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A criança frequentemente não precisa de conselhos, mas principalmente da nossa proximidade e tempo

A parentalidade moderna traz inúmeras situações em que os adultos ficam sem saber o que dizer. A criança chega da escola emburrada, atira a mochila num canto e se tranca no quarto. Ou fica sentada à mesa, mexendo a colher na sopa, e quando perguntada "o que aconteceu?" responde apenas com um encolher de ombros silencioso. O instinto da maioria dos pais é oferecer imediatamente uma solução, um conselho, uma experiência, um consolo em forma de palavras. Mas é precisamente nesses momentos que a criança talvez não precise de conselhos – precisa de nós. Inteiros. Presentes. Em silêncio.

Esta distinção parece simples, mas na prática é surpreendentemente difícil. Estamos habituados a agir, a ajudar, a corrigir. O papel parental na nossa cultura está fortemente associado à transmissão de sabedoria e à proteção contra erros. No entanto, investigações no campo da psicologia do desenvolvimento mostram consistentemente que as crianças – e as pessoas em geral – se sentem mais compreendidas não quando recebem uma resposta, mas quando têm a sensação de que alguém as ouve verdadeiramente. Os estudos de John Gottman do Instituto Gottman, que se dedica há décadas ao estudo das relações e da dinâmica familiar, confirmam repetidamente que a aceitação emocional precede qualquer comunicação significativa.


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Por que os conselhos às vezes fazem mais mal do que bem

Imagine a Eliška, de treze anos, que regressa a casa com lágrimas nos olhos porque se desentendeu com a sua melhor amiga. O pai, um homem experiente e bem-intencionado, dispara imediatamente: "Isso acontece, as amizades têm as suas crises, tenta ligar-lhe e pedir desculpa, mesmo que não tenhas a certeza se fizeste algo de errado." O conselho é tecnicamente bom. Mas a Eliška deixa de o ouvir depois das primeiras duas frases. Porquê? Porque ainda não ouviu que a sua dor é legítima. Ainda não teve espaço sequer para nomear essa dor.

Este é o mecanismo que os psicólogos chamam de validação emocional – a confirmação de que aquilo que a pessoa sente faz sentido e é aceitável. Sem ela, os conselhos mais sábios são como construir uma casa sem alicerces. A criança não se sente compreendida, mas corrigida. E ser corrigido dói, mesmo quando é bem-intencionado.

No entanto, o desejo de aconselhar nasce do amor e da ansiedade em simultâneo. O pai ou a mãe vê a criança sofrer e quer acabar com isso o mais rapidamente possível. É natural. Mas apressar as emoções – tentar levar a criança o mais depressa possível de um sentimento desconfortável para a calma – paradoxalmente prolonga o tempo durante o qual a criança se sente incompreendida. As emoções que não são acolhidas não desaparecem. Procuram outro caminho para sair, ou ficam guardadas no fundo e manifestam-se noutros momentos, de outras formas.

É importante perceber que isto se aplica a todas as faixas etárias. Uma criança pequena que chora porque perdeu o comboio num vídeo animado precisa do mesmo tipo de acolhimento que um adolescente que foi rejeitado pela rapariga por quem estava apaixonado. O conteúdo é diferente, mas a intensidade da experiência é sempre máxima para a criança. E é precisamente isso que os pais por vezes não percebem – minimizar o sofrimento da criança, ainda que sem intenção, envia a mensagem: "Os teus sentimentos não são suficientemente importantes."

O que significa estar verdadeiramente presente

Estar presente não significa sentar-se ao lado da criança e esperar que ela acabe de falar. Significa desligar a parte de nós que está a planear a resposta e ligar a parte que escuta. É um processo ativo que exige um esforço consciente – especialmente numa época em que os pais estão cansados, sobrecarregados com o trabalho ou com as suas próprias preocupações.

A psicóloga e autora Brené Brown expressou-o de forma certeira: "Empatia não significa corrigir. Empatia significa sentir com o outro." E é precisamente esta capacidade – estar com a criança na sua emoção, em vez de a retirar dela – que está na base de uma vinculação segura, que lhe dará muito mais ao longo da vida do que qualquer conselho concreto.

Na prática, isto pode parecer muito simples. Em vez de "isso passa, já vais ver", tentar "isso deve ser difícil". Em vez de "da próxima vez faz de outra forma", tentar "como te sentiste nesse momento?" Em vez do silêncio por não saber o que dizer, tentar o silêncio da presença – simplesmente estar ao lado da criança, tocá-la, deixá-la falar ou até ficar em silêncio juntos. A proximidade física sem pressão verbal é por vezes a ferramenta mais poderosa que um pai ou mãe tem.

