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Toda a gente conhece esta sensação. Estão diante de uma porta, do outro lado da qual os espera o primeiro encontro, ou prestes a subir ao palco perante uma sala cheia. E de repente – como se um bando de borboletas tivesse levantado voo no estômago. Esta sensação estranha, ligeiramente desagradável mas ao mesmo tempo emocionante, que é difícil de descrever por palavras, tem uma explicação fisiológica completamente concreta. Não é apenas uma metáfora poética. É uma reação corporal real, que surge nas profundezas do sistema nervoso e chega até aos intestinos.

A sensação de borboletas na barriga é uma das experiências humanas mais universais. Através de culturas, gerações e idiomas, as pessoas descrevem este característico frémito na área do estômago durante uma forte excitação emocional – seja positiva ou negativa. Mas por que razão sentimos fisicamente borboletas na barriga, se afinal se trata de um estado mental? A resposta reside na fascinante fronteira entre neurologia, psicologia e evolução.


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Os intestinos como segundo cérebro

Para compreender o que acontece no corpo durante uma forte excitação, é necessário primeiro perceber como o cérebro e o sistema digestivo estão intimamente ligados. Os cientistas falam do chamado eixo intestino-cérebro (gut-brain axis) – um canal de comunicação bidirecional que liga o sistema nervoso central ao sistema nervoso entérico, ou seja, ao conjunto de nervos que envolve todo o trato digestivo. O sistema nervoso entérico contém aproximadamente 500 milhões de células nervosas, mais do que as que encontramos na medula espinal. É precisamente por isso que os cientistas lhe chamam o "segundo cérebro".

Este segundo cérebro funciona em grande medida de forma autónoma – controla a digestão, o movimento dos intestinos e a produção de várias substâncias sem necessitar de instruções do cérebro. No entanto, está em constante contacto com o cérebro através do nervo vago (nervus vagus), que constitui a principal via de comunicação entre os dois sistemas. Assim, quando o cérebro deteta uma emoção forte – seja medo, excitação ou apaixonamento – envia imediatamente sinais para baixo, para o sistema digestivo. E este reage.

Investigações na área da neurogastroenterologia, como os trabalhos publicados na revista científica Gut, confirmam repetidamente que os estados emocionais têm um impacto direto e mensurável na função do trato digestivo. Não se trata, portanto, de nenhum misticismo – trata-se de pura biologia.

Quando o cérebro avalia uma situação como excitante ou potencialmente ameaçadora, ativa o chamado sistema nervoso simpático – a parte do sistema nervoso autónomo responsável pela resposta de "luta ou fuga" (fight or flight). Esta resposta tem raízes evolutivas profundas no nosso passado. Há muito tempo atrás, quando o nosso antepassado avistava um predador, o corpo precisava de transferir imediatamente a energia para onde era mais necessária – para os músculos, o coração e os pulmões. A digestão não é prioritária nesse momento. E assim o cérebro desvia literalmente o sangue do trato digestivo para outros órgãos.

Esta redução súbita do fluxo sanguíneo nos intestinos é precisamente o que sentimos como aquela característica sensação na barriga. O músculo liso que envolve o estômago e os intestinos reage às alterações da irrigação sanguínea e aos sinais nervosos com contrações e relaxamentos, que percebemos como aquele estranho "frémito" ou "tremor". Alguns cientistas comparam esta sensação à de os intestinos "acordarem" momentaneamente do modo de repouso e começarem a reagir ao mundo exterior.

É interessante notar que a mesma reação ocorre tanto no medo como na excitação alegre – como quando estamos apaixonados ou à espera do resultado de uma competição importante. O cérebro aciona, em ambos os casos, um mecanismo de alarme semelhante. A diferença reside apenas na forma como interpretamos a situação. Como o psicólogo americano William James observou acertadamente no final do século XIX: "Não choramos porque estamos tristes – estamos tristes porque choramos." Por outras palavras, o corpo e a mente estão ligados de forma muito mais estreita do que habitualmente percebemos.

Adrenalina, cortisol e a química da excitação

Por trás da sensação física de borboletas na barriga estão também hormonas concretas. Assim que o cérebro desencadeia a resposta de alarme, as glândulas suprarrenais começam a secretar adrenalina – uma hormona que em segundos transforma todo o corpo. O coração começa a bater mais depressa, os músculos tensionam-se, as pupilas dilatam-se e – precisamente – o fluxo sanguíneo redistribui-se. A adrenalina também influencia diretamente o músculo liso dos intestinos, que começa a funcionar de forma diferente do estado de repouso. O resultado são aquelas características sensações na área do estômago.

Em caso de stress ou tensão prolongados, junta-se também o cortisol, o chamado hormona do stress. Este tem um efeito mais complexo sobre o sistema digestivo – pode abrandar ou, pelo contrário, acelerar a motilidade intestinal, alterar a permeabilidade da parede intestinal e influenciar a composição do microbioma intestinal. É precisamente por isso que as pessoas em stress crónico sofrem tão frequentemente de problemas digestivos – dores abdominais, inchaço ou síndrome do intestino irritável. As borboletas na barriga são, neste sentido, apenas a variante mais leve e mais agradável do que o stress pode fazer aos intestinos.

