O plástico nos saquinhos de chá é um problema silencioso
Uma xícara de chá quente pela manhã. Para milhões de pessoas, é um momento de tranquilidade, um ritual que antecede a agitação do dia. Mas é precisamente neste momento aparentemente inocente que pode estar escondido um problema sobre o qual poucos pensam – microplásticos que se libertam diretamente para a bebida favorita. O saquinho de chá parece um pedaço de papel com algumas folhas de erva, mas a realidade é mais complexa e preocupante do que poderia parecer à primeira vista.
Uma investigação publicada na revista científica Environmental Science & Technology mostrou que um único saquinho de chá de plástico liberta durante a preparação da bebida aproximadamente 11,6 mil milhões de micropartículas e 3,1 mil milhões de nanopartículas de plástico para uma única chávena. Não se trata de um número abstrato – é uma substância que a pessoa realmente ingere juntamente com o chá que prepara com a boa intenção de fazer algo saudável. Esta descoberta abalou o mundo da investigação em segurança alimentar e vai gradualmente penetrando na consciência dos consumidores comuns, embora a mudança de hábitos chegue lentamente.
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Por que os saquinhos de chá são de plástico?
Muitas pessoas assumem que os saquinhos de chá são feitos exclusivamente de papel ou materiais naturais. Em parte têm razão – os saquinhos tradicionais são de facto de papel. O problema surge com as variantes modernas, que apareceram no mercado nas últimas décadas e que os fabricantes apresentam como uma experiência premium. Trata-se de saquinhos transparentes em forma de pirâmide ou outras formas, que são na verdade fabricados com fibras plásticas – mais frequentemente nylon, politereftalato de etileno (PET) ou polipropileno.
Os fabricantes introduziram-nos para que as folhas de chá tivessem mais espaço para se expandir e libertar todo o sabor e aroma. Do ponto de vista do marketing foi um movimento genial – o cliente vê belas folhas a flutuar num saquinho transparente e tem a sensação de luxo e qualidade. Do ponto de vista químico, porém, trata-se de um material que ao entrar em contacto com água quente se degrada e liberta partículas microscópicas diretamente para a bebida. Quanto mais alta a temperatura, mais intenso é este processo.
Nem os saquinhos de papel clássicos são automaticamente seguros. Muitos fabricantes utilizam para os selar uma fina camada de plástico ou adesivo sintético, que cumpre a mesma função e representa o mesmo risco. Além disso, alguns saquinhos de papel são tratados com epicloridrina – uma substância usada como estabilizador que, ao entrar em contacto com a água, pode converter-se em compostos potencialmente nocivos. Um saquinho de chá pode, portanto, estar longe de ser o que parece ser.
Tomemos um exemplo do quotidiano: a Jana, uma professora de trinta e quatro anos de Brno, bebia todas as manhãs dois a três chávenas de chá em saquinhos piramidais, convencida de que estava a desfrutar de uma bebida saudável repleta de antioxidantes. Quando leu sobre o problema dos microplásticos, inicialmente não acreditou. «Parecem tão elegantes e naturais», diz ela. Hoje passou para chá a granel e admite que a preparação lhe demora apenas mais alguns minutos, mas que a tranquilidade de espírito vale a pena.
Microplásticos no corpo: o que sabemos?
A questão do que os microplásticos causam no corpo humano é ainda objeto de intensa investigação. A ciência ainda não tem todas as respostas, mas o que sabemos não é tranquilizador. Os microplásticos foram encontrados no sangue humano, nos pulmões, na placenta e nas fezes. Um estudo publicado na revista New England Journal of Medicine em 2024 demonstrou uma ligação entre a presença de microplásticos em placas vasculares e um maior risco de enfarte e acidente vascular cerebral. São descobertas graves que não podem ser ignoradas.
Como alerta a Organização Mundial de Saúde, «os potenciais impactos dos microplásticos na saúde requerem uma investigação mais aprofundada, sendo adequada uma precaução prévia.» Esta formulação é tipicamente cautelosa do ponto de vista científico, mas na prática significa uma coisa: enquanto não soubermos exatamente o quão prejudiciais são os microplásticos, faz sentido limitar a sua ingestão em todos os lugares onde isso seja possível. E o chá é uma das áreas mais simples onde a mudança pode ser feita imediatamente e sem grande sacrifício.
