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# Mikronutrienty pro děti e por que comer saudável não é suficiente

Todos os pais conhecem essa situação. A criança come vegetais, frutas, carne, laticínios – e mesmo assim o pediatra alerta que algo está faltando. Ou os próprios pais percebem que a criança está cansada, irritável, com dificuldade de concentração na escola, ou simplesmente "não está bem". A pergunta surge naturalmente: como é possível que uma criança que aparentemente se alimenta bem possa ter deficiência de nutrientes importantes?

A resposta está numa área sobre a qual se fala surpreendentemente pouco nas conversas comuns sobre nutrição – os micronutrientes. Não se trata de calorias, proteínas ou carboidratos. Trata-se de vitaminas, minerais e oligoelementos que o organismo necessita em pequenas, mas absolutamente essenciais quantidades. E são exatamente essas substâncias que podem estar em falta mesmo em crianças cuja alimentação parece, à primeira vista, completamente adequada.


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Por que "comer saudável" não é suficiente

A alimentação moderna é, em muitos aspectos, paradoxal. Nunca na história a comida foi tão acessível, tão variada e tão visualmente atraente – e ainda assim as pesquisas mostram repetidamente que grande parte da população, incluindo as crianças, sofre de deficiências nutricionais ocultas. Este fenômeno é denominado na literatura científica como "fome oculta" (hidden hunger) e, segundo a Organização Mundial da Saúde, afeta mais de dois bilhões de pessoas em todo o mundo.

Como isso é possível? O problema está no fato de que a suficiência calórica não garante a suficiência de micronutrientes. Uma criança pode ingerir quantidade suficiente de alimentos, sentir-se saciada e ainda assim receber apenas uma fração da quantidade necessária de zinco, iodo, vitamina D ou ferro. Os alimentos industrialmente processados, que constituem uma parte considerável da dieta da maioria das crianças, são caloricamente ricos, mas pobres em micronutrientes. Pão branco, massas, iogurtes adoçados, cereais com sabor de chocolate – tudo isso pode parecer uma alimentação "normal", mas seu valor nutritivo é significativamente inferior ao dos alimentos naturais.

É preciso mencionar também um fator frequentemente esquecido: mesmo um alimento de qualidade pode não fornecer tantos micronutrientes quanto deveria. A agricultura intensiva, o armazenamento prolongado, o transporte e o processamento térmico – tudo isso reduz o teor de vitaminas e minerais nos alimentos. Um estudo publicado no Journal of the American College of Nutrition mostrou que o teor de nutrientes em vegetais e frutas diminuiu consideravelmente nos últimos cinquenta anos, especialmente em relação à vitamina C, ao magnésio e ao ferro. Em outras palavras, a cenoura que uma criança come hoje não é nutricionalmente a mesma que a cenoura de três gerações atrás.

Acrescentemos ainda outro fator importante: as crianças estão crescendo. E um organismo em crescimento tem exigências de micronutrientes significativamente maiores do que um adulto. Os ossos estão sendo formados, o cérebro está se desenvolvendo, o sistema imunológico está se constituindo – e todos esses processos requerem exatamente os nutrientes que costumam ser mais subestimados na alimentação.

Quais micronutrientes realmente faltam com mais frequência

Quando analisamos os dados de pesquisas nutricionais realizadas na Europa, os mesmos nomes se repetem constantemente. Não se trata de substâncias exóticas – são micronutrientes bem conhecidos, mas que mesmo assim aparecem em quantidades insuficientes na alimentação infantil.

A vitamina D é provavelmente a deficiência mais frequentemente discutida em crianças nas regiões de clima temperado. Sua principal fonte não é a alimentação, mas a radiação solar – e isso é um problema para toda criança que passa a maior parte do tempo em ambientes fechados, usa protetor solar ou vive num país com pouca incidência solar durante a maior parte do ano. A vitamina D é fundamental não apenas para a saúde óssea, mas também para a função do sistema imunológico, o humor e o desenvolvimento cognitivo. A Sociedade Tcheca de Pediatria recomenda sua suplementação em crianças praticamente durante todo o ano, mas sua deficiência ainda é muito prevalente.

O ferro é outro micronutriente cuja deficiência costuma passar despercebida. Os pais geralmente o associam apenas à anemia, mas os sintomas da deficiência de ferro são muito mais sutis – fadiga, redução da concentração, maior suscetibilidade a infecções, atraso no desenvolvimento psicomotor. Um exemplo típico da prática clínica é a situação em que um estudante chega em casa exausto, com dificuldades no aprendizado, professores relatando desatenção – e os pais atribuem isso à preguiça ou ao excesso de atividades. Somente um exame de sangue revela que a criança tem baixo nível de ferritina e seu cérebro literalmente não tem "combustível" suficiente para a concentração. Os grupos de risco incluem especialmente meninas na puberdade, crianças vegetarianas e crianças com baixo consumo geral de carne.

