente na nossa sociedade que muitas mulheres nem sequer se apercebem dele. Manifesta-se através de uma concordância constante, de uma necessidade crónica de agradar e de um silencioso adiamento das próprias necessidades para o fundo de uma lista imaginária de prioridades. Psicólogos e coaches utilizam um termo expressivo para este fenómeno – síndrome da boa menina. E embora, à primeira vista, possa parecer que ser "boa" é, afinal, uma característica positiva, a realidade é muito mais complexa. Por detrás da fachada de sorrisos e disponibilidade esconde-se frequentemente exaustão, frustração e a sensação de que a pessoa não está, na verdade, a viver a sua própria vida.

Como então deixar de viver para os outros e começar a viver para si, sem que a pessoa se torne egoísta? É precisamente sobre isso que trata este artigo – sobre o caminho para uma autoestima saudável, autenticidade e a capacidade de dizer "não" sem remorsos.

As raízes do síndrome da boa menina remontam às profundezas da infância. Desde pequenas, as raparigas são ensinadas a ser simpáticas, obedientes, prestáveis e a evitar conflitos. "Sê uma boa menina," ouvem dos pais, professores e avós. E enquanto nos rapazes a assertividade e a determinação são frequentemente incentivadas, nas raparigas o mesmo comportamento é não raras vezes avaliado como atrevimento ou falta de educação. O resultado é que muitas mulheres levam para a vida adulta a convicção de que o seu valor depende de quão úteis e agradáveis são para quem as rodeia. A psicóloga americana Harriet Braiker dedicou um livro inteiro a este fenómeno, The Disease to Please, no qual descreve como o desejo de agradar se transforma gradualmente numa dependência que domina toda a vida da pessoa.

Contudo, esta dependência tem o seu preço. E costuma ser elevado. Mulheres com o síndrome da boa menina sofrem frequentemente de stress crónico, ansiedade e sensação de vazio. Paradoxalmente, sentem-se solitárias mesmo no meio de pessoas, porque as relações que constroem assentam na sua doação constante e não numa verdadeira reciprocidade. Dizem "sim" quando querem dizer "não". Aceitam tarefas no trabalho que não lhes competem. Pedem desculpa por coisas pelas quais não precisam de se desculpar. E lentamente, de forma imperceptível, perdem o contacto consigo mesmas – com os seus verdadeiros desejos, necessidades e limites.

Talvez alguém objete agora que não há nada de errado com a bondade e a consideração. E isso é absolutamente verdade. A bondade é uma qualidade maravilhosa – mas apenas quando nasce de uma escolha livre e não do medo da rejeição. A diferença entre a verdadeira bondade e o síndrome da boa menina reside precisamente na motivação. Uma pessoa bondosa ajuda porque quer. Uma pessoa com o síndrome da boa menina ajuda porque tem medo do que aconteceria se não ajudasse – que deixem de gostar dela, que seja considerada egoísta, que perca o favor de quem a rodeia. Como escreveu de forma certeira a escritora e investigadora Brené Brown: "Quando tentamos ser tudo para todos, acabamos por não ser nada para nós mesmos."


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Como o síndrome da boa menina se manifesta no dia a dia

Os sinais deste padrão são frequentemente tão subtis que a mulher em questão não se apercebe deles durante muito tempo. Pode ser a colega que fica sempre a trabalhar horas extra para ajudar os outros com os seus projetos, enquanto as suas próprias tarefas ficam por fazer. Pode ser a mãe que se sacrifica pela família até ao último suspiro e depois se admira por se sentir exausta e invisível. Ou a amiga que está sempre disponível, sempre a ouvir, sempre a resolver os problemas dos outros – mas nunca fala dos seus.

Tomemos um exemplo concreto. Petra, contabilista de trinta e três anos de Brno, pensou durante muito tempo que era simplesmente "assim" – dedicada, prestável, sempre pronta a ajudar. No trabalho, assumia regularmente tarefas de colegas que não conseguiam cumprir prazos e nunca pediu um aumento de salário, apesar de o seu desempenho o justificar. Em casa, cuidava da casa praticamente sozinha, porque não queria "sobrecarregar" o companheiro com os seus pedidos. Os amigos ligavam-lhe quando precisavam de conselhos ou ajuda, mas raramente se interessavam por saber como ela estava. Petra sorria e dizia que estava tudo bem. Até ao momento em que, uma manhã, não conseguiu levantar-se da cama. Diagnosticaram-lhe síndrome de burnout. Só então se apercebeu de que durante anos vivera para todos à sua volta, menos para si mesma.

A história de Petra não é um caso isolado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o stress crónico e o burnout estão entre as ameaças mais significativas para a saúde mental, e as mulheres são afetadas de forma desproporcionada, entre outras razões, precisamente devido às expectativas sociais associadas ao papel de cuidadora e de "a boa". Estudos mostram igualmente que mulheres com dificuldades em estabelecer limites apresentam níveis mais elevados de ansiedade e estados depressivos.

Mas o síndrome da boa menina não se manifesta apenas nas relações interpessoais. Influencia também a relação da mulher consigo mesma. Mulheres com este padrão de comportamento tendem a ser extremamente exigentes consigo próprias. Recriminam-se por cada erro, encaram cada insucesso como um fracasso pessoal. O perfeccionismo e a autocrítica andam de mãos dadas com a necessidade de agradar – afinal, se não sou perfeita, como podem as pessoas gostar de mim? Este diálogo interno é desgastante e destrutivo, e, no entanto, muitas mulheres consideram-no normal, porque o conhecem desde a infância.

