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As prateleiras das farmácias, as lojas online de alimentação saudável e as redes sociais estão hoje literalmente inundadas pelos mais variados suplementos alimentares. Multivitaminas, probióticos, ácidos gordos ómega-3, adaptogénios, colagénio, magnésio – a lista é quase interminável e orientar-se nela sem conhecimentos especializados não é nada fácil. E, no entanto, a questão de quais os suplementos alimentares que fazem realmente sentido e como tomá-los corretamente é absolutamente fundamental. Uma má escolha pode não só ser um investimento desnecessário, como, em casos extremos, representar um risco para a saúde.

Todos os anos, os checos gastam milhares de milhões de coroas em suplementos alimentares. Mas as investigações mostram repetidamente que grande parte destes produtos não traz benefícios comprovados – pelo menos não para quem não precisa deles. O problema reside no facto de o marketing neste setor ser extraordinariamente poderoso e prometer resultados que a ciência ainda não sustenta. Isso não significa, no entanto, que os suplementos alimentares sejam geralmente inúteis. Pelo contrário – em situações específicas, podem ser absolutamente essenciais. Trata-se apenas de saber quando e para quem.


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Quando os suplementos alimentares fazem realmente sentido

O princípio básico é simples: um suplemento alimentar deve complementar aquilo que falta na alimentação – não substituir uma dieta variada e equilibrada como tal. Se alguém come de forma diversificada, com quantidade suficiente de legumes, frutas, leguminosas, cereais integrais, proteínas de qualidade e gorduras saudáveis, o seu organismo provavelmente recebe a maior parte do que necessita. Nesse caso, adicionar mais comprimidos e cápsulas não trará qualquer benefício.

A situação muda, porém, quando entram em jogo circunstâncias específicas. A gravidez é um dos exemplos mais claros: o ácido fólico é absolutamente essencial para o desenvolvimento correto do tubo neural do feto e é praticamente impossível garantir a sua ingestão suficiente apenas através da alimentação, razão pela qual os ginecologistas o recomendam a todas as mulheres que planeiam uma gravidez, bem como nas primeiras semanas da mesma. O mesmo se aplica ao ferro, que frequentemente falta às grávidas. Aqui, os suplementos alimentares não são uma moda passageira – são uma necessidade com base médica comprovada.

Outro exemplo é o veganismo ou uma dieta estritamente à base de plantas. A vitamina B12 encontra-se naturalmente quase exclusivamente em produtos de origem animal, e as pessoas que os excluem da sua alimentação sofrem praticamente de forma inevitável com a sua deficiência. A longo prazo, o défice de B12 pode causar graves perturbações neurológicas e anemia. A suplementação de B12 é, portanto, uma verdadeira necessidade para os veganos, e não um complemento opcional. Da mesma forma, é pertinente monitorizar a ingestão de vitamina D, ácidos gordos ómega-3 provenientes de algas marinhas (como alternativa ao óleo de peixe) e iodo.

A idade é outro fator que não pode ser ignorado. As pessoas mais velhas têm geralmente uma capacidade reduzida de absorver certos nutrientes dos alimentos – tipicamente a vitamina B12, o cálcio e a vitamina D. A sua necessidade de suplementação é, portanto, maior do que a de indivíduos jovens e saudáveis. Da mesma forma, os desportistas com elevada carga física podem necessitar de mais magnésio, zinco ou proteínas do que aquelas que conseguem cobrir com a alimentação habitual.

A localização geográfica também desempenha um papel importante. A República Checa situa-se numa latitude onde o sol, nos meses de inverno, não brilha com intensidade suficiente para que a pele consiga sintetizar a quantidade necessária de vitamina D. Estima-se que uma grande parte da população da Europa Central sofre de deficiência de vitamina D no inverno, o que se manifesta em fadiga, imunidade reduzida e pior humor. Neste caso, a suplementação com vitamina D no período de outubro a março é uma escolha absolutamente razoável – e muitos médicos recomendam-na hoje de forma generalizada.

Quais os suplementos com efeitos cientificamente comprovados

Nem todos os suplementos alimentares são igualmente bem estudados. Enquanto para algumas substâncias existem dezenas de ensaios clínicos de qualidade que confirmam a sua eficácia, outras são sustentadas por evidências fracas ou mesmo inexistentes. Como se orientar, então?

A vitamina D está entre os suplementos alimentares mais bem documentados. O seu papel na regulação do sistema imunitário, na saúde óssea, na função muscular e no bem-estar mental está solidamente sustentado pela ciência. A Organização Mundial de Saúde e as instituições nacionais de saúde em todo o mundo reconhecem a sua suplementação como justificada nos grupos de risco. A dose diária recomendada para adultos situa-se geralmente entre 1000 e 2000 UI, sendo que a dosagem exata deve basear-se num exame de sangue.

Os ácidos gordos ómega-3 (EPA e DHA) são outro exemplo de suplemento com evidências convincentes. O seu efeito benéfico na saúde cardiovascular, na redução da inflamação e no apoio às funções cerebrais está confirmado por estudos extensos. A fonte ideal são os peixes marinhos gordos, mas para quem não os consome regularmente – ou de todo – a suplementação com óleo de peixe ou óleo de algas é uma escolha sensata.

