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# O que é o café adaptogênico e por que as pessoas o bebem Adaptogeny são přírodní látky, které pom

Manhã começa para a maioria de nós com um ritual tão profundamente enraizado que nem sequer nos apercebemos dele. Uma chávena de café, o aroma de uma mistura recém-moída, o primeiro gole que parece arrancar o dia inteiro. Mas nos últimos anos, algo novo tem-se infiltrado nesta sagrada cerimónia matinal — bebidas que combinam a cafeína tradicional com extratos de cogumelos, adaptógenos e ervas. Chamam-se café adaptogénico ou mushroom latte e no mundo do estilo de vida saudável estão a causar literalmente uma revolução. Mas o que está realmente por detrás disto? Trata-se de uma jogada de marketing bem calculada, ou de uma verdadeira mudança na forma como pensamos sobre nutrição e energia quotidianas?

A resposta não é tão simples como poderia parecer — e é precisamente por isso que vale a pena debruçarmo-nos seriamente sobre este tema.


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O que é afinal o café adaptogénico e de onde vem?

O café adaptogénico não é café no sentido tradicional do termo. Trata-se de uma bebida que ou substitui completamente o café clássico, ou o complementa com ingredientes chamados adaptógenos — substâncias naturais, maioritariamente de origem vegetal ou fúngica, que segundo a medicina tradicional ajudam o organismo a lidar melhor com o stress e a manter o equilíbrio. O termo adaptógeno foi utilizado pela primeira vez pelo cientista soviético Nikolai Lazarev em 1947, quando descrevia substâncias capazes de aumentar a resistência inespecífica do organismo a influências adversas. Hoje, este termo abrange dezenas de plantas e cogumelos — desde o ginseng e a ashwagandha até ao reishi, chaga ou juba-de-leão.

O mushroom latte, ou latte de cogumelos, é uma variante específica desta tendência. Trata-se de uma bebida quente preparada a partir de pó ou extrato de cogumelos, misturado com leite vegetal, eventualmente com uma pequena quantidade de café ou mesmo sem ele. À primeira vista pode parecer surpreendente — cogumelos no café? Mas olhando mais de perto, esta combinação faz surpreendentemente bom sentido, não apenas do ponto de vista do sabor, mas sobretudo das propriedades funcionais destes ingredientes.

Esta tendência não surgiu no vácuo. Cresce a partir de uma longa tradição da medicina tradicional chinesa e do ayurveda, onde cogumelos como o reishi ou o cordyceps eram utilizados há milhares de anos — não como alimento, mas como medicina. O interesse moderno por estes ingredientes foi impulsionado sobretudo pelos países nórdicos, onde a colheita e o consumo de cogumelos silvestres estão profundamente enraizados culturalmente, e pelo Silicon Valley, onde o biohacking e a otimização do desempenho se tornaram quase um desporto. Hoje, as bebidas adaptogénicas estão disponíveis em todo o mundo e a sua popularidade está a crescer rapidamente.

Tomemos um exemplo concreto: uma designer gráfica de trinta anos de Lisboa começou há um ano a substituir o seu terceiro café diário por um mushroom latte com juba-de-leão. Não o fez porque acreditasse em milagres, mas simplesmente porque sofria de uma quebra de energia à tarde e de insónias. Após algumas semanas, notou que se concentrava melhor e que à noite conseguia adormecer mais rapidamente. Claro, trata-se de uma história subjetiva — mas experiências semelhantes têm-se acumulado aos milhares nos últimos anos.

Os cogumelos que mudam o jogo: o que diz a ciência sobre os seus efeitos

Não se trata apenas de efeito placebo e de uma vaga na moda. Nos últimos vinte anos, acumulou-se uma surpreendente quantidade de estudos científicos que investigam os cogumelos funcionais e os seus potenciais benefícios para a saúde. Os resultados são promissores, embora seja necessário dizer que muitas investigações ainda se encontram numa fase inicial e a maioria dos estudos foi realizada em animais ou em condições laboratoriais. Ainda assim, é possível retirar algumas conclusões.

A juba-de-leão (Hericium erinaceus) é provavelmente a mais estudada de todo o grupo de cogumelos funcionais. As investigações sugerem que contém compostos chamados hericenonas e erinacinas, que podem estimular a produção do fator de crescimento nervoso (NGF) — uma proteína fundamental para a saúde das células nervosas. Um estudo publicado na revista Biomedical Research demonstrou uma melhoria das funções cognitivas em pessoas mais velhas com comprometimento cognitivo ligeiro após o consumo de extrato de juba-de-leão. Esta é uma descoberta interessante, especialmente numa época em que o interesse na prevenção de doenças neurodegenerativas continua a crescer.

O reishi (Ganoderma lucidum) está tradicionalmente associado ao suporte imunitário e à redução do stress. Contém beta-glucanas e triterpenoides que, de acordo com as investigações disponíveis, têm propriedades imunomoduladoras. É interessante notar que o reishi é ligeiramente amargo e terroso, o que o torna um parceiro natural para o café — os seus sabores complementam-se mutuamente e a bebida resultante tem um perfil mais complexo do que o café por si só.

