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A vitamina D tornou-se nos últimos anos um dos suplementos alimentares mais debatidos. As farmácias oferecem-na em dezenas de formas, os influenciadores nas redes sociais recomendam-na como remédio para o cansaço, a depressão e o sistema imunitário enfraquecido, e muitas pessoas tomam-na diariamente sem jamais terem consultado um médico ou medido os seus níveis no sangue. Mas é precisamente esta aparente inocência da vitamina D que esconde um perigo frequentemente ignorado - a toxicidade da vitamina D é um estado médico real, que pode ter consequências graves, e a suplementação cega sem conhecimento dos próprios valores não é tão segura como a maioria das pessoas pensa.

Para ser claro: a vitamina D é absolutamente essencial para o corpo humano. Participa na absorção do cálcio, no apoio à imunidade, na função muscular e no sistema nervoso. Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Pública, uma grande parte da população checa sofre de deficiência de vitamina D, especialmente nos meses de inverno, quando a radiação solar é demasiado fraca para que o organismo consiga sintetizar a vitamina através da pele. A suplementação faz, portanto, sentido - mas apenas quando realizada de forma informada.


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O que acontece no organismo quando há sobredosagem de vitamina D

A vitamina D pertence às vitaminas lipossolúveis, e este é um detalhe fundamental que a distingue da vitamina C ou da vitamina B12. Enquanto o excesso de vitaminas hidrossolúveis é simplesmente eliminado pelo organismo através da urina, as vitaminas lipossolúveis acumulam-se no tecido adiposo e no fígado. A vitamina D pode, portanto, acumular-se progressivamente no organismo até atingir níveis perigosos - e isso mesmo com uma sobredosagem relativamente moderada, mas prolongada.

O mecanismo da toxicidade não é, aliás, direto. O problema não reside na própria vitamina D, mas no seu efeito sobre o metabolismo do cálcio. A vitamina D aumenta a absorção de cálcio no intestino e a sua libertação dos ossos. Se houver vitamina D em excesso no organismo, ocorre hipercalcemia - uma quantidade excessiva de cálcio no sangue. E é precisamente a hipercalcemia que está na origem de toda uma série de sintomas que podem ser inicialmente discretos, mas que se vão agravando progressivamente até constituir uma ameaça grave para a saúde.

Os primeiros sinais incluem náuseas, vómitos, fadiga, dores de cabeça e micção frequente. Estes sintomas confundem-se facilmente com outros problemas comuns, pelo que a pessoa frequentemente os ignora ou os atribui a outra causa - stress, má alimentação, falta de sono. Numa fase mais avançada, porém, a hipercalcemia pode provocar a deposição de cálcio nos tecidos moles, nos rins, no coração ou nos vasos sanguíneos. Lesões renais, arritmias cardíacas e calcificação de órgãos são complicações que os médicos efetivamente observam em casos de toxicidade grave por vitamina D.

A literatura científica indica que a toxicidade ocorre geralmente com uma ingestão prolongada de doses superiores a 10 000 UI por dia, embora em indivíduos mais sensíveis os problemas possam surgir com valores mais baixos. O limite superior seguro para adultos, estabelecido pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), é de 4 000 UI por dia. No entanto, no mercado estão facilmente disponíveis suplementos com 5 000 ou mesmo 10 000 UI por cápsula - e muitas pessoas tomam-nos diariamente sem qualquer consulta médica.

Suplementação cega: uma história que se repete

Imagine uma situação que não é de forma alguma invulgar. A Jana, uma mulher de trinta anos de Lisboa, sentia-se cronicamente cansada e sem energia. Uma amiga aconselhou-a a experimentar a vitamina D - dizia que toda a gente a toma e que ajuda em tudo. A Jana comprou uma embalagem com dose de 4 000 UI, ao fim de um mês acrescentou um multivitamínico que também continha vitamina D, e começou ainda a beber leite vegetal enriquecido todos os dias. A ingestão diária total de vitamina D subiu assim para valores que ela nem sabia como estimar. Após alguns meses, começou a sofrer de dores de cabeça, falta de apetite e uma estranha fadiga - precisamente os sintomas que a levaram a tomar a vitamina. Só um exame ao sangue revelou que os seus níveis de vitamina D estavam muito acima do intervalo de referência e que tinha simultaneamente o cálcio elevado no sangue.

Este cenário não é uma exceção. A toxicidade por vitamina D causada por suplementação excessiva é, segundo a revista científica Mayo Clinic Proceedings, um diagnóstico cada vez mais frequente, precisamente em associação com a crescente popularidade dos suplementos alimentares. O problema agrava-se ainda pelo facto de a vitamina D estar presente em muitos lugares ao mesmo tempo - em multivitamínicos, alimentos enriquecidos, bebidas proteicas e suplementos individuais. Sem um acompanhamento consciente da ingestão total, é fácil ultrapassar o limite seguro sem que a pessoa se aperceba.

