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O telefone toca e o coração dispara. A mão estende-se para o telemóvel, mas em vez de atender a chamada, o polegar dirige-se instintivamente para o botão vermelho. Parece familiar? Se sim, definitivamente não está sozinho/a. Numa época em que a maior parte da comunicação acontece através de mensagens de texto, e-mails e aplicações de chat, telefonar tornou-se uma fonte de stress real para um número surpreendentemente grande de pessoas. E não se trata apenas de personalidade introvertida ou preguiça – a ansiedade telefónica é um fenómeno psicológico real que consegue complicar a vida quotidiana mais do que poderia parecer à primeira vista.

Imagine, por exemplo, a Lucie, uma designer gráfica de trinta anos de Brno. Desempenha o seu trabalho com excelência, comunica com os clientes por e-mail, nas reuniões é profissional e confiante. Mas quando precisa de ligar para a seguradora ou marcar uma consulta médica, adia isso durante dias inteiros, por vezes até semanas. "Sei que é absurdo," diz. "A chamada duraria dois minutos, mas eu penso nela o dia inteiro antes. E se me fizerem uma pergunta para a qual não sei a resposta? E se me atrapalhar?" A história da Lucie não é um caso isolado. Inquéritos mostram repetidamente que especialmente as gerações mais jovens percecionam o telefonar como desagradável e stressante, mesmo em situações que são objetivamente completamente banais.

Mas por que é que, afinal, tantas pessoas têm medo de telefonar? A resposta é mais complexa do que poderia parecer e mergulha profundamente na forma como funciona a psique humana, como o ambiente nos molda e como se transformou dramaticamente, nas últimas duas décadas, a forma como comunicamos uns com os outros.


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Por que tantas pessoas têm medo de telefonar

As raízes da ansiedade telefónica estão frequentemente relacionadas com uma ansiedade social mais ampla, ou seja, o medo de ser avaliado e julgado negativamente pelos outros. A chamada telefónica tem, de facto, várias características específicas que a distinguem de outras formas de comunicação – e são precisamente estas características que podem desencadear uma reação de stress em indivíduos mais sensíveis.

Em primeiro lugar, a chamada telefónica decorre em tempo real. Ao contrário de um e-mail ou de uma mensagem no WhatsApp, não tem tempo para pensar na resposta, reformular a frase ou apagar o que escreveu. Cada palavra é imediata e irreversível. Em segundo lugar, ao telefonar falta o feedback visual. Não vê a expressão facial da outra pessoa, não sabe se está a sorrir, a acenar com a cabeça ou a franzir o sobrolho. O cérebro tem assim de trabalhar com informações incompletas, o que naturalmente aumenta a incerteza. Em terceiro lugar, a chamada telefónica é, em certa medida, uma "performance" – especialmente se telefona na presença de outras pessoas que ouvem o seu lado da conversa. Isso acrescenta mais uma camada de pressão.

A psicóloga e investigadora na área das perturbações de ansiedade Amy Przeworski, da Case Western Reserve University, descreveu de forma pertinente num dos seus textos que a ansiedade telefónica é, na realidade, uma forma de fobia social direcionada a uma situação concreta. A pessoa pode não ter medo das interações sociais em geral, mas precisamente as condições específicas da chamada telefónica – a ausência de contacto visual, a impossibilidade de controlar o ritmo da conversa e o medo do silêncio – podem desencadear uma reação ansiosa desproporcionada.

A tudo isto acresce o fator geracional. As pessoas que cresceram com smartphones e comunicação por texto simplesmente não têm tanta experiência com telefonemas como a geração dos seus pais. E aquilo que uma pessoa não faz com frequência, naturalmente parece-lhe desagradável. Forma-se assim um círculo vicioso: quanto mais evita telefonar, maior ansiedade sente ao fazê-lo, e quanto maior ansiedade sente, mais o evita. A organização britânica Anxiety UK alerta nos seus materiais que é precisamente o comportamento de evitamento um dos principais fatores que mantêm e aprofundam a ansiedade a longo prazo.

É importante distinguir entre desconforto comum e ansiedade real. Para a maioria das pessoas, telefonar simplesmente não é agradável – e isso é perfeitamente normal. O problema surge no momento em que o medo de telefonar começa a afetar a qualidade de vida. Quando a pessoa adia assuntos importantes por causa disso, evita oportunidades profissionais ou negligencia os cuidados de saúde porque não consegue obrigar-se a ligar para o consultório. Nesses casos, já não se trata de uma mera preferência, mas de um obstáculo com o qual vale a pena trabalhar.

Curiosamente, a ansiedade telefónica não se manifesta apenas em pessoas que são geralmente ansiosas. Afeta também pessoas que no contacto pessoal estão perfeitamente à vontade, gostam de falar em público e não têm qualquer problema com apresentações perante dezenas de colegas. A especificidade da chamada telefónica como canal de comunicação simplesmente cria condições únicas que podem pôr nervosa até uma pessoa normalmente autoconfiante. Como observou o psicólogo americano Guy Winch, autor do livro Emotional First Aid: "A ansiedade telefónica não é sobre a pessoa não saber falar. É sobre o cérebro percecionar a chamada telefónica como uma situação com um elevado grau de incerteza – e a incerteza é exatamente aquilo que alimenta a ansiedade."

