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Naučte se, jak přijmout den, co nevyšel podle představ --- # Naučte se, jak přijmout den, co nevyš

Toda a gente conhece esta situação. De manhã acorda com o pé esquerdo, o café transborda, perde o comboio, o chefe está mal-humorado e à noite regressa a casa com a sensação de ter passado o dia inteiro a lutar contra o vento. Esses dias simplesmente existem e nenhuma rotina produtiva nem citação motivacional consegue apagá-los completamente do calendário. A questão não é como evitá-los — a questão é como lidar com eles sem acordar no dia seguinte com a sensação de fracasso.

Aceitar um dia que correu mal não é fraqueza. É uma competência que se treina tal como o exercício matinal ou a alimentação saudável. E, paradoxalmente, é precisamente esta capacidade que determina a qualidade da sua vida a longo prazo — não o número de dias perfeitos que consegue acumular.


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Por que razão os dias maus nos absorvem tão facilmente

O cérebro humano está evolutivamente programado para a negatividade. Este fenómeno, que os psicólogos denominam negativity bias (viés de negatividade), faz com que as experiências desagradáveis deixem marcas mais profundas do que as agradáveis. Estudos publicados, por exemplo, na revista Review of General Psychology mostram que os acontecimentos negativos têm um impacto aproximadamente três vezes mais forte na nossa psique do que acontecimentos positivos de igual intensidade. Por outras palavras, uma coisa que corre mal consegue superar três coisas que correram bem.

Isto explica por que razão nos lembramos, de todo o dia, principalmente daquele momento embaraçoso na reunião, e não do facto de termos tomado um excelente pequeno-almoço de manhã, chegado a horas e recebido um elogio sincero de uma colega. O cérebro simplesmente trabalha com um sistema de ponderação diferente daquele que desejaríamos.

A isto acrescenta-se a cultura moderna de desempenho, que nos convence subtilmente de que cada dia deve ser produtivo, significativo e, de preferência, digno do Instagram. Quando a realidade não corresponde a esta ideia — e não corresponde com muita frequência — surge a culpa, a deceção connosco próprios e uma espiral de pensamentos negativos que transforma um dia mediano numa catástrofe.

Imagine, por exemplo, a Margarida, uma designer gráfica de trinta anos do Porto, que planeia o seu dia ao pormenor todas as manhãs. Numa terça-feira, não conseguiu terminar um projeto, esqueceu-se de ligar à mãe e ainda se desentendeu com o parceiro por causa de algo insignificante. À noite, deitada na cama, convencia-se de que era má filha, má parceira e, por cima de tudo, incompetente no trabalho. No entanto, o que havia tido foi simplesmente um dia monótono que correu de forma um pouco diferente do esperado.

É precisamente esta tendência — generalizar um dia mau para uma imagem global de si próprio — que precisamos de aprender a resistir.

Como lidar verdadeiramente com um dia que correu mal

Aceitar um dia que correu mal não significa resignar-se ou dizer que nada importa. Significa encontrar um equilíbrio entre o que foi e o que está por vir. E para isso existem várias abordagens com uma base sólida tanto na psicologia como na prática quotidiana.

O primeiro passo é nomear o que aconteceu — sem dramatização. Em vez de "foi um dia horrível e tudo correu mal", tente ser específico: "Não terminei o projeto, esqueci-me de ligar e discuti com o meu parceiro." Nomear a situação de forma concreta impede que um único dia mau se expanda até à sensação de que a vida inteira está a correr mal. O cérebro trabalha com narrativas e, quando lhe fornece uma versão precisa e sem distorções, aceita-a com mais facilidade.

Outro passo importante é desligar-se fisicamente do dia. O som das notificações, o ecrã do telemóvel aceso e a ruminação constante sobre o que aconteceu mantêm o sistema nervoso em alerta. Uma pequena caminhada ao ar livre, um duche quente ou um ritual simples — como preparar um chá de ervas — ajudam o corpo e a mente a sinalizar: este dia terminou. Não é uma fuga aos problemas, é uma fronteira saudável entre um dia e o seguinte.

