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# Por que a digestão piora nas férias e como se ajudar eficazmente

Toda a gente conhece esta situação. Chega às férias dos seus sonhos, instala-se num hotel com tudo incluído, anseia pelo descanso — e em vez disso, no segundo ou terceiro dia, é atacado por barriga inchada, prisão de ventre ou, pelo contrário, diarreia. O humor cai, a estadia junto à piscina complica-se e você pergunta-se por que é que isso acontece precisamente agora. Não está sozinho. A digestão comprometida nas férias é um fenómeno tão generalizado que os médicos lhe chamam "prisão de ventre do viajante" ou, no mundo anglófono, simplesmente traveler's constipation. Mas por que razão acontece isto e o que se pode fazer?

O corpo humano é uma criatura de hábitos. Levantamo-nos aproximadamente à mesma hora, comemos em intervalos semelhantes, movemo-nos em lugares que nos são familiares e o sistema digestivo habitua-se a este ritmo de tal forma que funciona quase como um relógio. Mas assim que embarcamos num avião ou entramos no carro rumo a um destino distante, todo este sistema finamente ajustado recebe um golpe. De repente dormimos de forma diferente, comemos de forma diferente, bebemos água diferente, movemo-nos menos — ou pelo contrário, mais — e o corpo precisa de tempo para se adaptar. Este processo de adaptação manifesta-se de forma mais evidente precisamente no trato digestivo.


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O que perturba a digestão durante as viagens

Um dos maiores culpados é a mudança de fuso horário e a perturbação do ritmo circadiano. As investigações mostram que o microbioma intestinal tem o seu próprio relógio biológico sincronizado com o ritmo do sono e da vigília. Quando atravessamos vários fusos horários, os intestinos ficam numa confusão semelhante à que o nosso cérebro experimenta com o jet lag. Um estudo publicado na revista Cell demonstrou que a perturbação do ritmo circadiano influencia diretamente a composição do microbioma intestinal e pode levar ao seu desequilíbrio, que se manifesta precisamente em problemas digestivos.

Para além do jet lag, o stress desempenha um papel enorme. Mesmo o agradável. Os preparativos para as férias, as malas, a preocupação com a viagem, a vigilância dos documentos e da bagagem — tudo isto ativa o sistema nervoso de uma forma que abranda a digestão. Os intestinos estão intimamente ligados ao cérebro através do chamado eixo intestino-cérebro, pelo que o estado psicológico influencia diretamente a rapidez ou lentidão com que os alimentos se movem pelo trato digestivo. Não é por acaso que muitas pessoas sofrem de prisão de ventre precisamente nos primeiros dias de férias, quando ainda não desligaram completamente.

Outro fator é a mudança na alimentação. Nas férias comemos de forma diferente — com mais abundância, mais gordura, mais doces, em horários diferentes e em combinações diferentes. Os hotéis com tudo incluído oferecem uma quantidade imensurável de comida cuja composição difere significativamente daquilo a que a nossa digestão está habituada. Acrescente a isso as especiarias locais, as frutas exóticas ou os pratos preparados com azeites que não usamos em casa, e tem a receita para o caos digestivo. O corpo simplesmente precisa de tempo para lidar com os novos estímulos.

A hidratação também não é negligenciável. Em climas quentes, o corpo perde mais líquidos através da transpiração, mas os turistas frequentemente esquecem-se de repor a água suficiente — especialmente quando passam horas na praia e bebem sobretudo álcool ou bebidas açucaradas. A desidratação é uma das causas mais frequentes de prisão de ventre em geral. O intestino precisa de água para fazer avançar o seu conteúdo de forma suave. Sem hidratação suficiente, as fezes endurecem e o movimento abranda.

E depois há a atividade física — ou melhor, a sua ausência. Muitas pessoas passam as férias deitadas numa espreguiçadeira, o que é um descanso bem merecido, mas demasiado pouco movimento para os intestinos. A atividade física estimula mecanicamente o peristaltismo, ou seja, os movimentos ondulatórios dos intestinos que fazem avançar os alimentos. Sem ela, a digestão abranda naturalmente.

As diarreias de viagem são um capítulo à parte, afetando pelo contrário os viajantes em destinos tropicais ou com condições higiénicas menos adequadas. Estas têm uma origem diferente — mais frequentemente contaminação bacteriana ou viral dos alimentos e da água. A Organização Mundial de Saúde estima que a diarreia do viajante afeta entre 20 e 50 por cento dos viajantes internacionais, sendo que o risco mais elevado ocorre na visita a países da Ásia, África ou América Latina.

Como apoiar a digestão ainda antes da partida

A prevenção é sempre mais fácil do que o tratamento, e isso é duplamente verdade para os problemas digestivos em viagem. Os viajantes experientes sabem que a preparação do sistema digestivo para a viagem começa vários dias antes da partida.

