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# Jak si pochutnat na čočce jinak než v polévce Čočka je neuvěřitelně všestranná luštěnina, která s

Lentilha é um dos ingredientes que tem uma reputação um tanto injusta na cozinha checa. Muitas pessoas associam-na exclusivamente à sopa de Ano Novo ou a um caldo encorpado que exala do tacho da avó em cada inverno. E no entanto, é uma das leguminosas mais versáteis do mundo – rica em proteínas, fibras, ferro e ácido fólico, sendo que a sua preparação não demora nem de perto tanto tempo como o grão-de-bico ou o feijão, por exemplo. A lentilha não precisa de ser demolhada, cozinha rapidamente e combina muito bem com dezenas de pratos diferentes. Mas se ainda a prepara apenas como sopa, está a perder o enorme potencial culinário que esta discreta leguminosa esconde.

Vamos juntos descobrir como transformar a lentilha em pratos que surpreendem, saciam e ao mesmo tempo se mantêm saudáveis, económicos e até ecológicos – porque as leguminosas são um dos alimentos mais sustentáveis que existem, com uma pegada de carbono mínima em comparação com a carne.


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A lentilha como base do prato principal

Um dos maiores erros que as pessoas cometem com a lentilha é encará-la apenas como acompanhamento ou base de sopa. Na realidade, a lentilha pode ser o elemento central de toda uma refeição. Um ótimo exemplo é o dal de lentilha – um prato tradicional indiano que se prepara em diversas variantes por todo o subcontinente do sul asiático. A lentilha vermelha cozinha até atingir uma consistência cremosa, é temperada com especiarias como cúrcuma, cominhos, coentros e gengibre fresco, e o resultado é um prato tão aromático e saciante que até o maior apreciador de carne não sentiria a sua falta. Serve-se com arroz ou pão achatado e consegue preparar-se em menos de meia hora.

De forma semelhante funciona a lentilha marroquina com tomate e harissa – uma pasta picante de pimentas chili que hoje se encontra em muitas lojas de produtos naturais. Basta refogar cebola, alho e cominhos em azeite, adicionar tomate em conserva, lentilha pré-cozida e uma colher de pasta de harissa, e em pouco tempo tem na mesa um prato cheio de cores e sabores que bem poderia ser servido num restaurante. Foi precisamente esta combinação que mostrou a muitos cozinheiros domésticos que a lentilha não tem de ser monótona – precisa apenas de ter a oportunidade de brilhar com os ingredientes certos.

Um prato muito apreciado que nos últimos anos conquistou o seu lugar também nas casas chegas são os hambúrgueres ou almôndegas de lentilha. A lentilha cozida mistura-se com cebola refogada, pão ralado, ovo (ou ovo de linhaça para a versão vegana), ervas aromáticas e especiarias, molda-se em hambúrgueres e frita-se na frigideira ou assa-se no forno. O resultado é surpreendentemente firme, saboroso e combina muito bem num pão integral com mostarda, alface e rodela de tomate. Quem provou uma vez um hambúrguer de lentilha bem temperado, dificilmente voltará a acreditar que as alternativas vegetais não podem ser verdadeiramente boas.

Outra excelente forma de utilizar a lentilha como prato principal é preparar um ragú de lentilha, que pode substituir na perfeição o molho bolonhesa de carne. A lentilha castanha ou verde tem, depois de cozida, uma textura mais firme do que a vermelha, e por isso comporta-se nesta receita de forma semelhante à carne picada – mantém a forma, absorve o molho e cria uma estrutura encorpada e satisfatória. Juntamente com polpa de tomate, cenoura, aipo, cebola, alho e um pouco de vinho tinto, obtém-se um molho que combina muito bem com massa, polenta ou gratinado sob uma camada de béchamel como lasanha vegetariana.

A lentilha em pratos mais leves e saladas

Nem todas as refeições têm de ser quentes e substanciais. A lentilha aplica-se igualmente bem em pratos mais leves e frescos, ideais para o almoço ou como acompanhamento ao jantar. As saladas de lentilha são completamente subestimadas neste aspeto – e no entanto são rápidas, nutritivas e podem ser preparadas com antecedência, sendo uma ótima solução para quem leva a comida para o trabalho.

A salada francesa de lentilha puy – uma pequena variedade verde-escura que mantém a sua textura firme mesmo depois de cozida – com mostarda de Dijon, cebola roxa, salsa e um molho de vinagre de vinho tinto e azeite é um clássico que se impõe mesmo numa mesa festiva. Junte-lhe beterraba assada, queijo de cabra e nozes, e obterá uma salada que não é apenas visualmente atraente, mas também nutricionalmente equilibrada e repleta de diferentes texturas.

Como aliás observou o chef britânico e promotor da alimentação à base de plantas Yotam Ottolenghi: "A lentilha é um dos poucos ingredientes que consegue ser simultaneamente humilde e grandioso – depende apenas do que lhe acrescentar." E é precisamente este pensamento que capta a essência do motivo pelo qual vale a pena experimentar com a lentilha.