Investigações no campo das neurociências confirmam que o toque e a presença física de uma pessoa próxima reduzem ativamente os níveis de cortisol – a hormona do stress – e ajudam o cérebro a passar de um estado de ameaça para um estado de segurança. Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, as crianças que crescem num ambiente de segurança emocional são mais resilientes ao stress, têm maior capacidade de regular as emoções e funcionam melhor tanto na escola como nas relações sociais.

Mas o que significa concretamente estar presente no quotidiano repleto de obrigações? Não significa estar disponível vinte e quatro horas por dia. Significa estar verdadeiramente aqui quando estamos aqui. Pousar o telemóvel. Não cozinhar ao mesmo tempo que a criança fala de algo importante. Fazer contacto visual. Acenar com a cabeça. Perguntar: "E depois?" – não para resolver a situação, mas para mostrar que nos importamos com o que vem a seguir.

Um pai ou mãe sentado ao lado de um filho adolescente, ouvindo-o com uma presença tranquila

Como reconhecer o que a criança precisa em cada momento

Claro que seria ingénuo afirmar que as crianças nunca precisam de conselhos. Precisam – mas no momento certo e na forma certa. A chave está em aprender a reconhecer quando a criança vem com um problema que quer resolver e quando vem com uma emoção que quer partilhar.

Uma forma simples mas eficaz é perguntar diretamente. Nem todas as crianças conseguem nomear isso, mas com crianças mais velhas e adolescentes a pergunta "Queres que te ajude a encontrar uma solução, ou precisas que eu te ouça apenas?" funciona surpreendentemente bem. A criança sente-se respeitada por ter uma escolha. E o pai ou a mãe recebe um sinal claro sobre como continuar.

Com crianças mais pequenas é mais complicado, porque ainda não têm linguagem para as suas próprias emoções. Aqui ajuda nomeá-las por elas – "Vejo que estás triste. É porque...?" – e esperar pacientemente pela reação. Esta técnica, que os especialistas chamam de coaching emocional, foi descrita em detalhe precisamente por John Gottman e os seus colegas, e revela-se como uma das formas mais eficazes de ajudar as crianças a desenvolver a inteligência emocional.

Os pais que praticam o coaching emocional não evitam as emoções negativas dos seus filhos. Pelo contrário – acolhem-nas como uma oportunidade de conexão. A tristeza, a raiva, a decepção, o medo – não são problemas que precisam de ser eliminados imediatamente. São mensagens sobre o que se passa dentro da criança e, como tal, merecem atenção.

É interessante notar que esta capacidade de acolher as emoções das crianças sem tentar corrigi-las imediatamente está intimamente relacionada com a forma como os próprios pais lidam com as suas emoções. Um pai ou mãe que aprendeu que a tristeza é fraqueza ou que a raiva é inaceitável terá naturalmente mais dificuldade em sentar-se calmamente ao lado de uma criança a chorar sem o impulso de "resolver" isso. Cuidar da saúde emocional dos próprios pais não é, portanto, egoísmo – é um investimento na relação com a criança.

Existem também situações concretas em que a presença sem conselhos é especialmente importante. Quando a criança vive uma perda – seja a morte de um animal de estimação, o fim de uma amizade ou a transição para uma nova escola. Quando enfrenta um fracasso que a afetou mais profundamente do que esperava. Quando se sente diferente, incompreendida pelos pares, ou quando atravessa mudanças da puberdade que ela própria não compreende. Nestes momentos, a necessidade de ser ouvida precede a necessidade de ser orientada.

A era moderna acrescenta mais uma camada de complexidade a esta relação. O mundo digital, as redes sociais, a pressão do desempenho na escola e nas atividades extracurriculares – tudo isto cria nas crianças e adolescentes de hoje formas de stress com as quais os seus pais não tiveram experiência na infância. E é precisamente por isso que pode acontecer que o pai ou a mãe recorra a conselhos baseados na sua própria experiência, que simplesmente não se adequa à situação que a criança enfrenta. "Quando eu tinha a tua idade..." é uma frase que, em muitos contextos, tende a aumentar a distância em vez de a diminuir.

O que, pelo contrário, funciona em todas as gerações é o interesse. Um interesse genuíno e não julgador sobre como a criança está, o que vive, o que a preocupa ou alegra. Um interesse que não se manifesta através de um interrogatório, mas através da mensagem simples e repetida: "Estou aqui. Tens-me. Podes dizer-me qualquer coisa."

Os pais que conseguiram transmitir esta mensagem – não através de palavras, mas da sua presença e reações – têm com os filhos relações que sobrevivem mesmo aos anos turbulentos da adolescência, quando parece que a criança não precisa dos pais de todo. A verdade é o oposto. É precisamente então que precisa de saber que o pai ou a mãe ainda está lá – não com conselhos, não com julgamentos, mas simplesmente como alguém que a ama incondicionalmente.

E talvez seja esta a coisa mais importante que um pai ou mãe pode dar ao seu filho: não o conselho certo no momento certo, mas a certeza de que, independentemente do que traga, não estará sozinho.

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