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Acordar com a sensação de barriga pesada e digestão preguiçosa é algo que muitas pessoas conhecem. A prisão de ventre matinal não é nenhuma exceção – os especialistas estimam que aproximadamente 15 a 20% da população nos países ocidentais sofre de prisão de ventre crónica, sendo que os problemas se manifestam muito frequentemente de manhã. No entanto, este tema raramente é abordado, como se fosse algo sobre o qual não se deve falar. Contudo, a qualidade da digestão matinal influencia todo o resto do dia – desde a energia e o humor até à concentração e ao conforto físico.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, não é necessário recorrer imediatamente a medicamentos. O corpo tem os seus próprios ritmos e mecanismos naturais, que apenas precisam de um pequeno impulso para arrancar.


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Por que razão a digestão é mais lenta de manhã e o que está por trás disso

Para compreender verdadeiramente a prisão de ventre matinal, é útil saber como o sistema digestivo funciona ao longo do dia. Os intestinos não são um tubo passivo – funcionam de acordo com o chamado ritmo circadiano, ou seja, o relógio biológico que regula a maioria das funções corporais. Durante o sono, os movimentos intestinais abrandam, porque o corpo poupa energia e concentra-se na regeneração. De manhã, após acordar, a atividade intestinal deveria aumentar naturalmente, mas em muitas pessoas esta transição não funciona de forma tão fluida como deveria.

Uma das principais razões é a falta de movimento. Após uma noite passada na cama, o corpo está rígido e os intestinos precisam de um impulso físico para se porem em marcha. Outro fator é a desidratação – após oito horas sem ingestão de líquidos, as fezes estão mais duras e passam com mais dificuldade pelo intestino. A isto acrescenta-se o stress, que em muitas pessoas é mais elevado de manhã, porque a mente começa imediatamente a tratar de obrigações profissionais, planeamento do dia ou logística familiar. O cortisol, a hormona do stress, cujos níveis são naturalmente mais elevados pouco após acordar, pode retardar significativamente a digestão ou, pelo contrário, causar irregularidade.

A composição da refeição do jantar, a falta de fibra na alimentação ou o hábito de adiar a necessidade matinal devido à pressão do tempo também desempenham um papel importante. As pessoas que têm pressa de manhã frequentemente ignoram os sinais corporais e os intestinos vão gradualmente perdendo o hábito de reagir a uma hora regular.

É interessante a perspetiva dos gastroenterologistas sobre o chamado reflexo gastrocólico – um fenómeno fisiológico natural em que a ingestão de alimentos ou líquidos estimula os movimentos do intestino grosso. É precisamente por isso que a necessidade de ir à casa de banho costuma ser mais forte de manhã após o pequeno-almoço ou após o primeiro gole de café. Se este reflexo não funcionar de forma fiável, a razão pode estar em hábitos alimentares inadequados a longo prazo ou numa sobrecarga do organismo.

Formas naturais de ajudar a digestão matinal

Existe uma série de passos simples, mas eficazes, que podem melhorar significativamente a digestão matinal – e nenhum deles requer suplementos alimentares caros ou rituais complexos.

O primeiro e talvez mais importante passo é um copo de água morna logo após acordar. O corpo está desidratado após a noite e a água morna ajuda a amolecer o conteúdo intestinal e a arrancar a peristaltismo. Alguns especialistas recomendam adicionar um pouco de sumo de limão à água – o ácido cítrico pode estimular ligeiramente a produção de sucos gástricos e apoiar os processos digestivos. Este hábito é tão simples que qualquer pessoa consegue adotá-lo, e ainda assim o seu efeito na digestão costuma ser surpreendentemente significativo.

Copo de água morna com limão de manhã na cozinha

Outro auxiliar natural é o movimento. Não tem de ser um treino intenso – basta uma curta caminhada matinal, alguns minutos de yoga ou um simples alongamento. A atividade física estimula mecanicamente os intestinos e apoia a sua atividade natural. As investigações confirmam repetidamente que as pessoas que se movimentam regularmente sofrem significativamente menos de prisão de ventre. Um estudo publicado na revista Scandinavian Journal of Gastroenterology mostrou que mesmo uma atividade física moderada consegue reduzir significativamente o tempo de trânsito dos alimentos pelo intestino.

O café é também um remédio muito popular e cientificamente comprovado contra a prisão de ventre matinal. A cafeína estimula as contrações do intestino grosso e em muitas pessoas desencadeia de forma fiável a necessidade de ir à casa de banho nos 30 minutos após a ingestão. Este efeito é real – foi confirmado por estudos clínicos – no entanto, o café não é adequado para todos e o seu consumo excessivo pode, pelo contrário, perturbar a digestão, nomeadamente porque atua como diurético e contribui para a desidratação.

