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Cada pai conhece aquele momento em que, após um dia exaustivo, finalmente se senta no silêncio e sente a energia a regressar lentamente. E é precisamente nessa altura que a criança aparece com uma pergunta, um brinquedo ou simplesmente com a necessidade de estar por perto. Para os pais extrovertidos, é uma alegria natural. Para uma mãe introvertida, esse momento pode ser simultaneamente cheio de amor e de um silencioso esgotamento – e é exatamente essa combinação que costuma ser a fonte de um sentimento de culpa desnecessário.

As mães introvertidas não são menos amorosas, menos presentes nem menos boas. São simplesmente diferentes. O seu sistema nervoso precisa de tranquilidade para recarregar energia, e isso é uma realidade biológica, não uma falha de personalidade. No entanto, muitas delas acabam numa armadilha, tentando cumprir as expectativas do ambiente – estar sempre disponíveis, brincalhonas, pacientes e enérgicas – enquanto por dentro a bateria vai lentamente esgotando. Como gerir então a parentalidade quando a mãe é introvertida e a criança aparece a cada momento com uma nova necessidade de atenção?


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Introvertido não significa quem não gosta de pessoas

Em primeiro lugar, é importante dissipar um dos mitos mais difundidos. Introversão não significa que a pessoa não suporta a companhia ou que não quer passar tempo com os seus filhos. O psicólogo Carl Jung, que foi um dos primeiros a descrever estes tipos de personalidade, explicava a introversão como a forma como uma pessoa obtém energia – e não como uma medida da sua sociabilidade. Os introvertidos recarregam a sós e no silêncio, enquanto os extrovertidos ganham energia na companhia e nos estímulos do ambiente.

Na prática, isso significa que uma mãe introvertida pode amar o seu filho profunda e incondicionalmente e, ainda assim, após uma hora a brincar com blocos, sentir um cansaço mental absoluto. Esse cansaço não é um fracasso – é uma resposta fisiológica do cérebro à sobrecarga de estímulos. As investigações sugerem que os cérebros dos introvertidos processam as interações sociais de forma mais intensa e profunda do que os dos extrovertidos, o que naturalmente leva a um esgotamento mais rápido. Um resumo interessante sobre este tema pode ser encontrado, por exemplo, no Psychology Today, onde é possível encontrar vários textos especializados sobre a personalidade introvertida e as suas manifestações na vida quotidiana.

O problema surge quando a mãe começa a perceber o seu sentimento de esgotamento como prova de que não é suficientemente boa. Esta voz interior crítica é muito comum nos pais introvertidos e, ao mesmo tempo, muito destrutiva. Obriga-os a ultrapassar os seus próprios limites até que o verdadeiro esgotamento chegue – e isso não ajuda nem a mãe nem a criança.

Tomemos o exemplo de Kateřina, mãe de dois filhos de quatro e sete anos. Após um dia inteiro de trabalho a partir de casa, onde passava o dia a comunicar com colegas por videochamadas, chegava ao jantar esgotada de uma forma que o seu companheiro, um extrovertido por natureza, não conseguia compreender totalmente. «Estava sentada à mesa e as crianças falavam comigo as duas ao mesmo tempo, o meu marido perguntava o que havia para jantar, e eu sentia os olhos a fechar-se, não de sono, mas de sobrecarga», descreveu. Só quando começou a comunicar ativamente a sua necessidade de silêncio e a planear em conformidade, a situação mudou. Todas as noites, após o jantar, reserva trinta minutos só para si – e toda a família respeita isso.

Como encontrar equilíbrio entre as necessidades da mãe e as necessidades da criança

A chave não está em suprimir a própria natureza, mas em estabelecer conscientemente limites e rotinas que funcionem para toda a família. As mães introvertidas têm, em comparação consigo mesmas no passado, uma grande vantagem: hoje existe muito mais informação disponível sobre este tema, comunidades de apoio e ferramentas práticas.

O primeiro passo é nomear o que está a acontecer – e não apenas para si mesma, mas também para a criança. As crianças são surpreendentemente capazes de compreender que a sua mãe precisa às vezes de um momento de silêncio, se isso lhes for explicado de forma adequada à sua idade. «A mamã precisa agora de um momento para recuperar forças, como quando o telemóvel está a carregar. Daqui a vinte minutos estarei de volta para ti», é uma frase que até uma criança de quatro anos consegue compreender. Com isso, transmite-se também à criança uma lição valiosa sobre o facto de cada pessoa ter as suas necessidades e limites – e que é normal falar sobre eles.