Tomemos um exemplo da vida real: uma jovem atriz aguarda nos bastidores a sua primeira grande entrada num palco profissional. O coração bate acelerado, as palmas das mãos suam e no estômago sente aquele inconfundível frémito. O seu corpo está nesse momento a produzir adrenalina, que a prepara para o desempenho – aguça a atenção, aumenta a velocidade de reação e mobiliza as reservas de energia. As borboletas na barriga são, neste caso, literalmente um ritual fisiológico de preparação do corpo para um evento importante. Assim que a entrada começa e a concentração se desloca para o próprio desempenho, a sensação normalmente desaparece – a onda de adrenalina acalma e o corpo passa para outro modo.

Fascinante é também o papel da dopamina e da serotonina em todo o processo. A serotonina – o neurotransmissor associado à sensação de bem-estar e felicidade – é produzida em aproximadamente 95% precisamente nos intestinos, e não no cérebro. Assim, quando vivenciamos uma emoção positiva intensa, os intestinos são literalmente inundados por substâncias neuroativas que influenciam o seu funcionamento. Este coquetel bioquímico é mais uma razão pela qual sentimos as emoções tão intensamente de forma física, na área da barriga.

Por que razão borboletas – e o que fazer com essa sensação

A metáfora das borboletas é, aliás, surpreendentemente precisa. As borboletas são leves, imprevisíveis, o seu movimento é rápido e difícil de apreender – tal como aquela sensação na barriga. Diferentes idiomas criaram diferentes imagens para o mesmo fenómeno: os alemães falam de "Schmetterlinge im Bauch" (borboletas na barriga), os ingleses de "butterflies in the stomach", os japoneses de uma sensação como se o estômago se virasse ao contrário. Em todo o mundo, as pessoas recorrem intuitivamente a imagens de movimento e leveza para descrever esta reação corporal.

Compreender o mecanismo por trás desta sensação tem também uma dimensão prática. Muitas pessoas, especialmente as que sofrem de ansiedade social ou de trac, percebem as borboletas na barriga como um inimigo – como um sinal de fraqueza ou de medo incontrolável. No entanto, investigações na área da psicologia desportiva e da psicologia do desempenho mostram que a reinterpretação (reframing) desta sensação pode melhorar significativamente o desempenho. Em vez de "estou nervoso", dizer "estou entusiasmado" – ambas as situações partilham a mesma base fisiológica, mas influenciam o pensamento e o comportamento de forma diferente.

Um estudo da Universidade de Harvard, conduzido pela professora Alison Wood Brooks e publicado no Journal of Experimental Psychology, demonstrou que as pessoas que, antes de um desempenho exigente, disseram "estou entusiasmado" em vez de "estou nervoso", apresentaram resultados objetivamente melhores. O corpo permaneceu no mesmo estado fisiológico – com borboletas na barriga e níveis elevados de adrenalina – mas a mente trabalhou com isso de forma diferente.

Existem naturalmente também formas de reduzir naturalmente a intensidade desta sensação. A respiração profunda e lenta ativa o sistema nervoso parassimpático – o contrapeso do sistema simpático – e ajuda o corpo a transitar do estado de alerta para o estado de calma. Especificamente, a técnica denominada "respiração coerente", em que se inspira durante cinco segundos e se expira durante outros cinco, reduz comprovadamente a frequência cardíaca e acalma o sistema digestivo. De forma semelhante funciona também o relaxamento consciente da tensão muscular na área abdominal – muitas pessoas em estado nervoso contraem involuntariamente os músculos abdominais, o que intensifica ainda mais a sensação desagradável.

O cuidado com o microbioma intestinal também desempenha o seu papel – uma flora intestinal saudável e diversificada contribui para uma melhor regulação das respostas emocionais, precisamente através do eixo intestino-cérebro. Alimentos ricos em probióticos e prebióticos, como produtos fermentados, cereais integrais ou diversos tipos de vegetais, podem contribuir a longo prazo para que os intestinos reajam ao stress de forma menos intensa. É um dos argumentos menos esperados a favor de uma alimentação saudável – comemos não apenas para o corpo, mas em certo sentido também para o equilíbrio emocional.

As borboletas na barriga são, portanto, muito mais do que apenas uma metáfora poética para o apaixonamento ou o nervosismo. São uma prova viva de como as nossas emoções e o nosso corpo estão profundamente interligados, de como mecanismos evolutivos ancestrais continuam a moldar a nossa experiência quotidiana e de como os intestinos – o nosso segundo cérebro – percebem o mundo connosco. Da próxima vez que as sentir, talvez valha a pena parar um momento e percebê-las não como um incómodo, mas como uma fascinante mensagem das profundezas do próprio organismo.

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