A escrita é também uma ferramenta muito eficaz. Não tem de ser um diário cuidadosamente mantido — bastam algumas frases num papel ou num bloco de notas no telemóvel. Estudos do psicólogo James Pennebaker, da Universidade do Texas, demonstraram que a escrita expressiva sobre experiências negativas reduz o stress psicológico e ajuda as pessoas a processar as emoções mais rapidamente. Escrever o que correu mal e como se sentiu a esse respeito não custa nada e pode trazer um alívio surpreendente.

Não pode faltar também a compaixão por si próprio — em inglês, self-compassion, um conceito introduzido no mundo científico pela psicóloga Kristin Neff. As suas investigações mostram que as pessoas que são gentis consigo mesmas em situações difíceis recuperam mais rapidamente, sofrem menos ansiedade e têm uma autoestima mais estável. Por outras palavras, a severidade consigo mesmo não é uma ferramenta motivacional — é um travão. Tente tratar-se da mesma forma que trataria um amigo próximo que teve um dia difícil. Provavelmente não lhe diria que é incompetente e que se devia envergonhar. Então por que razão dizer isso a si próprio?

Como escreveu Marco Aurélio nas suas Meditações: "O nosso sofrimento não provém das coisas em si, mas dos nossos julgamentos sobre elas." Este pensamento do imperador romano e filósofo estoico é surpreendentemente atual — e recorda-nos que grande parte do sofrimento causado por um dia mau é criado por nós próprios, através da nossa forma de pensar.

Outra abordagem prática consiste em procurar intencionalmente pequenos momentos de luz, mesmo quando parece não existir nenhum. Isto não é pensamento positivo ingénuo — é o treino do cérebro para que preste atenção a todo o espectro do dia, e não apenas aos seus aspetos sombrios. Pode ter sido uma boa refeição ao almoço, uma mensagem engraçada de um amigo ou um momento de silêncio num parque. Estas pequenas coisas não apagam o que foi difícil, mas conferem ao dia uma dimensão maior.

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Cuidar do corpo como base da resiliência psicológica

Não é por acaso que, nos momentos difíceis, recorremos a algo que nos faz bem — uma bebida quente, uma manta aconchegante ou uma vela perfumada. O corpo e a mente são sistemas interligados e cuidar do bem-estar físico tem um impacto direto na forma como lidamos psicologicamente com situações exigentes. O magnésio, o sono de qualidade, o movimento e os ingredientes naturais desempenham um papel fundamental na resiliência psicológica, mesmo que à primeira vista não seja evidente.

Por exemplo, o magnésio — um mineral que frequentemente falta na alimentação moderna — participa diretamente na regulação da resposta ao stress do organismo. A deficiência de magnésio está associada a maior ansiedade, irritabilidade e perturbação do sono, ou seja, precisamente ao que transforma uma noite difícil após um dia difícil em algo ainda mais pesado. Da mesma forma, a aromaterapia com lavanda ou bergamota tem efeitos calmantes sobre o sistema nervoso comprovados cientificamente.

Cuidar de si próprio nos dias difíceis não é um luxo — significa ter à disposição ferramentas que ajudam o corpo e a mente a regenerar-se. Pode ser um sal de banho natural com magnésio, um chá de ervas calmante ou simplesmente um óleo essencial de qualidade para o difusor. Estas pequenas coisas criam um ambiente no qual o cérebro e o corpo se acalmam mais facilmente e se preparam para um novo começo.

Uma parte importante da resiliência psicológica é também a abordagem consciente em relação ao que rodeia o seu lar e a sua vida quotidiana. Os materiais naturais, os produtos não tóxicos e os rituais simples de autocuidado influenciam não apenas a saúde física, mas também o bem-estar geral e a capacidade de gerir o stress. A escolha consciente do que utilizamos e do que consumimos é uma forma de respeito por nós próprios — e esse é o fundamento de como aceitar um dia que correu mal sem que ele nos derrube.

Os dias maus não são uma falha no sistema. Fazem parte da vida e, paradoxalmente, ajudam-nos a valorizar os bons. Aprender a aceitá-los com serenidade, sem autocrítica e com gentileza para connosco próprios, é uma das coisas mais valiosas que podemos fazer por nós. E o dia seguinte? Começa de novo, limpo e aberto — como sempre.

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