Qualidade do sono é mais importante do que a duração
Toda a gente conhece a situação. O despertador toca depois de oito horas na cama, mas o corpo sente-se como se tivesse dormido apenas quatro. O café ajuda apenas por um momento, a concentração desmorona-se já durante a manhã e o cansaço regressa em ondas ao longo de todo o dia. No entanto, "as tais oito horas" foram cumpridas – então, onde está o problema? A resposta esconde-se num conceito de que se fala cada vez mais, mas que poucos realmente compreendem: higiene do sono para adultos. E é precisamente ela que mostra por que razão oito horas na cama estão longe de ser suficientes quando o próprio sono é de má qualidade.
A ciência moderna do sono avançou tanto nas últimas duas décadas que hoje já conseguimos identificar com precisão o que distingue uma noite revigorante daquela após a qual a pessoa acorda exausta. Não se trata de rituais misteriosos nem de tecnologias caras. Trata-se de um conjunto de hábitos, condições e decisões que acontecem muito antes de a cabeça pousar na almofada – e por vezes até durante a noite, sem que tenhamos consciência disso. É precisamente a qualidade, e não a mera duração do sono, que determina como nos sentimos no dia seguinte, quão eficiente é o nosso cérebro e quão bem funciona o sistema imunitário.
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Por que razão a duração do sono, por si só, não diz nada sobre a sua qualidade
A ideia de que basta "ficar deitado" as sete a nove horas recomendadas está profundamente enraizada. As recomendações da Fundação Nacional Americana para o Sono (National Sleep Foundation) indicam efetivamente sete a nove horas como o intervalo adequado para adultos entre os 18 e os 64 anos. Contudo, a própria organização sublinha simultaneamente que o número no relógio é apenas uma peça do puzzle. Se a pessoa, durante a noite, passa pelos ciclos de sono de forma desigual, acorda frequentemente ou passa demasiado tempo nas fases leves do sono, o efeito resultante nem de longe se aproxima daquilo que oito horas de descanso de qualidade conseguiriam proporcionar.
O sono é composto por várias fases que se repetem durante a noite em ciclos com a duração aproximada de noventa minutos. Duas são particularmente fundamentais: o sono profundo (a chamada fase N3) e o sono REM, ou seja, a fase de movimentos oculares rápidos. O sono profundo é responsável pela regeneração física – durante esta fase, os tecidos são reparados, a imunidade é fortalecida e são libertadas hormonas de crescimento. O sono REM, por sua vez, desempenha um papel essencial na consolidação da memória, na regulação emocional e no pensamento criativo. Se a pessoa está deitada na cama durante oito horas, mas o seu sono é fragmentado, superficial ou perturbado por fatores externos, o corpo simplesmente não tem tempo suficiente para passar por um número adequado destes ciclos profundos e REM. O resultado é cansaço, irritabilidade e a sensação de que a noite, na verdade, não serviu para nada.
Um bom exemplo do quotidiano é uma situação vivida por um número surpreendentemente elevado de pessoas: o pai ou a mãe de uma criança pequena que tecnicamente "dorme" das dez da noite às seis da manhã, mas que durante a noite acorda três ou quatro vezes. Embora o tempo total passado na cama corresponda à norma, a qualidade do sono está dramaticamente reduzida. Um efeito semelhante tem, por exemplo, dormir num ambiente ruidoso, num quarto sobreaquecido ou com o ecrã do telemóvel iluminado na mesinha de cabeceira. O corpo descansa formalmente, mas o cérebro nunca tem a oportunidade de mergulhar suficientemente fundo.
É interessante notar que uma investigação publicada na revista Sleep em 2017 demonstrou que a perceção subjetiva da qualidade do sono se correlaciona com os resultados de saúde frequentemente de forma mais forte do que a mera duração do sono. Por outras palavras, uma pessoa que dorme seis horas e meia com qualidade pode estar melhor do que alguém que passa nove horas na cama, mas dorme de forma agitada. Isto, naturalmente, não significa que devamos encurtar voluntariamente o tempo de sono – significa que devemos interessar-nos com a mesma intensidade por como dormimos, e não apenas por quanto tempo.
E é precisamente aqui que entra em jogo a higiene do sono. Não se trata de um conceito da moda nem de um truque de marketing dos fabricantes de colchões. É um termo abrangente para um conjunto de recomendações que resultam de décadas de investigação em medicina do sono e que comprovadamente melhoram a qualidade do descanso noturno. Algumas delas são surpreendentemente simples, outras exigem uma mudança de hábitos enraizados, mas todas têm algo em comum: funcionam.
Um dos fatores mais frequentemente subestimados é a exposição à luz. O corpo humano regula o seu ritmo circadiano – o relógio biológico interno – principalmente com base na luz. A luz azul emitida pelos ecrãs de telemóveis, tablets e computadores suprime a produção de melatonina, a hormona que sinaliza ao cérebro que é hora de dormir. Estudos da Universidade de Harvard confirmaram que mesmo uma exposição relativamente curta à luz azul nas horas tardias da noite consegue atrasar o início do sono em dezenas de minutos e reduzir a proporção da fase REM. O impacto prático? A pessoa adormece mais tarde, dorme de forma mais superficial e acorda de manhã menos descansada – apesar de ter passado "tempo suficiente" na cama. A solução não precisa de ser radical. Basta pousar o telemóvel uma hora antes de dormir, diminuir a iluminação em casa ou usar óculos que filtram a luz azul. Pequenos passos, grande diferença.
