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# O que impede o crescimento muscular, mesmo quando você se exercita regularmente

Quase toda pessoa que já começou a frequentar uma academia ou se aventurou em treinos domésticos já vivenciou aquela sensação frustrante. Semanas de trabalho árduo, suor, dores musculares na manhã seguinte – e ainda assim o corpo parece não mudar em nada. Enquanto o amigo ao lado constrói músculos visíveis em poucos meses, outra pessoa se esforça por um ano e os resultados são mal perceptíveis. Não é desculpa nem preguiça. Por trás desse fenômeno existe uma série de fatores biológicos, hormonais e nutricionais que muitas pessoas simplesmente desconhecem.

O crescimento muscular – tecnicamente chamado de hipertrofia – não é um processo tão simples quanto pode parecer. Não basta apenas levantar pesos e esperar. O corpo reage à carga de forma complexa, e se falta um único elo-chave nesse sistema, os resultados simplesmente não aparecem. E é exatamente por isso que tantas pessoas treinam com persistência, mas ainda assim seus músculos não se desenvolvem como gostariam.


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Genética, hormônios e diferenças individuais

Uma das razões mais frequentemente ignoradas pelas quais algumas pessoas não desenvolvem músculos é a simples biologia. Cada pessoa tem um número e tipo de fibras musculares geneticamente determinados, um perfil hormonal diferente e uma capacidade distinta de responder à carga de treino. Pesquisas científicas confirmam repetidamente que as predisposições genéticas desempenham um papel fundamental na construção de massa muscular – algumas pessoas são os chamados "high responders", ou seja, aquelas cujo corpo responde rápida e eficientemente ao treino de força, enquanto outras pertencem à categoria "low responders", que precisam empregar muito mais esforço para alcançar resultados comparáveis.

Os hormônios desempenham um papel fundamental, especialmente a testosterona e o hormônio do crescimento. Os homens têm naturalmente níveis mais altos de testosterona do que as mulheres, o que é uma das razões pelas quais geralmente desenvolvem músculos mais rapidamente. Mas mesmo entre os próprios homens existem diferenças significativas. Alguns têm naturalmente um nível basal mais alto de hormônios anabólicos, outros têm níveis mais baixos – e isso sem qualquer intervenção. Além disso, os níveis de testosterona diminuem naturalmente com a idade, de modo que um homem de quarenta anos responderá ao mesmo treino de forma diferente de um jovem de vinte.

Outro fator biológico é o tipo de fibras musculares. Pessoas com predominância de fibras musculares lentas (tipo I) são naturalmente mais adequadas para o desempenho de resistência, mas desenvolver massa muscular volumosa é mais difícil para elas. Por outro lado, aqueles que têm mais fibras musculares rápidas (tipo II) respondem significativamente melhor ao treino de força. Essa distribuição é em grande parte determinada pela genética e não pode ser alterada substancialmente pelo treino.

O comprimento dos músculos e das inserções dos tendões também tem uma influência considerável. Pessoas com ventres musculares mais longos têm maior potencial para uma hipertrofia muscular visualmente marcante, enquanto aquelas com ventres musculares mais curtos e tendões mais longos podem ser mais fortes, mas seus músculos não parecerão tão volumosos. Isso é uma característica puramente anatômica com a qual nada pode ser feito.

Como observou certa vez o fisiologista americano e especialista em desempenho esportivo Brad Schoenfeld: "A genética determina o teto do seu potencial, mas o treino e a nutrição determinam o quão alto você chegará nesse teto."

Os erros mais comuns no treino e na nutrição

A genética e os hormônios são importantes, mas a verdade é que a maioria das pessoas que reclamam de crescimento muscular insuficiente comete erros que estão totalmente ao seu alcance corrigir. E na maioria das vezes trata-se de uma combinação de treino mal estruturado e nutrição inadequada.

O estímulo de treino insuficiente é uma das causas mais comuns de estagnação. O corpo é uma fascinante máquina adaptativa – ele se acostuma com qualquer carga que se repete por muito tempo sem variação. Se alguém vai à academia há três anos e continua fazendo os mesmos exercícios com o mesmo peso, os músculos simplesmente não têm motivo para crescer. O princípio da sobrecarga progressiva – ou seja, o aumento gradual da carga, do número de repetições ou da intensidade do exercício – é absolutamente fundamental. Sem ele, o treino mantém o estado atual, mas não constrói nada novo.

Igualmente importante é a escolha dos exercícios e a estrutura do treino. Muitas pessoas passam horas em equipamentos de cardio ou fazem exercícios isolados com pesos leves, mas negligenciam os movimentos compostos básicos como agachamento, levantamento terra, supino ou remadas. São exatamente esses exercícios que envolvem grandes grupos musculares e provocam uma forte resposta hormonal que apoia o crescimento muscular em todo o corpo.

