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# Por que as mulheres ficam em silêncio sobre a incontinência e como resolvê-la

Existem temas sobre os quais se fala em voz baixa, quando se fala. A incontinência feminina é um deles. Apesar de ser uma condição que, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, afeta até um terço das mulheres ao longo da vida, permanece envolta em silêncio, vergonha e tabus desnecessários. As mulheres compram absorventes, adaptam a roupa, limitam as saídas e evitam situações onde "isso possa acontecer" – e ainda assim não contam o seu problema nem à amiga mais próxima, nem ao ginecologista. Por que isso acontece e o que pode ser feito a respeito são questões que merecem uma resposta aberta e objetiva.

O silêncio em torno da incontinência não é acidental. Crescemos numa cultura onde o controlo corporal está associado à dignidade e à maturidade, e a perda desse controlo – mesmo que parcial – evoca fraqueza ou velhice. Mas a incontinência não tem idade. Afeta atletas de vinte anos após o parto, mulheres de quarenta anos na menopausa e senhoras mais velhas que levaram uma vida ativa a vida toda. É uma condição fisiológica, não um fracasso. E é exatamente assim que se deveria falar sobre ela.


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O que acontece no corpo

Para compreender a incontinência, é útil saber o que a causa. O tipo mais comum é a incontinência de esforço, na qual ocorre perda de urina durante atividade física – ao tossir, rir, saltar ou correr. Os músculos do pavimento pélvico, que mantêm a bexiga no lugar e garantem o encerramento da uretra, estão enfraquecidos ou danificados. A segunda forma mais comum é a incontinência de urgência, em que a mulher sente uma vontade súbita e incontrolável de ir à casa de banho e não consegue chegar a tempo. Por vezes ambas as formas se combinam – falamos então de incontinência mista.

As causas são variadas. A gravidez e o parto estão entre as mais frequentes, pois o pavimento pélvico suporta uma carga enorme durante a gravidez e pode ser lesado durante o parto vaginal. A menopausa também desempenha um papel fundamental – a queda dos níveis de estrogénio faz com que os tecidos da região pélvica e do trato urinário percam elasticidade e firmeza. A obstipação crónica, a obesidade, as infeções urinárias de repetição ou alguns medicamentos também contribuem. É importante saber que a incontinência não é uma consequência inevitável do envelhecimento – é uma condição com causas e que pode ser tratada.

Imaginemos Markéta, uma professora de quarenta e quatro anos, mãe de dois filhos. Após o segundo parto, reparou que ao saltar no trampolim com os filhos ou ao tossir sentia uma ligeira perda de urina. No início desvalorizou o problema, deixou de ir às aulas de aeróbica, adaptou a escolha da roupa e começou a usar absorventes todos os dias. Demorou três anos até mencionar o assunto ao ginecologista – e só porque a médica perguntou por iniciativa própria. Markéta pensava que era "normal após ter filhos". Não estava sozinha. Há milhares de histórias como esta.

É precisamente esta normalização que constitui um dos maiores problemas. As mulheres dizem a si próprias que "é assim mesmo", que "todas as mães têm isso" ou que "vem com a idade". Mas ao fazê-lo, adiam uma solução que, em muitos casos, é surpreendentemente acessível e eficaz.

Como tratar a incontinência – do exercício às ajudas técnicas modernas

A boa notícia é que existem realmente muitas formas de tratar ou reduzir significativamente a incontinência. Depende do tipo, da gravidade e das circunstâncias individuais de cada mulher, mas na grande maioria dos casos existe um caminho que leva a uma melhor qualidade de vida.

O primeiro passo que os médicos recomendam quase sempre é o fortalecimento do pavimento pélvico. Os exercícios de Kegel – contração e relaxamento rítmicos dos músculos do pavimento pélvico – são um método simples, mas muito eficaz, quando realizados corretamente e com regularidade. O problema é que muitas mulheres fazem os exercícios de forma incorreta, porque o pavimento pélvico é um grupo muscular que não se pode ver nem sentir facilmente. Por isso, o ideal é começar com uma fisioterapeuta experiente especializada em pavimento pélvico, que através de biofeedback ou avaliação manual verifique se a mulher está realmente a ativar os músculos corretamente. Os resultados não são imediatos – normalmente são necessárias oito a doze semanas de exercício regular para que se note uma melhoria significativa – mas estudos publicados, por exemplo, na revista Neurourology and Urodynamics confirmam que o exercício do pavimento pélvico é um dos métodos conservadores de tratamento mais eficazes para a incontinência de esforço.

Para além do exercício, a modificação do estilo de vida também desempenha um papel importante. A redução do peso corporal em mulheres com excesso de peso pode diminuir significativamente a pressão sobre o pavimento pélvico e, consequentemente, a frequência das perdas. Reduzir a cafeína e o álcool, que irritam a bexiga, pode ajudar na incontinência de urgência. A hidratação adequada também é importante – paradoxalmente, a restrição de líquidos a que as mulheres com incontinência frequentemente recorrem agrava a situação, porque a urina fica mais concentrada e irrita mais a bexiga.