Uma variante interessante são também as pimentas ou curgetes recheadas com lentilha. Os legumes são escavados, recheados com uma mistura de lentilha cozida com arroz, especiarias e ervas aromáticas, cobertos com molho de tomate e assados no forno. É um prato que agrada à vista e ao paladar e que ao mesmo tempo é adequado para toda a família – as crianças podem escolher a sua pimenta, os adultos podem temperá-la com molho picante.

Pimentos assados recheados com lentilha em molho de tomate sobre uma mesa rústica

Formas menos habituais de utilizar a lentilha

Talvez se surpreenda ao descobrir que a lentilha também encontra aplicação em pratos onde nunca a esperaria. Um deles são as panquecas ou tortilhas de lentilha – muito populares na cozinha indiana e do Médio Oriente. A lentilha vermelha é demolhada durante algumas horas, triturada com água, sal e especiarias até obter uma massa mais espessa e cozida numa frigideira seca. As panquecas resultantes são naturalmente sem glúten, ricas em proteínas e podem ser recheadas com legumes, homus ou molho de iogurte.

Uma possibilidade muito interessante é também a utilização de farinha de lentilha, que é produzida pela moagem de lentilha seca e pode ser adquirida em lojas de produtos naturais ou em lojas biológicas. Esta farinha é adequada para pães, tortilhas, bolachas salgadas ou como espessante em molhos. É naturalmente sem glúten e tem um teor de proteínas significativamente mais elevado do que a farinha de trigo comum, o que a torna uma alternativa interessante para quem acompanha a sua ingestão de nutrientes.

Vale a pena mencionar que a lentilha é, do ponto de vista nutricional, verdadeiramente um ingrediente excecional. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, as leguminosas estão entre os componentes-chave de uma alimentação saudável e equilibrada – são ricas em proteínas vegetais, hidratos de carbono complexos e fibras, tendo um índice glicémico baixo que ajuda a manter estável o nível de açúcar no sangue. Isto é especialmente apreciado por pessoas com diabetes ou por aquelas que querem evitar a quebra de energia da tarde.

A lentilha também pode ser utilizada na preparação de pastas e dips. A lentilha vermelha cozida é triturada com azeite, sumo de limão, alho e especiarias até obter um creme suave, que combina muito bem com pão integral, como dip com legumes ou como base de sandes. É uma alternativa rápida, económica e nutritiva ao clássico homus de grão-de-bico.

Para quem gosta de experimentar, pode ser uma inspiração também o hash de lentilha – um clássico do pequeno-almoço americano que normalmente se prepara com batatas, mas que funciona muito bem também com lentilha. A lentilha cozida é frita na frigideira com batatas, pimento, cebola e especiarias até obter uma crosta crocante, e serve-se com ovo estrelado. É um pequeno-almoço substancial, rico em proteínas, que sacia durante toda a manhã.

Mas voltemos por um momento ao aspeto prático. Imagine, por exemplo, a situação em que chega a casa cansado do trabalho, não há muito no frigorífico e não lhe apetece cozinhar nada complicado. É precisamente nesse momento que vai apreciar ter em casa uma reserva de lentilha vermelha – cozinha em quinze minutos sem demolha prévia, e com um pouco de especiarias criativas transforma-se num dal que agrada a toda a família. Ou simplesmente adiciona a lentilha cozida aos restos de legumes do dia anterior, junta um pouco de polpa de tomate e tem um ragú rápido. A lentilha é, em suma, um daqueles ingredientes que nunca o deixam sem saída na cozinha.

Há aliás toda uma variedade de tipos de lentilha e cada um é mais adequado para algo diferente. A lentilha vermelha cozinha rapidamente até desfazer e é ideal para dal, pastas e molhos espessos. A lentilha verde e castanha mantém uma textura mais firme e é adequada para saladas, ragús e almôndegas. A lentilha puy ou beluga (lentilha preta) são variedades premium com um sabor pronunciado, que se destacam em receitas mais simples onde podem ser o centro das atenções. Hoje em dia podem ser compradas em qualquer boa loja de produtos naturais, em lojas biológicas ou diretamente em lojas online especializadas em alimentos sustentáveis.

Diferentes tipos de lentilha em taças sobre uma mesa rústica de madeira

Do ponto de vista da sustentabilidade, a lentilha é um dos alimentos mais ecológicos que se podem incluir na alimentação. Investigações publicadas na revista científica Nature Food mostram que a produção de leguminosas gera emissões de gases com efeito de estufa significativamente mais baixas do que os produtos de origem animal e contribui simultaneamente para o enriquecimento do solo em azoto, reduzindo assim a necessidade de fertilizantes sintéticos. Escolher a lentilha não é, portanto, apenas uma decisão em prol da saúde, mas também um passo consciente em direção a uma forma de alimentação mais responsável.

A lentilha não é, por isso, apenas um ingrediente para a tradição de Ano Novo ou um discreto recheio de sopa. É um ingrediente com um enorme potencial, que está apenas à espera de lhe dar a oportunidade de se mostrar sob uma luz diferente – como base de um dal picante, de um hambúrguer crocante, de uma salada fresca ou de uma pasta cremosa. Basta um pouco de coragem e vontade de ir além do que conhecemos na cozinha.

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