Tomemos um exemplo concreto: Jana treina regularmente quatro vezes por semana, mas seu treino consiste principalmente em corrida na esteira, exercícios leves com halteres e aulas coletivas de yoga. Após um ano de treino intenso, ela está mais resistente e flexível, mas sua massa muscular não mudou muito. O problema não está em sua dedicação – o problema é que seu treino simplesmente não está configurado para hipertrofia. Assim que ela incluir treino de força com a progressão adequada, os resultados logo aparecerão.

A nutrição é tão importante quanto o próprio treino, talvez até mais. Sem ingestão suficiente de proteínas, o corpo simplesmente não tem o material de construção para criar novo tecido muscular. De acordo com as recomendações da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva (ISSN), pessoas que buscam ganho de massa muscular devem consumir aproximadamente 1,6 a 2,2 gramas de proteína por quilograma de peso corporal por dia. Muitas pessoas que acham que comem "proteína suficiente" estão bem abaixo desse limite.

Igualmente fundamental é a ingestão calórica total. O tecido muscular é metabolicamente custoso – o corpo só o constrói quando tem energia suficiente. Se alguém treina intensamente e ao mesmo tempo mantém uma dieta rigorosa com déficit calórico, o corpo não tem recursos para construir nova massa muscular. Esse problema é especialmente comum em mulheres que tentam emagrecer e ao mesmo tempo definir o corpo. Sem pelo menos um leve superávit calórico ou pelo menos equilíbrio energético, a hipertrofia muscular significativa é muito difícil de alcançar.

A composição de micronutrientes da dieta também desempenha um papel importante. Magnésio, zinco, vitamina D e ácidos graxos ômega-3 são nutrientes que influenciam diretamente a função muscular, o equilíbrio hormonal e a recuperação. Sua deficiência pode retardar significativamente o crescimento muscular, mesmo que o treino e a ingestão de proteínas estejam configurados corretamente. Suplementos de qualidade ou alimentos ricos nessas substâncias – como nozes, sementes, peixes gordurosos ou vegetais de folhas verdes – podem fazer uma grande diferença nesse sentido.

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Recuperação, sono e estresse como sabotadores ocultos

Fala-se muito sobre treino e nutrição, mas o terceiro pilar do crescimento muscular – a recuperação – frequentemente fica à sombra. E no entanto, é exatamente durante o descanso que os músculos realmente crescem. Durante o treino ocorrem microlesões nas fibras musculares, e o corpo as repara e fortalece nas horas e dias seguintes. Se essa recuperação não ocorre adequadamente, todo o processo para.

O sono é absolutamente fundamental nesse sentido. Durante o sono profundo, a maior quantidade de hormônio do crescimento é liberada, o que é essencial para a recuperação e o crescimento do tecido muscular. Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association demonstrou que reduzir o sono para cinco horas por dia leva a uma queda significativa nos níveis de testosterona em homens jovens – e isso em apenas uma semana. Quem dorme pouco perde um dos sinais anabólicos naturais mais poderosos que o corpo tem à disposição.

O estresse crônico é outro fator que muitas pessoas subestimam. Sob estresse prolongado, o corpo produz quantidades aumentadas de cortisol – um hormônio que tem efeitos diretamente catabólicos, ou seja, decompõe o tecido muscular e impede seu crescimento. Uma pessoa pode ter um plano de treino e cardápio perfeitamente elaborados, mas se vive sob estresse constante no trabalho ou na vida pessoal, os resultados sempre ficarão abaixo do seu potencial. Gerenciar o estresse não é apenas uma questão de saúde mental – é uma condição direta para a transformação física.

Treinar com frequência excessiva sem descanso suficiente leva ao overtraining, um estado em que o corpo não consegue se recuperar e o desempenho, em vez de melhorar, piora. Os músculos precisam de tempo – geralmente recomenda-se 48 a 72 horas de descanso para cada grupo muscular entre os treinos. Mais treino não significa automaticamente melhores resultados.

Quando se trata de soluções práticas, vale mencionar algumas coisas nas quais vale a pena se concentrar:

  • Sono regular e de qualidade de 7 a 9 horas por noite
  • Ingestão suficiente de proteínas de fontes de qualidade – leguminosas, ovos, carnes, peixes ou proteínas vegetais
  • Treino de força progressivo com exercícios compostos básicos
  • Gerenciamento do estresse por meio de meditação, atividade ao ar livre ou outras técnicas de relaxamento
  • Suplementação de micronutrientes, especialmente magnésio, zinco e vitamina D

Por que, então, algumas pessoas treinam e seus músculos não se desenvolvem? A resposta raramente está em uma única causa. Quase sempre trata-se de uma combinação de fatores – treino mal estruturado, nutrição inadequada, recuperação deficiente, desequilíbrio hormonal ou predisposições genéticas. A boa notícia é que a maioria desses fatores pode ser influenciada. Compreender o próprio corpo, ter paciência e estar disposto a ajustar a abordagem são as ferramentas mais valiosas que qualquer praticante tem à sua disposição – independentemente da genética com que veio ao mundo.

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