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Sentir que o corpo de repente "incha", que o anel não gira e que os sapatos parecem ser um número menor – isso é algo que muitas mulheres conhecem muito bem. A retenção de água no corpo é um fenômeno que afeta mulheres de todas as faixas etárias e, embora seja completamente natural, pode ser desconfortável, frustrante e às vezes até doloroso. No entanto, poucas pessoas sabem que por trás deste problema aparentemente banal esconde-se uma complexa interação de hormônios, estilo de vida e ciclo feminino, que merece uma compreensão mais profunda.

A retenção de água, tecnicamente chamada de edema ou retenção de líquidos, ocorre quando o corpo acumula líquido em excesso nos tecidos em vez de eliminá-lo continuamente. O resultado é inchaço, sensação de pernas pesadas, barriga inchada ou rosto inchado ao acordar pela manhã. Embora a retenção de líquidos possa ter causas mais graves, como doenças renais, cardíacas ou da tireoide, na grande maioria dos casos trata-se de uma resposta funcional do organismo a mudanças hormonais, hábitos alimentares ou falta de movimento.


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Como o ciclo feminino influencia a retenção de água

A ligação entre saúde feminina, ciclo e retenção de água é inseparável. As flutuações hormonais que acompanham o ciclo menstrual são um dos gatilhos mais comuns de retenção de líquidos nas mulheres. Dois hormônios desempenham aqui um papel fundamental – estrogênio e progesterona – cujos níveis mudam significativamente ao longo do ciclo.

Na segunda metade do ciclo, ou seja, na fase lútea, que começa após a ovulação e dura aproximadamente até o início da menstruação, os níveis de progesterona aumentam. Este hormônio tem, entre outras coisas, a capacidade de influenciar o equilíbrio de sódio e água no corpo. Logo antes da menstruação, o nível de progesterona cai abruptamente, enquanto o estrogênio pode dominar relativamente – e é justamente esse desequilíbrio hormonal que leva o corpo a reter mais líquidos. Muitas mulheres percebem assim que, na última semana antes da menstruação, seu peso aumentou de um a três quilos, sem que tenham mudado a dieta ou os hábitos de atividade física.

Este fenômeno é tão difundido que recebeu seu próprio nome: retenção de líquidos pré-menstrual. É parte de um espectro mais amplo de sintomas da síndrome pré-menstrual (TPM), que segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde afeta até 75% das mulheres em idade reprodutiva em diferentes graus de intensidade. Sensibilidade mamária, barriga inchada, sensação de peso nas pernas – esses são os sintomas acompanhantes que as mulheres conhecem bem e que geralmente desaparecem com a chegada da menstruação.

É importante saber que essa retenção de água não é um sinal de ganho de gordura nem de falha do corpo. É uma resposta fisiológica natural que tem sua lógica na história evolutiva do organismo humano. O corpo na fase lútea se prepara para uma possível gravidez, e parte dessa preparação inclui uma leve retenção de líquidos. Assim que a fertilização não ocorre e a menstruação chega, o excesso de água é liberado naturalmente pelo corpo.

No entanto, isso não significa que não se possa fazer nada em relação aos sintomas desconfortáveis. Pelo contrário – compreender o ciclo e adaptar o estilo de vida às suas diferentes fases pode reduzir significativamente a intensidade da retenção de líquidos e melhorar de forma geral a saúde e o bem-estar feminino ao longo de todo o mês. É justamente neste princípio que se baseia o conceito de autocuidado cíclico, que nos últimos anos vem ganhando cada vez mais atenção tanto entre especialistas quanto entre as próprias mulheres.

Tomemos como exemplo Catarina, de trinta anos, que trabalha em escritório e sofria há muito tempo de TPM intensa. Todo mês, na última semana antes da menstruação, sentia-se inchada, cansada e irritada. Foi somente quando começou a monitorar seu ciclo e adaptar a alimentação, o exercício e o descanso a ele, que percebeu que os sintomas diminuíram significativamente. "Não acreditei que diferença pode fazer apenas saber em que fase do ciclo você está", descreveu sua experiência. Sua história não é excepcional – é típica de milhares de mulheres que aos poucos descobrem o quanto o ciclo feminino pode ser uma poderosa ferramenta de autoconhecimento.

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O que fazer com a retenção de água: abordagens naturais que funcionam

O erro mais comum que as mulheres cometem com a retenção de água é reduzir a ingestão de líquidos. A lógica parece clara – quanto menos bebo, menos água o corpo vai reter. Mas o oposto é verdadeiro. A ingestão insuficiente de líquidos é percebida pelo corpo como uma ameaça e ele começa a reter água ainda mais intensamente. A hidratação adequada – idealmente com água pura ou chás de ervas – ajuda os rins a trabalhar de forma eficiente e a eliminar o excesso de líquidos.

