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A maioria das pessoas só se lembra da postura quando começa a sentir dores nas costas ou no pescoço. Mas até esse momento, muitas vezes passam-se anos em que o corpo sofre em silêncio sob o peso dos maus hábitos. Ficar sentado ao computador todos os dias, olhar para o telemóvel, usar calçado inadequado ou simplesmente a falta de atenção – tudo isso deixa marcas na coluna e nos músculos de uma forma que, no início, parece inofensiva, mas que com o tempo pode tornar-se um problema crónico. A boa notícia é que uma boa postura não é uma questão de disciplina perfeita nem de uma hora de exercício por dia. São precisamente as pequenas mudanças imperceptíveis que têm o maior impacto.

Quando se fala em "postura correta", muitos imaginam um soldado em sentido, com as costas direitas e o queixo levantado. Na realidade, trata-se de algo muito mais natural. Uma postura saudável significa que a coluna vertebral mantém as suas curvaturas naturais – a lordose cervical, a cifose torácica e a lordose lombar – e que os músculos que a rodeiam estão em equilíbrio. O corpo não desperdiça energia desnecessária a compensar posições incorretas e move-se de forma eficiente. Como diz o fisioterapeuta e especialista em aparelho locomotor Pavel Kolář: "O movimento é um medicamento, mas apenas quando é corretamente orientado e parte de uma base de qualidade – ou seja, de uma postura correta."


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Por que a postura importa mais do que pensamos

A relação entre postura e dores nas costas é evidente, mas poucos suspeitam até onde chegam as consequências de uma má postura. As investigações mostram que a cabeça cronicamente inclinada para a frente – o chamado "text neck" – aumenta a pressão sobre a coluna cervical até cinco vezes. Na posição natural da cabeça, a cabeça humana média pesa cerca de cinco quilogramas, mas ao inclinar apenas 15 graus para a frente, a carga aumenta para aproximadamente 12 quilogramas. É uma diferença enorme que os músculos e os discos intervertebrais têm de compensar todos os dias, hora após hora.

Menos evidentes são, no entanto, os impactos na respiração, na digestão ou até no humor. Um estudo publicado na revista Health Psychology concluiu que as pessoas que se sentavam eretas apresentavam maior autoconfiança, melhor humor e níveis de stress mais baixos em comparação com as que se sentavam encurvadas. Outra investigação da Harvard Business School mostrou que as chamadas "poses de poder" – ou seja, posturas eretas e abertas – influenciam não apenas a forma como os outros nos percebem, mas também a forma como nos percebemos a nós próprios. O corpo e a mente estão ligados de forma muito mais estreita do que até agora admitíamos.

O sistema digestivo não é diferente. Numa posição encurvada, ocorre compressão dos órgãos abdominais, o que pode abrandar o peristaltismo e contribuir para uma sensação de peso ou inchaço. Os pulmões não têm espaço suficiente para se expandirem completamente, pelo que a respiração permanece superficial. E é precisamente a respiração superficial que ativa o sistema nervoso simpático – aquele que é responsável pela resposta ao stress. Por outras palavras, uma má postura pode literalmente manter o corpo num estado de stress crónico, sem que nos apercebamos.

Tomar consciência destas ligações é o primeiro passo para a mudança. E é precisamente isso que é mais valioso em todo este tema: não basta fazer exercício durante uma hora por dia e passar o resto do dia curvado à secretária. O que fazemos durante as dezasseis horas de vigília é o que realmente importa.

Pequenos hábitos que mudam tudo

A mudança de postura não acontece de um dia para o outro. É um processo gradual de reaprendizagem dos padrões neuromusculares que requer paciência e consistência. Mas é precisamente por isso que os pequenos hábitos repetidos são tão poderosos – não exigem grande força de vontade nem tempo extra, e ainda assim o seu efeito vai-se acumulando ao longo de semanas e meses.

Tomemos um exemplo da vida quotidiana. A Jana, uma designer gráfica de trinta e três anos, passava entre oito a dez horas por dia ao computador. Considerava as dores no pescoço e nos ombros parte integrante do seu trabalho. Foi apenas quando a fisioterapeuta lhe chamou a atenção para a posição do monitor – que estava mais baixo do que deveria – e lhe recomendou que o levantasse de modo a que a margem superior do ecrã ficasse ao nível dos olhos, que algo começou a mudar. A isso acrescentou uma pequena pausa a cada hora, durante a qual se levantava e se alongava. Ao fim de seis semanas, as dores diminuíram significativamente. Sem programas de exercício dramáticos, sem equipamentos caros. Apenas duas mudanças simples.

A altura do monitor e a posição do teclado são alguns dos fatores mais subestimados no trabalho ao computador. Igualmente importante é a posição dos pés – as plantas dos pés devem estar completamente apoiadas no chão ou num apoio, com os joelhos a formar aproximadamente um ângulo reto. O assento deve apoiar a parte inferior das costas, pelo que um apoio lombar não é um luxo, mas uma necessidade.