Os microplásticos não são apenas corpos estranhos físicos no organismo. Funcionam também como transportadores de outras substâncias químicas – podem ligar-se a pesticidas, metais pesados ou desreguladores endócrinos e transportá-los para tecidos onde de outra forma não chegariam. Este chamado efeito de cavalo de Troia é uma das razões pelas quais os cientistas consideram os microplásticos um problema mais complexo do que a sua simples presença física sugeriria.
É importante dizer que o chá em si continua a ser uma bebida saudável com benefícios comprovados. O problema não é o chá, mas a forma como é embalado. Os antioxidantes, polifenóis e outras substâncias contidas nas folhas de chá continuam presentes e benéficos – trata-se apenas de saber como aceder a eles sem aditivos químicos desnecessários.
A situação é ainda complicada pela regulamentação insuficiente. A União Europeia adotou nos últimos anos várias medidas para restringir os plásticos de uso único, mas ainda faltam regras específicas para os saquinhos de chá de plástico, ou estas são insuficientemente aplicadas. Os fabricantes não são, portanto, obrigados a indicar na embalagem de que material é feito o saquinho, nem a advertir sobre a possível libertação de microplásticos. O consumidor fica assim dependente da sua própria iniciativa e da capacidade de ler nas entrelinhas das mensagens de marketing.
Como reconhecer então se um saquinho contém plástico? Os saquinhos transparentes ou de seda são quase sempre de plástico. Um saquinho que é liso ao toque e que ao ser amachucado não se desfaz como papel provavelmente contém fibras sintéticas. Os saquinhos clássicos, opacos e mais grosseiros, costumam ser de papel, mas mesmo isso não é garantia – vale a pena verificar a composição na embalagem ou contactar diretamente o fabricante.
Como evitar os saquinhos de plástico?
A solução mais fiável é mudar para chá a granel preparado num coador de aço inoxidável ou cerâmica. Esta forma de preparação foi aliás o padrão durante séculos – o saquinho de chá é uma invenção relativamente recente do início do século XX, que se impôs principalmente pela sua comodidade. O chá a granel é geralmente de melhor qualidade, pois contém folhas de chá inteiras ou em pedaços maiores, em vez do pó e fragmentos que tipicamente enchem os saquinhos.
Para quem não quer ou não pode abdicar dos saquinhos – por exemplo em viagens ou no trabalho – existem alternativas na forma de saquinhos compostáveis certificados ou saquinhos de papel de cânhamo sem vedação plástica. Na escolha, é aconselhável procurar certificações como OK Compost ou marcas que indiquem explicitamente «plastic-free» na embalagem e que sejam auditadas por uma terceira parte independente por esta afirmação.
Entre as escolhas ecológicas e mais saudáveis mais populares encontram-se:
- chá a granel com coador de aço inoxidável – a opção mais económica e ecológica
- saquinhos de chá de material compostável certificado sem vedação plástica soldada
- chá em saquinhos de papel sem grampo metálico selados apenas por dobramento ou amido natural
- cápsulas de chá de vidro ou metal reutilizáveis com recarga própria
A transição para o chá a granel não precisa de ser complicada. Um coador de aço inoxidável básico para chávena custa nas lojas de produtos ecológicos apenas alguns euros e dura anos. A escolha de um bom chá a granel é então mais uma alegria do que uma obrigação – o mercado mundial oferece milhares de variedades, desde o clássico darjeeling, passando pelo sencha japonês até às misturas de ervas que se podem preparar exatamente ao gosto de cada um.
A mudança do ritual matinal não tem de ser dramática. Basta substituir um pequeno objeto – o saquinho de plástico por um coador de metal – e a chávena diária de chá torna-se o que deveria ter sido desde o início: um prazer puro e simples sem aditivos escondidos. E talvez seja precisamente aí que reside o verdadeiro luxo – não num saquinho piramidal transparente cheio de promessas de marketing, mas na consciência de que o que a pessoa bebe é realmente apenas chá.