Quando as abordagens conservadoras não são suficientes, existem opções médicas. Para a incontinência de urgência, os medicamentos antimuscarínicos ou os agonistas beta-3 têm mostrado eficácia, reduzindo a hipersensibilidade da bexiga. Em alguns casos utiliza-se toxina botulínica aplicada diretamente na parede da bexiga, ou o método de estimulação do nervo tibial – estimulação de um nervo na região do tornozelo que influencia o controlo nervoso da bexiga. Para casos mais graves de incontinência de esforço, existem intervenções cirúrgicas, como o TVT (tension-free vaginal tape), com elevadas taxas de sucesso.

Um capítulo à parte são as ajudas técnicas modernas para incontinência, que sofreram uma transformação significativa nos últimos anos. Enquanto antes dominavam os absorventes descartáveis e as fraldas, hoje existem cuecas de incontinência em tecido, absorventes reutilizáveis ou cuecas menstruais com camada absorvente, que também são adequadas para incontinência ligeira. Estes produtos são não só mais ecológicos e económicos, como também mais discretos e confortáveis – parecem roupa interior normal e a mulher sente-se normal com eles, não como uma paciente. Esta solução, naturalmente, não trata a causa, mas melhora significativamente o conforto diário e dá às mulheres liberdade de movimento sem medo de situações embaraçosas.

Existe também o pessário vaginal – um dispositivo de silicone introduzido na vagina que suporta mecanicamente o pavimento pélvico e pode reduzir significativamente as perdas durante o esforço. É uma solução discreta, eficaz e reversível, que em alguns países é amplamente utilizada, mas que em Portugal ainda é pouco conhecida.

Como disse a fisioterapeuta e especialista em pavimento pélvico Markéta Krhutová numa entrevista para um portal especializado: "As mulheres chegam resignadas, a suportar a situação. Mas a incontinência não é uma cruz que se deve carregar – é uma condição com a qual se pode trabalhar."

Por que é importante deixar de guardar silêncio

O silêncio em torno da incontinência tem consequências concretas. As mulheres que não tratam a sua condição limitam a atividade física – e assim contribuem paradoxalmente para o enfraquecimento adicional do pavimento pélvico e da saúde em geral. Evitam situações sociais, sofrem de ansiedade e, em casos mais graves, também de depressão. Uma investigação publicada no International Journal of Environmental Research and Public Health mostrou que a incontinência reduz significativamente a qualidade de vida e está associada a maior isolamento social e sofrimento psicológico.

E no entanto, basta uma conversa honesta com um médico ou fisioterapeuta para que as coisas comecem a mudar. Os ginecologistas e urologistas estão preparados para estes temas – para eles é uma parte do trabalho quotidiano, não uma exceção embaraçosa. A vergonha é desnecessária e o tratamento é mais acessível do que a maioria das mulheres imagina.

A sensibilização e a partilha aberta de experiências também podem desempenhar um papel importante. Quando uma mulher diz em voz alta que tem incontinência e que está a tratar, dá às outras permissão para fazerem o mesmo. Comunidades nas redes sociais, grupos de apoio ou simplesmente uma conversa aberta com uma amiga podem ser o primeiro passo para que uma mulher descubra que não se trata de um destino, mas de uma condição com a qual se pode fazer algo.

Outro aspeto importante é a prevenção. O cuidado com o pavimento pélvico idealmente não deveria começar apenas com as primeiras perdas de urina, mas muito antes – na gravidez, após o parto, mas também tranquilamente aos trinta anos como parte dos cuidados gerais de saúde. Tal como vamos ao dentista preventivamente, a visita a uma fisioterapeuta especializada em pavimento pélvico poderia fazer parte dos cuidados de saúde femininos de rotina. Em alguns países, como a França, a fisioterapia do pavimento pélvico após o parto é inclusivamente comparticipada pelo seguro de saúde como parte integrante dos cuidados pós-parto. Portugal ainda aguarda esta abordagem, mas a consciência da sua importância está gradualmente a crescer.

A incontinência feminina é prevalente, tratável e desnecessariamente tabuizada. Cada mulher que leia este texto e se reconheça nele deve saber que não está sozinha e que existem passos concretos que pode dar – seja fazer exercícios do pavimento pélvico em casa, visitar uma fisioterapeuta, conversar com o ginecologista ou adquirir roupa interior confortável e ecológica que lhe devolva a sensação de segurança. A qualidade de vida é importante. E todas as mulheres merecem-na – independentemente da idade, do número de partos ou do quanto se envergonham de falar sobre o seu corpo.

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