O magnésio é um mineral sobre o qual se fala menos no contexto da nutrição infantil, embora sua deficiência seja surpreendentemente comum. O magnésio participa de mais de trezentas reações enzimáticas no organismo, influencia a qualidade do sono, o sistema nervoso e a capacidade de lidar com o estresse. Crianças cronicamente nervosas, com sono ruim ou cãibras musculares frequentes podem estar sofrendo justamente dessa deficiência. Infelizmente, o magnésio se perde durante o processamento industrial dos alimentos – farinha refinada, arroz branco, açúcar – todos esses são alimentos que praticamente não contêm magnésio, embora constituam a base da alimentação de muitas crianças.

O iodo é um oligoelemento essencial para o funcionamento adequado da tireoide, que regula o metabolismo, o crescimento e o desenvolvimento cerebral. Sua deficiência na infância pode ter consequências duradouras para o desenvolvimento intelectual. Embora no Brasil o sal iodado seja obrigatório, a tendência moderna de reduzir o consumo de sal e o uso de sais alternativos (himalaia, marinho) sem iodo adicionado fez com que as deficiências de iodo voltassem a aparecer. A situação é complicada ainda pelo fato de que os alimentos industrialmente processados, que constituem grande parte do consumo de sal das crianças, nem sempre contêm sal iodado.

O zinco é o micronutriente mais frequentemente esquecido na avaliação da nutrição infantil. No entanto, é absolutamente essencial para a função imunológica, a cicatrização de feridas, o apetite e o crescimento normal. Uma criança que adoece repetidamente, que cicatriza mal ou que tem apetite inexplicavelmente reduzido pode estar com deficiência de zinco. O zinco é encontrado principalmente em carnes, frutos do mar e leguminosas – e sua absorção é reduzida pelos fitatos presentes no pão integral. Paradoxalmente, uma criança que se alimenta de forma "saudável" e consome muito pão integral pode ter uma absorção de zinco pior do que uma criança que come pão branco com carne.

As vitaminas do complexo B – especialmente B12, B6 e folato – são outros candidatos à deficiência. A vitamina B12 é encontrada exclusivamente em produtos de origem animal, por isso sua deficiência é quase inevitável em crianças com alimentação vegana sem suplementação. Mas mesmo em crianças que comem carne, a ingestão pode ser insuficiente se o consumo for apenas esporádico. O folato, ou seja, o ácido fólico, é fundamental para a divisão celular e a formação de glóbulos vermelhos, e sua deficiência se manifesta com fadiga e imunidade reduzida.

O que os pais podem fazer

Como disse certa vez o médico e pesquisador em nutrição Michael Greger: "A melhor dieta é aquela que maximiza a ingestão de nutrientes e minimiza a ingestão de calorias sem nutrientes." Esta frase é simples, mas capta a essência do problema.

O primeiro passo é a variedade. Quanto mais diversificada for a alimentação, menor a probabilidade de que algum micronutriente esteja faltando a longo prazo. Variedade não significa apenas diferentes tipos de frutas e vegetais – significa também diferentes fontes de proteínas, diferentes tipos de cereais, alimentos fermentados, nozes e sementes. Na prática, isso pode significar que num dia a criança recebe sopa de lentilha, no outro peixe, no terceiro ovos – e essa rotação ajuda a cobrir diferentes necessidades de micronutrientes.

O segundo passo é prestar atenção à forma de preparo dos alimentos. Cozinhar vegetais em grande quantidade de água causa perda de vitaminas hidrossolúveis – vitamina C e vitaminas do complexo B. Métodos mais suaves incluem o cozimento no vapor, o refogado rápido ou o consumo de vegetais crus. A combinação de alimentos também tem seu papel: a vitamina C aumenta significativamente a absorção de ferro de fontes vegetais, portanto uma salada de vegetais com molho de limão servida com lentilha não é apenas uma questão de sabor, mas uma combinação nutricionalmente inteligente.

O terceiro passo – e este é um tema que muitos pais ainda resistem em aceitar – é considerar a suplementação direcionada. Não como substituta de uma alimentação variada, mas como complemento nos casos em que a deficiência é comprovada ou quando as condições para seu surgimento são favoráveis. Vitamina D nos meses de inverno, ácidos graxos ômega-3 se a criança não come peixe, iodo se a família não usa sal iodado – essas são situações em que a suplementação faz sentido e é respaldada por recomendações especializadas. Antes de iniciar qualquer suplementação, é claro que é aconselhável consultar o pediatra, idealmente com base em exames de sangue.

O quarto passo, e talvez o mais subestimado, é estar atento aos sinais que a criança emite. Fadiga crônica, doenças frequentes, sono ruim, oscilações de humor, dificuldades de concentração, crescimento lento – tudo isso pode ser sintoma de deficiências de micronutrientes que facilmente passam despercebidas ou são atribuídas a outras causas. Os pais que percebem esses padrões e não se contentam com a resposta "vai passar" fazem mais pela saúde de seus filhos do que aqueles que confiam apenas em um prato visualmente colorido.

O fato de que uma criança "come bem" é, portanto, apenas o começo da resposta à pergunta sobre se ela está recebendo tudo o que precisa. A nutrição moderna é mais complexa do que parece, e a lacuna entre o que a criança ingere e o que seu organismo realmente utiliza pode ser surpreendentemente grande. Prestar atenção a isso – sem histeria, mas com genuíno interesse – é uma das coisas mais valiosas que um pai ou uma mãe pode fazer pelo desenvolvimento saudável de seu filho.

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