O perfeccionismo também desempenha o seu papel. As pessoas que colocam a si próprias exigências elevadas tendem a encarar cada chamada como um teste. Têm de soar inteligentes, profissionais, não podem hesitar, não podem dizer "hm". Esta pressão interna paradoxalmente aumenta a probabilidade de que aconteça exatamente isso – e a experiência negativa confirma então os receios originais. É um exemplo clássico de profecia autorrealizável.

Como superar a ansiedade telefónica

A boa notícia é que a ansiedade telefónica definitivamente não é algo com que a pessoa tenha de viver para sempre. Existe toda uma série de abordagens que ajudam – desde truques práticos simples até um trabalho psicológico mais profundo. E a maioria delas não exige nada de dramático, apenas um pouco de paciência e disposição para sair da zona de conforto.

A exposição gradual é um dos instrumentos mais eficazes. O princípio é simples: começa com chamadas pequenas e pouco stressantes e vai progredindo gradualmente para as mais exigentes. Pode, por exemplo, começar por ligar para um restaurante e perguntar pelo horário de funcionamento. Depois experimenta encomendar comida por telefone. Depois liga para uma repartição com uma pergunta simples. Cada chamada bem-sucedida é uma pequena vitória que envia ao cérebro o sinal: "Vês? Sobrevivemos. Não foi assim tão terrível." A terapia cognitivo-comportamental, considerada o padrão de ouro no tratamento das perturbações de ansiedade, assenta precisamente neste princípio. Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH), a exposição gradual é um dos métodos mais bem fundamentados para superar fobias específicas e ansiedades.

Outra estratégia útil é a preparação antes da chamada. Isto não significa que tenha de escrever um guião completo palavra por palavra – isso poderia, pelo contrário, aumentar a ansiedade, porque a chamada real nunca seguirá o script preparado. Basta anotar num papel ou nas notas do telefone três coisas: por que está a ligar, que informações precisa de comunicar e que perguntas quer fazer. Esta estrutura simples proporciona ao cérebro uma sensação de controlo, que é fundamental na gestão da ansiedade.

Também ajuda a mudança de perspetiva. As pessoas com ansiedade telefónica tendem a sobrestimar o quanto a outra parte repara no seu nervosismo. Na realidade, a pessoa do outro lado da linha está geralmente focada no conteúdo da chamada, não em saber se quem liga soa um pouco inseguro/a. A rececionista do consultório atende dezenas de chamadas por dia e provavelmente não se vai lembrar, passados cinco minutos, de que gaguejou um pouco no início. Esta reestruturação cognitiva – a consciencialização de que os nossos receios são desproporcionados em relação à realidade – é um dos pilares fundamentais da gestão da ansiedade.

As técnicas físicas de gestão do stress são outro auxiliar. Antes de uma chamada stressante, podem ajudar algumas respirações profundas – concretamente a técnica em que inspira durante quatro segundos, retém a respiração durante quatro segundos e expira durante oito segundos. Este método ativa o sistema nervoso parassimpático e reduz fisiologicamente a reação de stress. Algumas pessoas também descobrem que lhes ajuda andar pela sala ou gesticular enquanto telefonam – o movimento do corpo liberta tensão e paradoxalmente confere à voz um tom mais natural e confiante.

Vale também a pena mencionar um truque prático que pode soar banal, mas funciona: sorria enquanto telefona. O sorriso altera a qualidade da voz e ao mesmo tempo envia ao cérebro o sinal de que a situação não é ameaçadora. É um pormenor, mas muitas pessoas confirmam que realmente as ajuda a sentirem-se mais descontraídas durante a chamada.

E se a ansiedade persistir apesar de todas as tentativas de autoajuda? Nesse caso, vale definitivamente a pena procurar ajuda profissional. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é extraordinariamente eficaz no tratamento da ansiedade social, incluindo a telefónica. O terapeuta ajuda a identificar os padrões de pensamento concretos que mantêm a ansiedade e a trabalhar sistematicamente com eles. Na República Checa, a TCC está disponível tanto através de psicólogos clínicos como no âmbito de centros especializados no tratamento de perturbações de ansiedade.

Não é preciso ter vergonha da ansiedade telefónica nem banalizá-la. Vivemos numa época que privilegia a comunicação por texto e relega o telefonar para segundo plano – é portanto perfeitamente lógico que se tenha criado um certo desconforto em torno dele. Ao mesmo tempo, é verdade que a capacidade de pegar no telefone e ligar continua a ser insubstituível em muitas situações. Quer se trate de resolver assuntos urgentes, construir relações profissionais ou simplesmente do facto de que ligar à avó continua a ser mais bonito do que enviar-lhe um emoji.

Voltemos ainda à Lucie de Brno. Após vários meses de trabalho com uma terapeuta e de exposição gradual a chamadas telefónicas, hoje diz que telefonar ainda não é a sua atividade favorita, mas deixou de lhe governar a vida. "O maior avanço foi quando percebi que a chamada não tem de ser perfeita. Basta que cumpra o seu propósito." E é precisamente nisso que reside o cerne de toda a questão. Uma chamada telefónica não é um exame, não é uma atuação no palco e ninguém lhe dá notas por ela. É simplesmente uma ferramenta – e como qualquer ferramenta, a pessoa aprende a usá-la melhor ao utilizá-la. Cada telefone atendido é um passo na direção certa, mesmo que as mãos tremam ao fazê-lo.

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