O magnésio é um mineral cuja deficiência é surpreendentemente comum na população moderna. Os alimentos processados industrialmente contêm-no em quantidades mínimas, e ainda assim o magnésio participa em mais de 300 reações enzimáticas no organismo. Fadiga, cãibras musculares, dificuldades de sono ou nervosismo podem ser manifestações do seu défice. A suplementação com magnésio – de preferência na forma de glicinato ou citrato de magnésio, que são mais bem absorvidos do que o óxido de magnésio – pode trazer um alívio visível nesses casos.

Pelo contrário, é necessária cautela com produtos que prometem perda de peso rápida, aumento dramático de energia ou desintoxicação milagrosa do organismo. Como bem disse o epidemiologista britânico e autor do livro Bad Science, Ben Goldacre: "Se algum suplemento alimentar funcionasse realmente como a publicidade promete, seria um medicamento." Estas palavras merecem reflexão, especialmente quando se recorre a produtos com promessas de marketing bombásticas.

Os probióticos são um capítulo interessante por si só. A investigação sobre o microbioma intestinal é uma das áreas da medicina que mais rapidamente se desenvolve, e as evidências sobre a influência das bactérias intestinais na imunidade, no humor e na saúde geral acumulam-se. Ainda assim, a situação é mais complexa do que a forma como os fabricantes de bebidas de iogurte a apresentam. A eficácia dos probióticos é muito específica – depende da estirpe bacteriana concreta, da dose e do estado de saúde de cada pessoa. Os probióticos genéricos da farmácia podem não ser igualmente benéficos para todos, enquanto a suplementação direcionada após tratamento com antibióticos ou em caso de perturbações digestivas específicas tem um sólido suporte científico.

Suplementos alimentares organizados de forma clara – probióticos, ómega-3, magnésio e vitamina D sobre uma superfície de mármore

Como tomar os suplementos alimentares corretamente

Ter o suplemento alimentar certo não é suficiente – igualmente importante é saber como e quando tomá-lo. Muitas pessoas compram produtos com boas intenções, mas depois tomam-nos de forma incorreta, em momentos inadequados ou em combinações que reduzem a sua eficácia.

As vitaminas lipossolúveis – ou seja, A, D, E e K – devem ser sempre tomadas com uma refeição que contenha gordura, pois só assim podem ser corretamente absorvidas. Por outro lado, a vitamina C e as vitaminas do grupo B são hidrossolúveis e podem ser tomadas praticamente em qualquer altura, mesmo em jejum, embora indivíduos mais sensíveis possam sentir náuseas com o estômago vazio.

O ferro é melhor absorvido em jejum ou com vitamina C, que aumenta significativamente a sua absorção. Pelo contrário, o cálcio bloqueia a absorção do ferro, pelo que estes dois minerais não devem ser tomados em simultâneo. Existem muitas outras interações semelhantes, e ignorá-las significa desperdiçar dinheiro e esforço.

O timing da dose também tem importância. O magnésio é idealmente tomado à noite, pois favorece o relaxamento e a qualidade do sono. A vitamina D, pelo contrário, é mais adequada tomar de manhã ou a meio da manhã, para não perturbar o ritmo circadiano natural. Os probióticos são geralmente recomendados com as refeições ou imediatamente antes delas, para que as bactérias sobrevivam à passagem pelo ambiente ácido do estômago.

Tomemos como exemplo a Markéta, uma mulher de trinta anos que trabalha num escritório e que, em fevereiro, começou a queixar-se de fadiga crónica, constipações frequentes e sono de má qualidade. Após uma conversa com o médico, fez análises ao sangue que revelaram um nível baixo de vitamina D e um défice moderado de magnésio. Começou a tomar vitamina D3 (2000 UI por dia ao almoço) e glicinato de magnésio à noite antes de dormir. Ao fim de apenas quatro semanas, descreveu uma melhoria significativa na energia e na qualidade do sono. A chave não foi o acaso nem o efeito placebo – foi uma abordagem direcionada, baseada num défice concreto, e não a compra cega de suplementos seguindo a publicidade.

Este exemplo ilustra precisamente a recomendação fundamental: antes de iniciar a suplementação, é sempre aconselhável conhecer o estado real dos nutrientes no organismo através de uma análise ao sangue. Um médico ou nutricionista pode, com base nos resultados, recomendar substâncias específicas, doses e timing – aumentando assim significativamente a probabilidade de a suplementação produzir os resultados desejados.

É também importante não subestimar a qualidade dos próprios produtos. No mercado existe uma enorme diferença entre suplementos baratos com biodisponibilidade duvidosa e produtos de qualidade com composição certificada e pureza testada. Na escolha de suplementos alimentares, vale a pena procurar produtos com certificação de terceiros (por exemplo, certificação GMP ou testes laboratoriais independentes), verificar a forma da substância em questão (por exemplo, as formas queladas dos minerais são geralmente mais bem absorvidas do que os óxidos inorgânicos) e evitar produtos com excesso de cargas, corantes e aditivos artificiais.

A alimentação e o estilo de vida não podem ser ignorados nem contornados por nenhum comprimido – isso continua a ser verdade mesmo numa época em que as prateleiras das farmácias estão cheias de embalagens apelativas. Os suplementos alimentares são exatamente aquilo que o seu nome indica: um complemento, não uma base. Mas para aqueles que sabem o que lhes falta e recorrem ao produto certo no momento certo e na forma certa, podem representar um verdadeiro benefício para a saúde e o bem-estar.

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