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Há momentos que apanham qualquer pai, avô ou educador completamente desprevenido. A criança está sentada ao jantar, enrolando o garfo nos esparguetes, e do nada pergunta: "Mãe, tu também vais morrer um dia?" O coração para por um instante, a colher fica suspensa no ar e na cabeça começa um carrossel de pensamentos – o que dizer, como dizer, quanto revelar e, sobretudo, como não magoar. São precisamente estas situações que estão entre os maiores desafios educativos, apesar de serem muito menos discutidas nos grupos de pais do que, por exemplo, o treino do sono ou o primeiro dia na creche. No entanto, a forma como falamos com as crianças sobre a morte, a doença e o medo molda a sua resiliência emocional para toda a vida.

A morte, uma doença grave na família, o medo do escuro ou de que algo mau aconteça aos entes queridos – todos estes são temas que as crianças processam de forma diferente dos adultos. Ainda não possuem o aparato conceptual para nomear com precisão os seus sentimentos e frequentemente expressam-nos através do comportamento: inquietação, regressão, pesadelos, recusa de comida ou, pelo contrário, uma alegria exagerada que mascara a confusão interior. Ignorar as perguntas das crianças ou despachá-las com um "ainda és pequeno para isso" pode aliviar o adulto por um momento, mas a criança preenche sozinha as lacunas na narrativa – e a sua fantasia costuma ser muitas vezes muito mais assustadora do que a realidade. Então, como falar com as crianças sobre a morte, a doença e o medo com calma e sem traumatizar? A resposta não é simples, mas existem vários princípios que derivam da psicologia do desenvolvimento e da prática de terapeutas infantis, e que podem ser utilizados verdadeiramente por qualquer pessoa.

Comecemos pelo que se passa na mente infantil. A psicóloga do desenvolvimento Maria Nagy, já em meados do século XX, descreveu que as crianças até aproximadamente cinco anos percecionam a morte como algo temporário e reversível – semelhante a quando uma personagem de um conto de fadas "adormece" e depois acorda. Entre os seis e os nove anos começam a compreender que a morte é irreversível, mas frequentemente personificam-na como uma figura (esqueleto, fantasma), e só por volta dos dez anos aceitam o conceito de morte como fenómeno biológico universal. Cada fase etária exige, portanto, uma abordagem e palavras ligeiramente diferentes, mas uma regra aplica-se a todos os grupos etários: a honestidade adaptada à idade é sempre melhor do que o silêncio. A Academia Americana de Pediatria (AAP) nas suas recomendações sublinha repetidamente que as crianças precisam de informações verdadeiras, simples e compreensíveis que as ajudem a orientar-se naquilo que está a acontecer à sua volta.

Imaginemos uma situação concreta. O Vasco, de seis anos, chega da escola e diz que a avó do Marco "foi para o céu" e que o Marco esteve o dia todo a olhar pela janela. A mãe do Vasco sabe que a sua própria mãe está neste momento a fazer quimioterapia e, de repente, vê-se perante uma decisão: deve contar ao Vasco sobre a doença da avó ou protegê-lo da preocupação? Decide por um caminho intermédio. Senta-se com o Vasco no sofá, pega-lhe na mão e diz: "Sabes, a avó está doente agora e vai ao médico para que ele a ajude. Às vezes está cansada e precisa de descansar mais, mas os médicos estão a fazer tudo o que podem." O Vasco pensa um momento e depois pergunta: "E ela vai morrer?" A mãe engole em seco e responde: "Esperamos que não. Mas mesmo que aconteça algo triste, vamos estar aqui juntos e vamos cuidar uns dos outros." O Vasco acena com a cabeça, fica em silêncio por um momento e depois pergunta se pode pôr um desenho animado. E está tudo bem – a psique infantil processa informações difíceis em pequenas doses, como uma esponja que absorve apenas a quantidade de água que consegue suportar.


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Porque é importante não subestimar o medo infantil

O medo é uma emoção absolutamente natural e evolutivamente útil nas crianças. O problema surge quando os adultos banalizam o medo infantil com frases como "isso é uma parvoíce" ou "os meninos grandes não têm medo". Estudos publicados na revista Child Development mostram que a desvalorização das emoções das crianças leva a que estas aprendam a reprimir os seus sentimentos em vez de os processarem de forma saudável. E as emoções reprimidas tendem a regressar – frequentemente de forma mais intensa e em momentos menos oportunos.

Quando uma criança tem medo, precisa, em primeiro lugar, de sentir que o seu medo é legítimo. A frase "vejo que tens medo e isso é normal" faz maravilhas. Não acrescenta medo, como alguns pais receiam, mas pelo contrário atenua-o ao nomeá-lo. O neurocientista Dan Siegel, autor do livro The Whole-Brain Child, chama a este princípio "name it to tame it" – nomeia-o para o domares. Quando a criança ouve que o seu sentimento tem um nome e que é normal, ativam-se no cérebro as áreas responsáveis pela regulação emocional e o nível de stress diminui.

Isto, naturalmente, não significa que devamos sobrecarregar as crianças com descrições detalhadas de doenças ou confrontá-las com informações que não são capazes de processar. Existe uma diferença fundamental entre honestidade e sobrecarga. A uma criança que pergunta sobre a morte do animal de estimação não precisamos de explicar a fisiologia da morte. Basta dizer que o corpo do hamster deixou de funcionar, que já não sente dor e que é normal estar triste. A chave é responder àquilo que a criança realmente pergunta e não acrescentar informações que não pediu. A maioria das crianças, se necessário, volta a perguntar – e esse é exatamente o ritmo certo.