O chaga (Inonotus obliquus), um cogumelo parasita que cresce maioritariamente em bétulas, é rico em antioxidantes. Segundo algumas investigações, pode ter propriedades anti-inflamatórias e apoiar a saúde intestinal. É curioso que o chaga fosse tradicionalmente consumido precisamente como chá ou como uma bebida semelhante ao café — chegou mesmo a ser bebido na Rússia e na Finlândia em substituição do café em épocas em que a cafeína era escassa.

O cordyceps é particularmente popular entre desportistas e pessoas ativas. A medicina tibetana tradicional utilizava-o para apoiar a resistência e a vitalidade, e a investigação moderna sugere que pode influenciar a forma como o organismo processa o oxigénio. Uma investigação publicada no Journal of Alternative and Complementary Medicine verificou um efeito positivo do cordyceps na capacidade aeróbica em adultos mais velhos.

Como disse uma vez o Dr. Andrew Weil, pioneiro da medicina integrativa: "Os cogumelos são um dos organismos mais subestimados do planeta. Mal começámos a explorar o seu potencial terapêutico."

É, no entanto, importante manter a sobriedade. Os suplementos alimentares, categoria à qual pertencem as preparações adaptogénicas, não estão sujeitos a uma regulamentação tão rigorosa como os medicamentos, e a qualidade dos produtos no mercado varia significativamente. É fundamental escolher produtos de fabricantes de confiança que indiquem o teor de substâncias ativas e possuam certificações de qualidade. Isto é duplamente válido no caso dos cogumelos, onde importa não apenas a espécie, mas também a parte do cogumelo utilizada na extração e o método de processamento.

Os mushroom lattes fazem realmente sentido?

Voltemos à questão original: as bebidas adaptogénicas e os mushroom lattes são apenas uma moda passageira, ou há algo mais por detrás deles? A verdade encontra-se, como habitualmente, algures no meio.

Por um lado, é inegável que o mercado destes produtos atrai também fabricantes que exploram a popularidade da tendência sem oferecer ingredientes verdadeiramente de qualidade. Doses baixas de extratos de cogumelos que não teriam qualquer efeito mensurável são, infelizmente, comuns nos produtos mais baratos. O consumidor que compra um mushroom latte apenas por causa de um rótulo atrativo pode facilmente ficar desapontado.

Por outro lado, existe um grupo crescente de pessoas que consomem estas bebidas de forma ponderada, como parte de uma abordagem mais ampla a um estilo de vida saudável, e as suas experiências são consistentemente positivas. Além disso, a redução da ingestão de cafeína — para a qual as bebidas adaptogénicas conduzem naturalmente — é em si mesma benéfica para a saúde de uma grande parte da população. A Organização Mundial de Saúde e vários especialistas em nutrição alertam que o europeu médio consome cafeína em quantidades que podem afetar negativamente a qualidade do sono e os níveis de cortisol.

O mushroom latte pode, portanto, fazer sentido por várias razões:

  • Como substituto de parte da dose diária de café para quem quer reduzir a ingestão de cafeína sem abdicar completamente do ritual matinal e da sensação de aquecimento
  • Como suplemento funcional para pessoas que querem apoiar a imunidade, as funções cognitivas ou o desempenho desportivo de forma natural
  • Como parte de uma abordagem consciente à nutrição, em que a pessoa pensa não apenas no que come, mas também no que bebe

A preparação de um mushroom latte não é de todo complicada. A base é um extrato de cogumelos de qualidade — preferencialmente de uma fonte certificada — que se mistura com leite vegetal quente, eventualmente com uma pequena quantidade de espresso ou um substituto do café. Podem ainda acrescentar-se especiarias como canela ou cardamomo, mel ou xarope de ácer. O resultado é uma bebida surpreendentemente saborosa com um perfil complexo e terroso, que aquece e sacia.

Para quem quiser mergulhar mais fundo no mundo das bebidas adaptogénicas, é aconselhável começar com um ingrediente específico e dedicar-lhe pelo menos quatro a seis semanas antes de passar para outro. Os adaptógenos geralmente não atuam de imediato — o seu efeito é cumulativo e manifesta-se gradualmente. É precisamente esta característica que os distingue da cafeína, que funciona de forma rápida e de curta duração, enquanto os adaptógenos atuam de forma lenta e sistémica.

O mundo do café adaptogénico e das bebidas de cogumelos é um fascinante ponto de encontro entre tradições milenares e ciência moderna. Não é uma solução milagrosa nem marketing vazio — é um convite a refletir sobre o que colocamos no nosso corpo todos os dias, e se os nossos hábitos servem verdadeiramente a nossa saúde e bem-estar. E essa é uma questão que vale a pena colocar — independentemente do que acabe por ir para a nossa chávena.

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