A composição da dieta também tem uma influência fundamental. O consumo excessivo de sal, ou seja, de sódio, está entre as principais causas de retenção de líquidos independentemente da fase do ciclo. O sódio retém água no corpo e seu excesso faz com que os rins não consigam eliminar o líquido em excesso. Alimentos industrializados, fast food, embutidos, conservas e salgadinhos contêm quantidades enormes de sódio – e seu consumo costuma ser maior no período pré-menstrual, quando as mulheres sofrem de maior desejo por doces e salgados.

Por outro lado, alimentos ricos em potássio ajudam a equilibrar o balanço de sódio e apoiam naturalmente a eliminação do excesso de água. Bananas, abacate, batata-doce, verduras de folha, feijão ou nozes são excelentes fontes de potássio e devem fazer parte regular da dieta, especialmente na segunda metade do ciclo. O magnésio age de forma semelhante, cuja deficiência é muito comum em mulheres com TPM mais intensa – o magnésio ajuda a regular o equilíbrio hormonal e a reduzir inflamações que favorecem a retenção de líquidos. Chocolate amargo, sementes de abóbora, espinafre ou cereais integrais são fontes naturais deste mineral.

O suporte com ervas tem uma longa história na abordagem tradicional à saúde feminina. A urtiga é considerada uma das plantas naturalmente diuréticas mais eficazes – apoia a função renal e ajuda o corpo a se livrar do excesso de água. A cavalinha, o dente-de-leão ou o chá verde agem de forma semelhante. Essas ervas podem ser consumidas na forma de chás ou extratos e sua inclusão regular na dieta pode trazer um alívio perceptível.

O movimento é outro poderoso aliado no combate à retenção de líquidos. A atividade física estimula o sistema linfático, que desempenha um papel fundamental na eliminação do excesso de líquidos dos tecidos. Não precisa ser um treino intenso – uma caminhada rápida, yoga, natação ou alongamento são escolhas absolutamente ideais na fase lútea do ciclo, quando o corpo tem naturalmente menos reservas de energia. Por outro lado, ficar sentada ou em pé por longos períodos piora a retenção de líquidos, pois prejudica a circulação adequada.

Como Hipócrates observou de forma perspicaz: "Que o teu alimento seja o teu remédio e o teu remédio seja o teu alimento." Esse pensamento é válido também no contexto da retenção de água – o que comemos e como vivemos tem um impacto muito maior sobre nosso sistema hormonal e a saúde feminina em geral do que estamos dispostos a admitir.

Vale mencionar também a influência do estresse, que costuma ser negligenciada nas discussões sobre retenção de líquidos. O estresse crônico aumenta os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, que em conjunto com a aldosterona – o hormônio que regula o equilíbrio de sódio e água no corpo – diretamente favorece a retenção de líquidos. Mulheres que estão sob estresse prolongado podem, portanto, sofrer de retenção de água praticamente durante todo o mês, não apenas no período pré-menstrual. Técnicas de gerenciamento do estresse, como meditação, exercícios respiratórios, sono adequado ou tempo na natureza, não são luxos, mas parte do cuidado integral com a saúde feminina.

Vale também mencionar o papel do sono de qualidade. Durante o sono, o corpo regula a secreção hormonal, incluindo os hormônios responsáveis pelo equilíbrio de líquidos. A falta de sono perturba essa regulação e pode contribuir para variações mais acentuadas ao longo do ciclo. Mulheres que dormem menos de sete horas por dia têm estatisticamente sintomas de TPM mais intensos, incluindo retenção de líquidos mais forte.

Se os sintomas de retenção de água persistirem após a menstruação, forem muito intensos ou forem acompanhados de dor, inchaço significativo em um membro ou falta de ar, é sempre indicada a consulta com um médico. Esses sintomas podem indicar um estado de saúde mais grave que requer cuidado especializado. Para a retenção funcional comum de líquidos associada ao ciclo, no entanto, as abordagens naturais – hidratação adequada, dieta equilibrada, movimento, suporte com ervas e cuidado com a saúde mental – representam um caminho seguro e eficaz para aliviar os desconfortos.

O ciclo feminino não é uma fraqueza nem um obstáculo – é um sistema sofisticado que, quando compreendido corretamente, pode servir às mulheres como guia do próprio corpo. A retenção de água é apenas um dos muitos sinais que o corpo envia, e aprender a lê-los é o primeiro passo para que a mulher se sinta bem em sua própria pele – e isso todos os dias do mês, não apenas naquele em que se sente "no auge".

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