Os probióticos desempenham um papel fundamental. A ingestão regular de culturas bacterianas vivas ajuda a fortalecer o microbioma intestinal e aumenta a sua resistência a mudanças repentinas de ambiente, alimentação e fuso horário. O ideal é começar com probióticos aproximadamente uma semana antes da viagem e continuar durante toda a estadia. Deve escolher preparações com quantidade suficiente de culturas vivas e composição comprovada — disponíveis no mercado tanto em cápsulas como em alimentos fermentados como kefir, kimchi ou kombucha.

Igualmente importante é a fibra. Uma ingestão suficiente de fibra no período antes da viagem e durante a mesma ajuda a manter a regularidade intestinal e alimenta as bactérias intestinais benéficas. Não é necessário recorrer a suplementos alimentares — basta ter atenção a uma ingestão suficiente de legumes, produtos integrais, leguminosas e fruta. Mas se sabe que a sua alimentação nas férias será menos variada, o psyllium ou outra fonte natural de fibra pode ser um auxiliar prático na mala de primeiros socorros.

Como disse uma vez o gastroenterologista e especialista em saúde intestinal Justin Sonnenburg: "O microbioma intestinal é como um jardim — o que importa é o que se planta muito antes de se esperar a colheita." E esta metáfora aplica-se também às viagens. O cuidado com os intestinos na vida quotidiana compensa precisamente quando o corpo é exposto a condições incomuns.

Antes de viajar para destinos de risco, é aconselhável informar-se sobre a qualidade da água potável local. Em muitos países aplica-se uma regra simples — beber apenas água engarrafada, evitar gelo nas bebidas e ser cauteloso com comida de bancas de rua, especialmente nos primeiros dias de estadia, quando o corpo ainda está a habituar-se ao ambiente bacteriano local.

Dicas práticas para uma digestão saudável durante as férias

Uma vez no local, existem alguns hábitos simples que podem ajudar significativamente. Em primeiro lugar, a regularidade. Mesmo nas férias vale a pena levantar-se aproximadamente à mesma hora e manter pelo menos aproximadamente os horários regulares das refeições. Desta forma, o corpo recebe o sinal de que o ritmo, embora não seja exatamente o mesmo de casa, ainda assim existe — e o sistema digestivo adapta-se mais facilmente.

A hidratação é absolutamente fundamental nas férias, especialmente em climas quentes. A ingestão diária de líquidos deve ser superior à de casa — com temperaturas acima de 30 graus e exposição ao sol, pode facilmente precisar de dois a três litros de água por dia, sendo que o álcool e o café reduzem a hidratação, pelo que é necessário compensá-los com ingestão adicional de água pura. Uma garrafa de água que tenha sempre consigo é um auxiliar prático.

O movimento não tem de significar nada exigente. Uma caminhada matinal na praia, natação, uma excursão pelos arredores — tudo isto estimula naturalmente o peristaltismo intestinal e ajuda a prevenir a prisão de ventre. Pelo contrário, ficar deitado o dia todo sem se mover abranda comprovadamente a digestão.

Para além de probióticos e fibra, a mala de primeiros socorros deve incluir também preparações enzimáticas, que ajudam o organismo a processar alimentos incomuns, e carvão ativado ou preparações naturais para o caso de diarreia. O gengibre é um auxiliar natural comprovado para náuseas e problemas digestivos — seja em forma de chá, cápsula ou simplesmente como tempero na comida. Da mesma forma funciona a hortelã-pimenta, que relaxa os espasmos no trato digestivo e alivia o inchaço.

Tomemos um exemplo prático: Jana, uma professora de 34 anos de Brno, sofria de prisão de ventre em cada férias no estrangeiro, o que lhe estragava a primeira semana de estadia. Por recomendação da sua médica, começou a tomar probióticos duas semanas antes da viagem, aumentou a ingestão de fibra e durante as férias controlou rigorosamente a sua hidratação. O resultado? Pela primeira vez em anos, passou as férias inteiras sem problemas digestivos. Uma pequena mudança de hábitos conseguiu influenciar significativamente a qualidade do seu descanso.

É também importante não ceder à tentação de comer em excesso só porque a comida está incluída no preço da estadia. Os buffets com tudo incluído são tentadores, mas um estômago demasiado cheio não acelera a digestão — pelo contrário. Porções menores em intervalos regulares são muito mais amigáveis para o sistema digestivo do que duas refeições enormes por dia.

Se mesmo assim ocorrer diarreia, a prioridade é prevenir a desidratação — repor líquidos e eletrólitos, idealmente através de soluções de reidratação disponíveis na farmácia. Em caso de sintomas persistentes ou presença de sangue nas fezes, é necessário procurar assistência médica. A maioria das diarreias de viagem, no entanto, desaparece por si só em dois a três dias com hidratação adequada e alimentação ligeira.

A digestão nas férias não tem de ser um problema inevitável. Com um pouco de previdência, a preparação adequada e alguns hábitos simples, é possível prevenir grande parte dos problemas ou atenuá-los significativamente. O corpo merece o mesmo cuidado que o itinerário da viagem — e a recompensa serão férias de que se lembrará pelas razões certas.

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