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Imagine que o seu vizinho precisa de uma furadeira. Apenas uma vez, para pendurar prateleiras na sala de estar. Ele vai comprar a sua própria? As estatísticas dizem que uma furadeira média é utilizada, ao longo de toda a sua vida, menos de treze minutos no total. E ainda assim, milhões de lares possuem uma – cada um separadamente, cada uma guardada numa caixa ou numa cave. É exatamente este paradoxo da cultura de consumo moderna que está na origem do fenómeno que hoje transforma a forma como as pessoas compram, viajam, habitam e trabalham. Chama-se economia colaborativa – e é uma das mudanças económicas e sociais mais significativas das últimas duas décadas.

A economia colaborativa, em inglês sharing economy, é, na sua essência, uma ideia simples: em vez de cada pessoa possuir tudo o que ocasionalmente necessita, os recursos, bens ou serviços são partilhados entre várias pessoas. As plataformas digitais desempenham o papel de intermediário, ligando quem tem algo a mais a quem precisa disso naquele momento. O resultado é uma utilização mais eficiente das coisas, custos mais baixos para os utilizadores e, idealmente, um menor impacto ambiental. Segundo uma pesquisa da organização PwC, a economia colaborativa poderá atingir uma faturação global de mais de 335 mil milhões de dólares até 2025 – e este é um número que não pode ser ignorado.


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Onde funciona a economia colaborativa

A maioria das pessoas associa a economia colaborativa ao Airbnb ou ao Uber. É compreensível – são os exemplos mais conhecidos e mais difundidos. O Airbnb permite que proprietários de apartamentos e casas arrendem quartos livres ou propriedades inteiras a viajantes, enquanto o Uber liga motoristas a passageiros em tempo real. Ambas as plataformas estão hoje presentes em centenas de cidades em todo o mundo e transformaram radicalmente os setores do alojamento e dos transportes.

Mas a partilha vai muito além destes dois nomes. Existem plataformas para partilha de automóveis, como o checo HoppyGo, onde as pessoas alugam veículos de proprietários privados. Há serviços de partilha de espaços de trabalho – centros de coworking – que são arrendados por freelancers, startups ou mesmo grandes empresas à procura de flexibilidade. Está a crescer o mercado de partilha de roupa, onde os clientes alugam peças para ocasiões especiais em vez de comprar vestidos que usarão apenas uma vez na vida. E depois há o mundo da partilha de objetos do quotidiano – ferramentas, equipamento de jardim, material desportivo ou brinquedos para crianças.

Precisamente na área da moda e do estilo de vida, a economia colaborativa tem um enorme potencial. A indústria da moda está entre os maiores poluidores do planeta – e, ainda assim, uma peça média de roupa na Europa acaba no lixo após apenas sete a dez utilizações. Alugar roupa ou trocá-la entre pessoas resolve este problema de forma elegante: é possível ter sempre um look "novo" sem contribuir para a acumulação de resíduos têxteis. As feiras de troca de roupa, que se realizam em muitas cidades checas, são uma prova viva disso – e a sua popularidade cresce de ano para ano.

De forma semelhante funciona a partilha no domínio doméstico e da jardinagem. Hortas comunitárias, onde os vizinhos partilham canteiros, ferramentas e colheitas, existem em Praga, Brno, Ostrava e outras cidades. Plataformas como o Půjčovna.cz ou vários grupos do Facebook dedicados a bairros específicos permitem que as pessoas emprestem objetos aos vizinhos – sem necessidade de pagar por novos produtos ou desperdiçar espaço em armazém.

A economia colaborativa também toca a área do conhecimento e das competências. Existem plataformas onde as pessoas trocam aulas – quem sabe tocar guitarra ensina quem domina o espanhol, e vice-versa. Este modelo, por vezes chamado time banking ou banco de tempo, assenta no princípio de que cada hora do tempo humano tem o mesmo valor, independentemente do que a pessoa faz.

Como partilhar com segurança e sem preocupações

A economia colaborativa traz consigo não só vantagens, mas também questões que importa responder antes de se aventurar nela. Como reconhecer em quem confiar? O que fazer quando alguém danifica um objeto emprestado? Como proteger os dados pessoais? Estas preocupações são completamente legítimas – e a boa notícia é que para a maioria delas existem respostas comprovadas.

A base de uma partilha segura é a escolha de uma plataforma de confiança. Plataformas estabelecidas como o Airbnb, o BlaBlaCar ou o Vinted dispõem de sistemas sofisticados de avaliação, verificação de identidade e resolução de litígios. Os utilizadores deixam avaliações uns aos outros, formando uma espécie de histórico de reputação – e esse histórico é, no mundo da economia colaborativa, a moeda mais valiosa. Antes de qualquer transação, vale a pena dedicar alguns minutos à leitura das avaliações da outra parte: os padrões de comportamento repetem-se e as experiências negativas de outros utilizadores são avisos que merecem atenção.

Também é importante uma comunicação clara antes da própria partilha. Seja para emprestar um carro, arrendar um quarto ou trocar roupa, ambas as partes devem ter antecipadamente claro o que se espera delas. Quando será devolvido o objeto? Em que estado? O que acontece se houver danos? Um acordo escrito – mesmo que apenas sob a forma de uma mensagem na aplicação – pode evitar muitos mal-entendidos. As grandes plataformas têm estes processos integrados diretamente na sua interface, mas quando se partilha fora delas, é bom não esquecer esta formalidade.