É interessante que a cultura em que vivemos não nos prepara muito para estas conversas. A morte foi progressivamente afastada da vida quotidiana na sociedade ocidental – morre-se nos hospitais, os funerais realizam-se em círculo restrito, as crianças são frequentemente "poupadas" e não vão à cerimónia. A antropóloga Margaret Mead observou uma vez: "Quando uma criança pode participar no processo de luto, aprende que a tristeza faz parte da vida e não é o seu fim." E é precisamente esta ideia que ressoa também nas abordagens modernas da psicologia infantil. As crianças que têm a possibilidade de se despedir, colocar um desenho na sepultura, acender uma vela ou simplesmente estar presentes na tristeza dos adultos aprendem que a dor é suportável e que depois dela vem o alívio.

Naturalmente, existem situações em que é necessária ajuda profissional. Se a criança, após a perda de uma pessoa próxima, recusa comer durante um período prolongado, não consegue dormir, se isola ou apresenta alterações significativas de comportamento que duram mais do que algumas semanas, é apropriado procurar um psicólogo ou terapeuta infantil. Organizações como a Linka bezpečí (116 111) oferecem apoio não só às crianças, mas também aos pais que não têm a certeza de como proceder numa determinada situação.

Princípios práticos para conversas sobre temas difíceis

Embora não exista um guia universal, vários princípios comprovados podem ajudar qualquer pessoa que se encontre numa situação em que precisa de falar com uma criança sobre algo doloroso:

  • Use palavras claras. Em vez de eufemismos como "partiu" ou "adormeceu para sempre", é melhor dizer "morreu" ou "o corpo dele deixou de funcionar". Os eufemismos podem causar confusão nas crianças pequenas – se a avó "adormeceu", por que razão a criança não haveria de ter medo de adormecer?
  • Deixe a criança conduzir a conversa. Responda às perguntas que ela faz e não imponha informações adicionais. Se a criança não pergunta, não significa que o tema não lhe interesse – talvez apenas precise de tempo.
  • Esteja disponível repetidamente. Uma conversa não basta. As crianças regressam aos temas difíceis, frequentemente em momentos inesperados – no banho, a caminho da escola, antes de dormir.
  • Mostre as suas próprias emoções na medida adequada. Quando a criança vê que o adulto está triste mas consegue lidar com isso, aprende que a tristeza não é uma ameaça. Pelo contrário, um pai completamente "blindado" pode enviar à criança o sinal de que as emoções não devem ser mostradas.
  • Ofereça um ritual ou uma atividade concreta. Desenhar um quadro para o doente, plantar uma flor em memória, criar uma "caixa de recordações" – tudo isto dá à criança a sensação de que pode fazer algo e reduz a impotência.

Estes princípios não são meramente teóricos. Baseiam-se no trabalho de profissionais como, por exemplo, as terapeutas do Dětské krizové centrum, que diariamente se encontram com crianças a atravessar situações de vida difíceis. A sua experiência confirma que as crianças com quem se fala sobre temas difíceis de forma aberta e sensível apresentam um maior grau de resiliência psicológica em idade mais avançada.

Vale a pena mencionar também o papel dos livros e das histórias. Existe toda uma série de livros infantis de qualidade que ajudam a abrir a conversa sobre a morte ou a doença de uma forma que é natural para as crianças. Entre os títulos checos encontram-se, por exemplo, Jak to je, když je někdo nemocný da editora Portál ou a tradução do livro A Árvore das Recordações de Britta Teckentrup, que aborda delicadamente o tema da perda. As histórias funcionam como um espaço seguro – a criança pode vivenciar emoções "a título experimental" através da personagem e depois regressar ao tema ao seu próprio ritmo.

Muitos pais perguntam também se é adequado levar as crianças ao hospital para visitar um familiar doente. Não existe uma resposta inequívoca, pois depende da situação concreta, do estado do doente e da idade e personalidade da criança. Em geral, porém, se o doente está consciente e deseja a visita, uma visita curta e preparada pode ser terapêutica para ambas as partes. É importante informar a criança antecipadamente sobre o que vai ver – "a avó vai estar deitada na cama, vai ter um tubinho na mão, mas não tenhas medo, isso está a ajudá-la" – e depois da visita dar-lhe espaço para perguntas e também para o silêncio.

Um capítulo especial é o medo que não está relacionado com um acontecimento concreto, mas faz parte do desenvolvimento infantil normal – o medo do escuro, de monstros debaixo da cama, de trovoadas ou de que os pais não voltem. Também aqui se aplica o mesmo princípio: nomear, aceitar, não julgar. A criança que ouve "isso não é nada, os monstros não existem" recebe o sinal de que a sua vivência interior está errada. A criança que ouve "compreendo que tens medo, vamos espreitar juntos debaixo da cama" recebe o sinal de que o seu sentimento é válido e que não está sozinha.

Em última análise, não se trata de encontrar as palavras perfeitas. As palavras perfeitas não existem e nenhum de nós fala com as crianças como se fosse de um manual. Trata-se de estar presente, ser honesto e ser carinhoso – e não ter medo de admitir que simplesmente não sabemos algumas respostas. A frase "não sei, mas estou aqui contigo" tem para a criança muito mais valor do que a explicação mais bem formulada que seja emocionalmente vazia. As crianças, na verdade, não leem as nossas palavras com tanta atenção como o nosso tom de voz, a expressão do rosto e se realmente lhes estamos a segurar a mão – literal e figurativamente. E é precisamente nisso que reside a lição mais importante: não é preciso ser um pai perfeito, basta ser um pai que não tem medo de ser humano.

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