Fora do escritório, a forma como carregamos as coisas desempenha um papel fundamental. Uma mala pesada num único ombro provoca uma carga assimétrica na coluna que, com a repetição diária, se manifesta em desequilíbrios musculares. Uma mochila usada em ambos os ombros é significativamente mais benéfica do ponto de vista biomecânico – e se for ergonomicamente moldada com uma placa traseira rígida, ainda melhor.

A forma de andar é outro fator silencioso. A maioria das pessoas caminha a olhar para o telemóvel ou para o chão, com o queixo a apontar para o peito e os ombros a arredondar para a frente. Basta levantar conscientemente o olhar, relaxar os ombros e deixá-los cair para baixo e para trás – e imediatamente todo o esquema corporal se transforma. Esta mudança não custa dinheiro nem tempo extra, e ainda assim é uma das mais eficazes.

O sono merece atenção especial. A posição em que passamos seis a oito horas por dia tem um impacto fundamental na coluna vertebral. Dormir de barriga para baixo é a posição mais problemática para a coluna cervical, pois a cabeça tem de estar virada para o lado durante toda a noite. Dormir de lado ou de costas com uma almofada adequada – que acompanhe as curvaturas naturais da coluna e mantenha a cabeça numa posição neutra – é significativamente mais regenerador para o corpo. A escolha do colchão também tem importância: um colchão demasiado mole não permite que a coluna mantenha a sua curvatura natural, enquanto um demasiado duro cria pontos de pressão.

O movimento ao longo do dia é mais importante do que o exercício intensivo de vez em quando. A Organização Mundial de Saúde recomenda que os adultos realizem pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana, mas igualmente importante é interromper os longos períodos de sedentarismo. A chamada "morte sedentária" – um termo que aparece cada vez mais na literatura especializada – descreve os riscos para a saúde associados ao facto de estar sentado continuamente, independentemente de fazermos desporto noutros momentos. Levantar a cada 30 a 45 minutos, dar uma volta, alongar-se ou pelo menos mudar de posição – são intervenções simples com resultados mensuráveis.

Os exercícios de alongamento e fortalecimento direcionados para o sistema de estabilização profunda da coluna vertebral – ou seja, os músculos que rodeiam e estabilizam a coluna por dentro – são um investimento que compensa. O Pilates, o yoga ou os exercícios fisioterapêuticos específicos ajudam a ativar e fortalecer estes músculos. Não se trata de exercício de força no sentido clássico, mas de um trabalho consciente com o corpo que reeducta os padrões de movimento.

A escolha do calçado influencia a postura desde a base – literalmente. Os saltos altos deslocam o centro de gravidade do corpo para a frente e a coluna tem de compensar este desequilíbrio com um aumento da curvatura lombar. O calçado minimalista ou com palmilha anatómica natural permite, pelo contrário, que o pé trabalhe da forma para que foi evolutivamente concebido. No site da Sociedade Checa de Ortopedia e Traumatologia podem encontrar-se recomendações sobre a escolha do calçado adequado consoante as necessidades específicas do aparelho locomotor.

Como começar – sem sobrecarga e sem desculpas

O maior erro é tentar mudar tudo de uma vez. As investigações no domínio da psicologia comportamental, como o trabalho de James Clear descrito no seu livro Atomic Habits, mostram que as mudanças duradouras surgem de pequenas ações repetidas, e não de entusiasmo de curta duração. Um novo hábito enraizado na rotina diária tem mais valor do que dez hábitos que duram três dias.

Uma abordagem prática pode ter este aspeto: na primeira semana, concentrar-se exclusivamente na posição do monitor e na altura do assento. Na segunda semana, acrescentar pausas horárias com alongamentos. Na terceira semana, começar a prestar atenção à forma de andar e à posição ao carregar a mala. Uma pequena mudança por mês – e ao fim de um ano são doze novos hábitos que, em conjunto, representam uma mudança significativa.

Os acessórios podem apoiar este processo. Almofadas ergonómicas, apoios lombares, secretárias de pé ou simples plataformas de equilíbrio para os pés enquanto se está sentado – são todas ferramentas que facilitam a posição correta sem a necessidade de um controlo consciente constante. O fundamental é, no entanto, que estes acessórios complementem os hábitos conscientes, e não os substituam.

A postura é, em certo sentido, um reflexo da forma como vivemos. Os ombros encurvados e a cabeça inclinada para a frente não são apenas um problema estético – são o resultado da forma como passamos o tempo, como nos sentamos, como andamos, como dormimos e como nos movemos. E é precisamente por isso que a mudança de postura é uma questão tão profundamente pessoal, que vai além do físico. Endireitar-se não significa apenas corrigir a posição da coluna vertebral. Significa também mudar a forma como nos apresentamos ao mundo e a nós próprios. E é por isso que vale a pena.

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