O caminho para a mudança – como começar a viver para si

A boa notícia é que o síndrome da boa menina não é um destino irreversível. É um padrão de comportamento aprendido, e o que foi aprendido pode ser desaprendido. O caminho para a mudança exige, contudo, coragem, paciência e disposição para encarar a verdade de frente. Não se trata de se tornar uma pessoa insensível que ignora as necessidades dos outros. Trata-se de encontrar o equilíbrio – saber dar, mas também receber. Saber ajudar, mas também dizer "não". Saber ser bondosa para os outros, mas sobretudo para si mesma.

O primeiro e fundamental passo é a consciencialização. Sem ela, nenhuma mudança é possível. É preciso admitir honestamente que a pessoa funciona num regime de adaptação constante ao meio envolvente, em detrimento das suas próprias necessidades. Isto pode ser doloroso, porque traz consigo a tristeza por todo o tempo e energia que a pessoa dedicou a tentar agradar pessoas que talvez nem sequer o tenham valorizado. Mas é precisamente esta consciencialização que constitui a porta para a liberdade.

Outro elemento importante é o trabalho com os limites. Para mulheres com o síndrome da boa menina, estabelecer limites é uma das coisas mais difíceis de todas. Dizer "não" equivale, para elas, a um conflito, e o conflito equivale a uma ameaça à relação. Contudo, limites saudáveis não são um muro que separa as pessoas – são uma cerca com um portão que permite decidir conscientemente quem e o quê deixamos entrar na nossa vida. A psicóloga Nedra Glover Tawwab, autora do livro Set Boundaries, Find Peace, sublinha que os limites não são uma manifestação de egoísmo, mas sim um pressuposto fundamental para relações saudáveis.

Na prática, isto pode traduzir-se em pequenos passos. Não é preciso recusar imediatamente um grande pedido – pode-se começar por pedir tempo para pensar. Em vez de um imediato "claro, eu trato disso", experimentar dizer: "Preciso de pensar nisso, depois digo-te." Só esta pequena mudança já dá espaço para que a pessoa se pergunte a si mesma: Quero mesmo fazer isto? Tenho capacidade para isso? Ou estou a fazê-lo apenas para não parecer mal?

Uma parte importante do processo é também o cuidar de si, e não apenas no sentido de banhos relaxantes e máscaras faciais, embora estes também tenham o seu lugar. O verdadeiro cuidar de si significa ouvir o seu corpo e a sua mente, respeitar o seu cansaço, permitir-se descansar sem sentimento de culpa e dedicar tempo a atividades que trazem alegria e realização. Significa também rodear-se de pessoas que encaram a relação como uma rua de dois sentidos – que não só recebem, mas também dão. Pode significar reavaliar algumas relações, o que costuma ser doloroso, mas em última análise libertador.

Não se pode esquecer também o papel da ajuda profissional. A terapia, seja individual ou de grupo, pode ser um instrumento imensamente valioso no caminho para uma vida mais autêntica. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) revela-se eficaz no trabalho com crenças profundamente enraizadas sobre o próprio valor e a necessidade de agradar. O terapeuta pode ajudar a identificar pensamentos automáticos e padrões que mantêm a pessoa presa na armadilha da "boa menina" e substituí-los gradualmente por alternativas mais saudáveis. Em Portugal, é possível procurar terapeutas qualificados, por exemplo, através da Ordem dos Psicólogos Portugueses ou de portais dedicados à saúde mental.

É também necessário ter consciência de que a mudança não acontece de um dia para o outro. Um padrão de comportamento construído ao longo de anos não se altera numa semana nem num mês. Haverá dias em que a pessoa voltará aos velhos hábitos – dirá "sim" quando queria dizer "não", assumirá a responsabilidade pelo estado de espírito de outra pessoa ou pedirá desculpa por ter a sua própria opinião. E isso não tem mal. A mudança não é um processo linear, mas antes uma espiral – a pessoa regressa por vezes a lugares onde já esteve, mas sempre com maior compreensão e ferramentas mais fortes.

O que é talvez mais essencial em todo o tema do síndrome da boa menina é compreender que viver para si não significa viver contra os outros. Pelo contrário – uma pessoa que cuida bem das suas próprias necessidades tem muito mais energia e amor para partilhar com quem a rodeia. É como a famosa máscara de oxigénio no avião – primeiro coloca-se a si próprio e só depois ajuda os outros. Uma mulher que aprende a respeitar os seus limites, a dizer "não" e a dedicar tempo a si mesma não é egoísta. É saudável. E, paradoxalmente, torna-se uma melhor companheira, mãe, amiga e colega, porque a sua bondade nasce da plenitude e não do vazio.

O mundo à nossa volta está a mudar lentamente. A conversa social sobre saúde mental, limites e autenticidade ganha força e cada vez mais mulheres se permitem sair do papel daquela eternamente adaptável, eternamente sorridente, eternamente disponível "boa menina". E isso é bom. Porque toda a mulher merece viver uma vida que ela própria escolha – e não a vida que os outros esperam dela. Ser boa é uma escolha, não uma obrigação. E é precisamente nesta distinção que reside a chave para a verdadeira liberdade.

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