O seguro é outro tema fundamental. Muitas pessoas não sabem que o seu seguro doméstico ou automóvel habitual pode não cobrir danos ocorridos durante a partilha comercial. O Airbnb, por exemplo, oferece a sua própria proteção de seguro para anfitriões, mas o seu âmbito tem limites. Antes de começar a arrendar um apartamento ou a emprestar um carro, é sensato contactar o seu consultor de seguros e verificar se está suficientemente coberto. Algumas seguradoras oferecem hoje produtos especiais especificamente para participantes na economia colaborativa.

A proteção de dados pessoais é um tema que acompanha a economia colaborativa desde o início. O registo nas plataformas exige normalmente a partilha de informações sensíveis – nome, morada, número de conta bancária ou até fotografia do documento de identidade. É importante ler as condições de privacidade e descobrir como a plataforma trata esses dados. As plataformas fiáveis são transparentes quanto a quem e em que condições transmitem os dados. Se as condições forem pouco claras ou demasiado genéricas, é um sinal de cautela.

Como observou o economista americano Arun Sundararajan, um dos principais especialistas em economia colaborativa: "A confiança é a nova moeda da economia colaborativa – e, tal como o dinheiro, pode ser ganha, perdida e falsificada." Esta ideia ilustra bem por que razão é importante, na partilha, não ter pressa e prestar atenção aos sinais que a outra parte emite.

Um conselho prático para quem está a começar na economia colaborativa é começar pequeno e com baixo risco. Trocar roupa com uma amiga ou emprestar livros através de um grupo local nas redes sociais são ótimas formas de experimentar este modo de funcionamento sem riscos financeiros ou pessoais significativos. Só com a experiência e a confiança adquiridas vale a pena avançar para transações mais complexas, como arrendar um apartamento a desconhecidos ou partilhar um veículo.

A economia colaborativa tem também uma dimensão comunitária que muitas vezes é ignorada. As pessoas que trocam regularmente objetos ou serviços constroem relações – e essas relações reforçam a coesão dos bairros e de cidades inteiras. Não se trata apenas de dinheiro ou de ecologia. Trata-se do facto de as pessoas deixarem de ser consumidores anónimos e passarem a fazer parte de uma comunidade viva e interligada. Numa época em que os sociólogos alertam para o crescente isolamento e a perda das relações de vizinhança, a economia colaborativa pode funcionar como um remédio discreto, mas eficaz.

Para quem pensa num estilo de vida mais sustentável, a economia colaborativa é um passo natural. Em vez de comprar objetos novos que serão utilizados apenas algumas vezes, pode-se optar por alugar ou trocar. Em vez de acumular roupa que não se vai usar, pode-se participar numa feira de troca. Em vez de possuir um carro que passa a maior parte do tempo estacionado, pode-se recorrer ao carsharing. Cada uma destas decisões tem um impacto direto na quantidade de recursos consumidos e de resíduos produzidos – e na soma dessas pequenas decisões esconde-se um enorme potencial de mudança.

A República Checa não fica atrás neste aspeto. Iniciativas locais como o Nevyhazuj.cz, os frigoríficos comunitários em várias cidades ou as redes de partilha de alimentos mostram que o interesse pela partilha também está a crescer aqui. A geração mais jovem é particularmente ativa neste sentido – os inquéritos mostram repetidamente que os millennials e a geração Z preferem o acesso aos objetos à sua posse. Para eles, a economia colaborativa não é uma alternativa ao estilo de vida dominante, mas uma parte natural do mesmo.

A vantagem económica da partilha é, aliás, inegável. Alugar em vez de comprar poupa dinheiro, especialmente em objetos de que se precisa apenas ocasionalmente. Partilhar os custos de uma viagem de carro reduz as despesas com combustível e portagens. Trocar roupa poupa o orçamento familiar e ao mesmo tempo mantém o guarda-roupa fresco e variado. E arrendar um quarto livre ou um apartamento inteiro durante as férias pode gerar um rendimento extra considerável, que pode ajudar a cobrir, por exemplo, as prestações de um crédito habitação.

Claro que a economia colaborativa não está isenta de problemas. Os críticos alertam para o facto de as grandes plataformas evitarem por vezes as obrigações fiscais, de os trabalhadores da chamada gig economy carecerem de segurança social, ou de o Airbnb em massa ter encarecido o arrendamento habitacional para os residentes locais em algumas cidades. Estes desafios são reais e merecem atenção – tanto por parte dos reguladores como dos próprios utilizadores. Uma participação consciente na economia colaborativa implica também refletir sobre que plataformas apoiamos e se o seu funcionamento corresponde aos valores que nos importam.

A economia colaborativa é um espelho da forma como a relação da sociedade com a propriedade, o consumo e a confiança está a mudar. A furadeira numa caixa na cave é um pequeno símbolo de um grande problema. E emprestá-la ao vizinho – ou pedi-la emprestada a ele – é um pequeno símbolo de uma grande solução.

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