Como armazenar corretamente os alimentos e não desperdiçar
Todos os anos, nas casas checas, acabam no lixo alimentos no valor de dezenas de milhares de milhões de coroas. Segundo dados da organização STEM/MARK para o Banco Alimentar, o lar checo médio deita fora cerca de 80 quilogramas de comida por ano. É um número que deveria fazer parar qualquer pessoa que abre o frigorífico e se pergunta o que fazer com aquela alface murcha ou o pão a endurecer. No entanto, grande parte deste desperdício nada tem a ver com o facto de comprarmos demasiado. O problema reside frequentemente em como armazenamos os alimentos – ou melhor, em como os armazenamos mal.
O armazenamento correto de alimentos não é nenhuma ciência reservada apenas a chefes de cozinha profissionais ou donos de restaurantes. É uma competência quotidiana simples que poupa dinheiro, reduz a pegada ecológica e, além disso, ajuda a manter a comida fresca e saborosa durante muito mais tempo do que esperaríamos. Basta compreender alguns princípios básicos e mudar alguns hábitos aos quais nos habituámos sem nunca os questionar.
Tomemos um exemplo banal: os tomates. A maioria das pessoas coloca-os automaticamente no frigorífico, porque – bem, onde mais os poriam? Acontece que os tomates no frio perdem sabor e textura. As suas paredes celulares danificam-se a temperaturas abaixo dos 12 °C, e o resultado é um tomate aguado e insípido que ninguém quer comer e que acaba por ir para o lixo. Basta deixá-los à temperatura ambiente, idealmente com o pedúnculo para baixo, e mantêm-se maravilhosamente aromáticos durante vários dias. Este pequeno detalhe ilustra algo essencial: o armazenamento incorreto priva-nos da qualidade da comida antes mesmo de nos privar da própria comida.
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O frigorífico não é uma solução universal
Existe um mito profundamente enraizado de que o frigorífico é o melhor lugar para todos os alimentos. Na realidade, é um pouco mais complicado. O frigorífico é excelente para lacticínios, carne, refeições prontas e a maioria dos legumes, mas definitivamente não para tudo. Cebolas, alho, batatas, abacate (se ainda não estiver maduro), bananas, mel ou azeite – tudo isto pertence fora do frigorífico. As batatas no frio convertem o amido em açúcar, o que afeta o seu sabor e consistência ao cozinhar. As cebolas no ambiente húmido do frigorífico amolecem e começam a criar bolor muito mais rapidamente do que numa despensa seca e escura.
Já que falamos do frigorífico, a sua organização desempenha um papel fundamental. Não se trata apenas do que lá colocamos, mas de onde o colocamos. As prateleiras superiores têm geralmente uma temperatura mais estável e são adequadas para refeições prontas, bebidas ou iogurtes. As prateleiras do meio são ideais para lacticínios e ovos. As prateleiras inferiores, onde faz mais frio, destinam-se a carne crua e peixe – além disso, eventuais gotas não contaminam os restantes alimentos. As gavetas para legumes são concebidas para manter uma humidade mais elevada, e por isso é aí que devem estar as verduras de folha, cenouras, pimentos ou pepinos.
Um dos erros mais comuns que as pessoas cometem é sobrecarregar o frigorífico. Quando o frigorífico está cheio até rebentar, o ar não consegue circular livremente, a temperatura distribui-se de forma desigual e alguns alimentos estragam-se mais depressa, enquanto outros podem até congelar junto à parede traseira. Menos é, neste caso, verdadeiramente mais. Uma revisão regular do que está no frigorífico ajuda ainda a não planear compras às cegas e a prevenir situações em que se descobre lá atrás um copo esquecido de natas azedas com data de validade do mês passado.
A propósito, já que falamos de datas de validade – é importante distinguir entre a indicação "consumir até" e "consumir de preferência antes de". Como explica a Inspeção Estatal Agrícola e Alimentar, "consumir até" é uma data vinculativa, após a qual o alimento não deve ser consumido, pois pode representar um risco para a saúde. Isto aplica-se sobretudo a produtos perecíveis como carne fresca, peixe ou leite fresco. Por outro lado, "consumir de preferência antes de" significa que o fabricante garante a qualidade ótima até à data indicada, mas o alimento pode estar perfeitamente em condições mesmo depois dela. Um iogurte com a data de durabilidade mínima ultrapassada em dois dias não é automaticamente para deitar fora – basta cheirá-lo, prová-lo e avaliá-lo com bom senso. É precisamente a confusão entre estes dois conceitos que constitui uma das maiores razões do desperdício desnecessário de comida nos lares.
Passando das temperaturas frias para as temperaturas ambiente, vale a pena prestar atenção ao armazenamento correto de alimentos secos. Farinha, arroz, massa, leguminosas, frutos secos, fruta desidratada – tudo isto tem o seu lugar na cozinha, mas não descuidadamente aberto no saco de papel original. A humidade, a luz e o ar são os três principais inimigos da durabilidade dos alimentos secos. Transferi-los para recipientes herméticos – idealmente de vidro, porque não absorvem odores e são fáceis de limpar – prolonga a vida útil da farinha em vários meses. Os frutos secos e as sementes, que contêm muita gordura e rançam facilmente, duram significativamente mais no frigorífico ou até no congelador.