Outro aspeto frequentemente ignorado é a temperatura do quarto. O corpo humano necessita de um ambiente ligeiramente mais fresco para um sono de qualidade, idealmente por volta dos 16 a 18 graus Celsius. Quando a temperatura do quarto é demasiado elevada, o corpo não consegue arrefecer suficientemente, o que perturba sobretudo o sono profundo. Muitas pessoas habituaram-se a dormir em quartos sobreaquecidos sem se aperceberem de que pode ser precisamente essa a causa do seu cansaço matinal. Como observou o investigador do sono Matthew Walker no seu livro Why We Sleep (Porque Dormimos): "É sempre mais fácil adormecer num quarto fresco do que num quarto quente." Este conselho aparentemente banal tem, na verdade, o apoio de dados científicos robustos.
Igualmente importante é a regularidade. O ritmo circadiano funciona melhor quando tem âncoras estáveis – ou seja, quando a pessoa se deita e se levanta aproximadamente à mesma hora, incluindo aos fins de semana. O fenómeno do chamado "jet lag social", em que a pessoa se desloca duas a três horas ao fim de semana em relação à semana de trabalho, tem no organismo um efeito semelhante ao de um voo através de vários fusos horários. O corpo não consegue reajustar o seu relógio interno a tempo, e o resultado é uma dessincronização crónica que se manifesta através de cansaço, deterioração do humor e redução do desempenho cognitivo mesmo nos dias úteis.
A higiene do sono como investimento na saúde global
Quando se fala em "estilo de vida saudável", a maioria das pessoas pensa em exercício físico e alimentação. O sono costuma ficar em terceiro lugar, embora seja no mínimo igualmente importante – e, segundo alguns especialistas, até mais importante. O sono cronicamente de má qualidade está, de facto, associado a uma vasta gama de problemas de saúde graves: desde o aumento do risco de doenças cardiovasculares, passando pela obesidade e diabetes tipo 2, até à depressão e perturbações de ansiedade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou mesmo a classificar o trabalho por turnos noturnos como provável carcinogéneo, entre outras razões, precisamente devido à perturbação do ritmo natural do sono.
Aquilo de que muitos não se apercebem é a natureza cumulativa da dívida de sono. Uma noite má pode ser recuperada com relativa facilidade. Mas semanas e meses de sono de má qualidade criam um défice que não pode ser apagado com um fim de semana a "dormir até tarde". As investigações mostram que a dívida de sono crónica afeta o metabolismo, reduz a sensibilidade à insulina e aumenta os níveis da hormona do stress, o cortisol. Tudo isto acontece silenciosamente, sem sintomas dramáticos, mas com consequências a longo prazo que podem manifestar-se apenas passados anos.
É precisamente por isso que faz sentido encarar a higiene do sono como um investimento e não como um luxo. E a boa notícia é que a maioria das medidas não exige qualquer despesa financeira. Basta começar pelo básico: criar no quarto um ambiente escuro, silencioso e fresco. Limitar a cafeína depois das duas da tarde – a cafeína tem uma meia-vida de cerca de cinco a seis horas, pelo que um café à tarde pode estar a afetar o sono ainda às onze da noite. Evitar o álcool imediatamente antes de dormir – embora o álcool ajude a adormecer mais rapidamente, perturba significativamente o sono REM e causa fragmentação do sono na segunda metade da noite. E, acima de tudo: construir uma rotina noturna consistente que sinalize ao corpo que se aproxima a hora de descansar.
Há quem leia, quem faça alongamentos suaves de ioga, quem tome um duche quente – a forma concreta do ritual é menos importante do que a sua regularidade. O cérebro é extraordinariamente sensível a padrões e repetições, e se todas as noites recebe a mesma sequência de sinais, aprende a mudar mais rapidamente para o modo de sono. Este princípio, aliás, é bem conhecido dos pais de crianças pequenas, que cumprem cuidadosamente os rituais noturnos – banho, história, canção de embalar. Nos adultos funciona exatamente o mesmo mecanismo, apenas se fala menos dele.
Vale também a pena mencionar o papel da atividade física. O exercício regular melhora comprovadamente a qualidade do sono, em particular o sono profundo. Um estudo publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine concluiu que as pessoas que praticam exercício regularmente adormecem mais rapidamente e dormem mais profundamente do que aquelas que levam um estilo de vida sedentário. No entanto, o momento é importante – o exercício intenso imediatamente antes de dormir pode ter, paradoxalmente, o efeito contrário, pois aumenta a temperatura corporal e os níveis de adrenalina. O ideal é terminar a atividade física mais exigente pelo menos três horas antes da hora prevista para adormecer.
Não se pode deixar de referir também o estado psicológico. O stress e a ansiedade estão entre as causas mais frequentes de sono de má qualidade nos adultos. Uma mente que, na cama, se ocupa com problemas de trabalho, preocupações financeiras ou conflitos interpessoais simplesmente não consegue mudar para o modo de descanso. Técnicas como escrever um diário, meditar ou simplesmente "descarregar" as preocupações num papel antes de dormir podem ajudar significativamente. Não se trata de resolver os problemas – trata-se de dar ao cérebro o sinal de que não precisa de se ocupar deles agora, que haverá tempo para isso de manhã.
No conjunto, a higiene do sono não é nenhuma ciência de foguetões. É um conjunto de hábitos sensatos, com base científica, que respeitam a forma como o corpo e o cérebro humanos realmente funcionam. Numa época em que tanto se fala de biohacking, otimização do desempenho e estilo de vida saudável, é paradoxal a pouca atenção que dedicamos ao mais básico – o sono de qualidade. No entanto, é precisamente ele a base sobre a qual assenta tudo o resto: energia, humor, imunidade, produtividade e longevidade. Oito horas na cama são um bom começo. Mas só quando essas oito horas se transformam num sono verdadeiramente profundo, ininterrupto e regenerador é que o corpo recebe aquilo de que realmente precisa.