Outra ferramenta importante é a qualidade da atenção em detrimento da quantidade. As mães introvertidas têm uma tendência natural para um contacto mais profundo e concentrado – e isso é uma enorme vantagem. Vinte minutos de brincadeira verdadeiramente presente, com o telemóvel de lado e a mamã realmente a ouvir, têm mais valor para a criança do que uma hora de presença semidistraída. As investigações na área da vinculação e do desenvolvimento precoce da criança mostram consistentemente que, para o desenvolvimento emocional saudável da criança, o que é fundamental é a presença sensível e responsiva do progenitor – não a sua duração em horas.

As mães introvertidas beneficiam também de atividades menos estimulantes, mas ainda assim significativas. Ler juntos, desenhar tranquilamente lado a lado, passear na natureza, cozinhar juntos – são situações em que a criança recebe atenção e proximidade, mas a mãe não é inundada por uma avalanche de estímulos ruidosos. A natureza tem, além disso, um comprovado efeito regenerador precisamente nos tipos introvertidos, pelo que um passeio pela floresta ou junto a um lago pode ser uma vitória para ambas as partes.

O planeamento é, para as mães introvertidas, literalmente uma tábua de salvação. Saber antecipadamente o que o dia vai trazer permite preparar-se mentalmente e não desperdiçar energia em situações inesperadas. As rotinas – matinais, vespertinas, noturnas – dão à criança um sentimento de segurança e à mãe previsibilidade. Se sabe que todos os dias, das seis às seis e meia, vai jogar um jogo com a criança, pode poupar energia para esse momento e estar verdadeiramente presente, em vez de passar o dia a lutar com a incerteza de quando esse momento vai chegar.

É igualmente importante não planear demasiadas atividades sociais num mesmo fim de semana. Uma festa de aniversário, uma visita aos avós e uma tarde no parque infantil pode ser o fim de semana ideal para uma família extrovertida, mas para uma mãe introvertida é um pesadelo. A seleção e a priorização são essenciais, e não há nada de egoísta nisso. Uma criança que tem ao seu lado uma mãe equilibrada e realizada está em melhor situação do que uma criança com uma mãe que ultrapassa os seus limites e depois reage com irritação ou se fecha em si mesma.

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O sentimento de culpa é desnecessário, mas compreensível

Talvez o maior desafio que as mães introvertidas enfrentam não seja o cansaço em si – esse pode ser gerido. O maior desafio é a convicção interior de que são más mães. Esta convicção é alimentada por normas sociais que idealizam a imagem da mãe como sempre disponível, sempre enérgica, sempre disposta a brincar e a conversar. Esta imagem é irrealista para muitas mulheres, e para as introvertidas em especial.

Susan Cain, autora do livro Quiet: The Power of Introverts in a World That Can't Stop Talking, escreve: «O mundo introvertido é rico e excitante, mas existe por trás de um véu, invisível para os outros.» E é precisamente essa invisibilidade que está na origem do problema. As mães introvertidas parecem tranquilas por fora, por vezes até distantes, enquanto por dentro processam uma enorme quantidade de emoções, sensações e necessidades – suas e dos filhos.

O sentimento de culpa é compreensível, mas desnecessário. A criança não precisa de uma mãe perfeita. Precisa de uma mãe que esteja presente, que seja sensível e capaz de ser ela própria. E são precisamente as mães introvertidas que aprendem a trabalhar com a sua natureza em vez de lutar contra ela, que podem oferecer aos seus filhos algo excecional: a profundidade da relação, a capacidade de ouvir, a tranquilidade e o espaço para o silêncio, que é uma raridade no mundo sobreestimulado de hoje.

As comunidades de pais introvertidos, como vários grupos online ou fóruns dedicados à parentalidade consciente, podem ser uma fonte valiosa de apoio. Partilhar experiências com pessoas que compreendem como se sentem quando a criança, numa tarde de sexta-feira, traz o terceiro puzzle seguido e vocês têm vontade de desaparecer para dentro de um armário, é um alívio que não deve ser subestimado. Um terapeuta ou coach especializado em personalidades introvertidas também pode ajudar a definir estratégias concretas feitas à medida.

Vale a pena lembrar que as mães introvertidas são também modelos para os seus filhos. Se a criança vê que a mãe diz «preciso de um momento para mim» e depois regressa renovada e afetuosa, aprende com isso que o autoconhecimento e o autocuidado são valores, e não fraquezas. É uma lição que lhe será útil ao longo de toda a vida – independentemente de ser introvertida ou extrovertida.

E o que fazer nos momentos mais difíceis, quando a criança chora, a casa reclama atenção e a energia está a zero? Aceitar que este dia não vai ser perfeito. Abraçar a criança, mesmo que seja difícil. E lembrar a si mesma que amanhã haverá uma nova oportunidade – e que o amor não se mede pelo número de jogos realizados, mas pela profundidade da presença que conseguimos oferecer, mesmo quando estamos cansadas.

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