E é precisamente o congelador que é um instrumento que muitos lares ainda não aproveitam plenamente. Pode congelar-se praticamente tudo – desde pão fatiado, passando por legumes branqueados, até refeições prontas, caldos ou ervas aromáticas cobertas com azeite em formas de gelo. A congelação é, aliás, uma das formas mais suaves de conservação, porque, ao contrário do processamento térmico, preserva a maioria das vitaminas e nutrientes. A chave está na embalagem correta: os alimentos devem ser armazenados em sacos ou recipientes com o mínimo de ar possível, para evitar a queimadura do congelador, que embora não seja prejudicial à saúde, deteriora o sabor e a textura.
Hábitos práticos que mudam o jogo
Imaginemos uma situação concreta. A senhora Novotná, mãe de dois filhos em idade escolar de Brno, calculou um dia quanto alimento a sua família deitava fora por semana. O resultado chocou-a: aproximadamente dois quilogramas por semana, na sua maioria legumes, fruta e pão. Decidiu mudar de abordagem. Começou a planear a ementa para a semana com antecedência, a comprar segundo uma lista e a organizar o frigorífico de forma mais rigorosa segundo o princípio "primeiro a entrar, primeiro a sair" – ou seja, os alimentos mais recentes para trás e os mais antigos para a frente. O pão que a família não conseguia comer em dois dias começou a fatiar e a congelar. Os legumes murchos deixou de deitar fora e em vez disso começou a transformá-los em sopas e molhos. Em três meses, a quantidade de comida desperdiçada reduziu-se em mais de metade, e o orçamento familiar para alimentação diminuiu cerca de quinze por cento.
Esta história não é excecional. Mostra que a mudança de hábitos não requer nenhum equipamento especial nem grandes investimentos – apenas um pouco de atenção e vontade de pensar no que fazemos com a comida depois de a trazermos da loja.
Um dos hábitos mais eficazes é o chamado "mise en place" do frigorífico – ou seja, uma revisão regular, idealmente semanal, do seu conteúdo. Todos os domingos ou no dia anterior a uma grande compra, vale a pena tirar tudo o que se aproxima do fim da validade e planear com isso um jantar ou almoço para o dia seguinte. Esta abordagem não só poupa comida, como também inspira uma cozinha mais criativa – porque a necessidade de aproveitar restos leva frequentemente a combinações surpreendentemente boas que de outra forma nunca nos ocorreriam.
Outra dica prática é o armazenamento correto de ervas aromáticas. A salsa fresca, o endro ou o manjericão duram no frigorífico apenas alguns dias se simplesmente os atirarmos para a gaveta. Mas basta colocá-los num copo com um pouco de água, cobri-los levemente com um saco de plástico e guardá-los no frigorífico – e duram uma semana ou mais. Um truque semelhante funciona com espargos ou cebolinho. São pormenores, mas no conjunto fazem uma diferença enorme.
Vale a pena mencionar também o papel da embalagem correta. Os queijos não devem ser armazenados em película aderente, que os sufoca e acelera a formação de bolor, mas idealmente em papel encerado ou sacos especiais que permitem a passagem da humidade. As conservas abertas não devem ficar na lata – alimentos ácidos como os tomates reagem com o metal e adquirem um sabor desagradável. Basta transferir o conteúdo para um recipiente de vidro ou cerâmica.
Como disse o famoso chef e ativista contra o desperdício alimentar Dan Barber: "O desperdício de comida não é apenas um problema de comida. É um problema de design – do design dos nossos hábitos, das nossas cozinhas e do nosso pensamento." E é exatamente disso que trata o armazenamento correto. Não se trata de perfeição, não se trata de nos tornarmos organizadores obsessivos da cozinha. Trata-se de uma abordagem consciente ao que temos e de respeito pelos alimentos que merecem ser comidos, não deitados fora.
A dimensão ecológica de tudo isto não pode ser ignorada. Segundo a ONU (UNEP Food Waste Index), a nível mundial são deitadas fora anualmente cerca de mil milhões de toneladas de comida, o que representa aproximadamente oito a dez por cento das emissões globais de gases com efeito de estufa. Cada maçã que apodrece no lixo em vez de no prato carrega consigo uma pegada hídrica, energia gasta no cultivo, colheita, transporte e refrigeração. Ao armazenarmos os alimentos de forma a durarem mais, não estamos apenas a fazer um gesto em direção à nossa carteira – estamos a dar um passo real rumo a um modo de vida mais sustentável.
É precisamente por isso que faz sentido pensar no armazenamento de alimentos não como uma aborrecida tarefa doméstica, mas como uma das formas mais simples de viver de forma mais responsável. Não é preciso mudar tudo de uma vez. Basta começar com um passo – por exemplo, esta noite tirar os tomates do frigorífico para a bancada da cozinha e reparar como saberão diferente amanhã. E depois talvez acrescentar outro passo, e mais outro. Porque cada alimento que acaba no prato em vez de no lixo é uma pequena vitória – para nós, para a nossa família e para o planeta.