Como observou de forma pertinente o endocrinologista americano e especialista em metabolismo ósseo Dr. Michael Holick, um dos maiores pioneiros mundiais na investigação da vitamina D: "A vitamina D é única pelo facto de o organismo conseguir produzi-la a partir da luz solar - mas assim que começamos a ingeri-la em comprimidos, perdemos a regulação natural e temos de ser mais cautelosos." Este princípio de regulação natural é, aliás, fundamental: quando expostos ao sol, o organismo nunca produz uma quantidade tóxica de vitamina D, porque os precursores em excesso são decompostos pela radiação ultravioleta. Nos suplementos, este mecanismo de proteção não existe.

Como suplementar de forma segura e ponderada

O passo fundamental antes de iniciar a suplementação com vitamina D é realizar um exame ao sangue para medir o nível de 25-hidroxivitamina D, abreviado como 25(OH)D. Este exame está disponível no médico de família e fornece um valor concreto a partir do qual se pode definir uma dose com sentido. O nível ideal situa-se entre 50 e 125 nmol/l, sendo que valores acima de 250 nmol/l são já considerados potencialmente perigosos.

Se o nível estiver realmente baixo, a suplementação faz todo o sentido - e uma dose corretamente escolhida consegue corrigir a situação de forma rápida e segura. Se, porém, o nível estiver dentro dos valores normais ou mesmo no limite superior do intervalo de referência, acrescentar mais vitamina D é desnecessário e potencialmente prejudicial. Não é necessário ir ao médico repetidamente todos os meses - basta verificar os níveis no outono, antes de iniciar a suplementação, e na primavera, após a sua conclusão.

Outro fator importante é a forma da vitamina D. A vitamina D3 (colecalciferol) é biologicamente mais eficaz do que a D2 (ergocalciferol) e absorve-se melhor. Para uma eficácia máxima, é aconselhável tomá-la com uma refeição que contenha gordura, idealmente em combinação com a vitamina K2, que ajuda a direcionar corretamente o cálcio para os ossos e impede a sua deposição nos vasos sanguíneos. Esta combinação é considerada uma opção mais sensata do ponto de vista da segurança e da eficácia do que a vitamina D isolada em doses elevadas.

Os grupos com maior risco de toxicidade devem prestar especial atenção à suplementação - pessoas com doenças renais, sarcoidose ou outras doenças granulomatosas, nas quais o organismo produz a forma ativa da vitamina D de forma descontrolada. Nestes casos, mesmo uma dose relativamente baixa pode causar hipercalcemia. Devem igualmente ser cautelosas as pessoas que tomam diuréticos tiazídicos, que reduzem a excreção de cálcio pelos rins e multiplicam assim o risco de toxicidade.

Na escolha do próprio suplemento alimentar, vale a pena prestar atenção à qualidade do produto. No mercado existe uma enorme diferença entre preparações baratas com composição duvidosa e produtos certificados que foram submetidos a testes independentes de pureza e teor de princípio ativo. Uma vitamina D3 de qualidade deve ter um teor claramente declarado em UI ou microgramas, deve ser produzida sem excipientes desnecessários e, idealmente, deve provir de um fabricante que respeite as normas de boas práticas de fabrico. É precisamente este tipo de produtos que oferece, por exemplo, a Ferwer, onde é possível escolher entre suplementos alimentares cuidadosamente selecionados, focados na qualidade real e não apenas nas embalagens de marketing.

Uma suplementação sensata de vitamina D não requer doses extremas nem protocolos dispendiosos. Para a maioria dos adultos com défice comprovado ou provável, é suficiente uma dose entre 1 000 e 2 000 UI por dia nos meses de inverno - ou seja, um valor que está bem abaixo do limite máximo tolerado e, ao mesmo tempo, suficiente para manter um nível adequado no sangue. Doses mais elevadas podem ser justificadas em caso de défice profundo, mas devem ser discutidas com um médico e acompanhadas de monitorização regular.

Por fim, vale a pena recordar que a suplementação nunca pode substituir plenamente as fontes naturais. Passar tempo ao ar livre mesmo com o sol de inverno - ainda que com uma produção limitada de vitamina D - traz toda uma série de outros benefícios. Peixes gordos como o salmão, a cavala ou as sardinhas, bem como as gemas de ovo e os alimentos enriquecidos, podem contribuir para a ingestão total de forma natural. A combinação de uma alimentação equilibrada, saídas regulares ao ar livre e suplementação direcionada com base em valores reais de exames ao sangue é a abordagem que faz mais sentido a longo prazo.

A vitamina D merece respeito - tanto pelas suas funções insubstituíveis no organismo, como pelo seu potencial de causar dano quando utilizada de forma irrefletida. A suplementação cega segundo a lógica do "mais é melhor" não se aplica a nenhum nutriente, e no caso da vitamina D isso é duplamente verdade. Uma abordagem informada, um exame ao sangue e a consulta de um especialista não são burocracia desnecessária - são simplesmente o caminho mais sensato para tirar o máximo partido desta vitamina sem riscos desnecessários.

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