A fibra na alimentação é extremamente importante. A fibra solúvel, contida por exemplo na aveia, nas sementes de linhaça ou nas maçãs, absorve água e cria um gel no intestino grosso que facilita o movimento das fezes. A fibra insolúvel, que encontramos no pão integral, nos legumes ou nas leguminosas, estimula mecanicamente a parede intestinal e acelera a passagem do bolo alimentar. O consumo médio de fibra está significativamente abaixo dos 25 a 30 gramas diários recomendados – e precisamente este défice é uma das causas mais frequentes de prisão de ventre crónica.

Um excelente exemplo prático pode ser a experiência de uma mulher de meia-idade que lutou durante anos com a prisão de ventre matinal e a atribuía ao stress do trabalho. Só quando começou a comer aveia com sementes de linhaça todas as manhãs e adicionou um copo de água morna com limão, descobriu que a sua digestão melhorou significativamente em duas semanas – sem um único medicamento ou suplemento alimentar.

Os probióticos e os alimentos fermentados também desempenham um papel importante. O microbioma intestinal – ou seja, a comunidade de bactérias que vivem no trato digestivo – tem uma influência fundamental na regularidade das fezes. O iogurte, o kefir, o chucrute ou o kombucha contêm culturas bacterianas vivas que ajudam a manter um ambiente saudável nos intestinos. Como diz a gastroenterologista e autora do livro Gut, Giulia Enders: "Os intestinos são muito mais inteligentes do que pensamos – e quando lhes damos o que precisam, conseguem cuidar de si próprios." O consumo regular de alimentos fermentados pode ter, segundo investigações publicadas na revista Cell, um efeito positivo comprovado na diversidade do microbioma intestinal.

Para além da alimentação e do movimento, o horário também é importante. O corpo adora a rotina. Se uma pessoa reservar todos os dias um tempo na casa de banho aproximadamente à mesma hora – idealmente após o pequeno-almoço, quando o reflexo gastrocólico é mais forte – os intestinos vão gradualmente habituando-se a este ritmo e reagem de forma mais fiável. A pressa e o adiamento da necessidade natural são, pelo contrário, um dos principais culpados pelo agravamento da prisão de ventre.

O que fazer quando os métodos naturais não são suficientes

Por vezes, a prisão de ventre matinal persiste apesar de todos os esforços para ter um estilo de vida saudável. Nesse caso, é oportuno refletir sobre outros fatores ou procurar ajuda especializada.

Uma das opções são os suplementos alimentares naturais, que podem apoiar a digestão de forma suave. O psyllium – casca de plantago ovata – é uma das fibras naturais mais estudadas com efeito comprovado na regularidade das fezes. Basta adicioná-lo ao iogurte, ao smoothie ou a um copo de água. De forma semelhante funciona também o aloe vera ou o extrato de dente-de-leão, que tradicionalmente fazem parte dos auxiliares à base de plantas para a digestão.

É também importante prestar atenção à hidratação ao longo de todo o dia, e não apenas de manhã. Muitas pessoas bebem de forma insuficiente e as fezes ficam então duras e difíceis de evacuar. A ingestão recomendada de líquidos é de aproximadamente 2 litros por dia, sendo que durante a atividade física ou em tempo quente deveria ser ainda maior. As infusões de ervas – por exemplo de funcho, camomila ou hortelã-pimenta – podem apoiar agradavelmente a digestão e ao mesmo tempo contribuir para a ingestão total de líquidos.

Se a prisão de ventre durar mais de três semanas, for acompanhada de dor, sangue nas fezes ou perda de peso significativa, é indispensável consultar um médico. Estes sintomas podem sinalizar doenças mais graves que requerem exame especializado. A prisão de ventre crónica pode também ser um efeito secundário de alguns medicamentos – por exemplo, antidepressivos, analgésicos ou preparações contendo ferro.

Vale a pena mencionar também a influência da psique na digestão. A ligação entre o cérebro e os intestinos – tecnicamente denominada eixo intestino-cérebro – é muito intensa e bidirecional. O stress crónico, a ansiedade ou a depressão manifestam-se muito frequentemente precisamente através de problemas digestivos. Técnicas como a meditação, a respiração profunda ou o sono regular podem ter um efeito surpreendentemente significativo na digestão. Cuidar da saúde mental não é, portanto, apenas uma questão de bem-estar, mas literalmente também de saúde física dos intestinos.

A prisão de ventre matinal é certamente desconfortável, mas na maioria dos casos tem solução. A chave costuma ser a combinação de várias pequenas mudanças no quotidiano – mais água, mais movimento, mais fibra e um pouco mais de calma de manhã. O corpo é extraordinariamente adaptável e responde à atenção e à regularidade mais rapidamente do que se poderia esperar. Por vezes basta apenas dar-lhe uma oportunidade.

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