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Ar condicionado negligenciado ameaça silenciosamente a sua saúde

O verão chega e com ele o desejo de refrescamento. O ar-condicionado é ligado, o ar frio circula pelo ambiente e suspiramos aliviados. Mas e se precisamente o aparelho que nos deve proteger do calor esconder dentro de si algo que pode prejudicar seriamente a nossa saúde? A questão da limpeza do ar-condicionado parece entediante e técnica, mas na verdade trata-se de um assunto que diz diretamente respeito à saúde de cada membro do lar.

As unidades de ar-condicionado são projetadas para circular o ar, arrefecê-lo e remover a humidade. Mas precisamente esta combinação – ar, humidade e temperatura – cria condições ideais para a proliferação de bactérias, fungos e ácaros. Os filtros, que têm a função de purificar o ar, vão-se entupindo ao longo do tempo com pó, alergénios e microrganismos. Se ninguém os tratar, deixam de cumprir a sua função e tornam-se uma fonte de contaminação em vez de solução.


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O que acontece dentro de um ar-condicionado negligenciado

Imagine uma situação que não é de forma alguma excecional: uma família adquire um ar-condicionado, usa-o com entusiasmo no primeiro ano, mas simplesmente se esquece da manutenção regular. O aparelho funciona, o ar está frio, aparentemente tudo bem. Mas após duas ou três temporadas, os membros do lar começam a queixar-se de constipações frequentes, tosse ou dores de cabeça que não passam nem com a chegada do tempo mais frio. O médico não encontra uma causa clara. E no entanto a resposta está sentada mesmo na parede da sala de estar.

Dentro de um ar-condicionado negligenciado acumula-se resíduo biológico sob a forma de células mortas, pó e partículas orgânicas. Estes depósitos são um meio de cultura para fungos como Aspergillus ou Cladosporium, que segundo estudos da Organização Mundial de Saúde estão associados a doenças respiratórias, reações alérgicas e, em casos mais graves, até a danos no sistema imunitário. Os esporos de fungos libertam-se para o ar e nós literalmente os inalamos – hora após hora, dia após dia.

Mas os fungos não são o único perigo. O ambiente húmido da unidade de ar-condicionado é também o habitat preferido da bactéria Legionella pneumophila, causadora da chamada doença dos legionários. Esta pneumonia, que recebeu o nome após um surto de infeção num congresso da Legião Americana em 1976, pode ser fatal especialmente para idosos e pessoas com imunidade comprometida. Embora a legionelose esteja associada principalmente a grandes sistemas de ar-condicionado em hotéis ou hospitais, os especialistas alertam que subestimar a manutenção das unidades domésticas representa um risco real.

Outro inimigo discreto são os ácaros. Estas criaturas microscópicas adoram pó e humidade – precisamente o que se acumula num filtro de ar-condicionado negligenciado. Os seus excrementos estão entre os alergénios mais potentes no ambiente doméstico e podem desencadear crises asmáticas mesmo em pessoas que anteriormente não sofriam de qualquer alergia. Segundo dados do Registo Nacional Checo de Doenças, o número de alergias e asma diagnosticadas tem vindo a aumentar continuamente nas últimas décadas, sendo que a qualidade do ar interior desempenha um papel não negligenciável nesta tendência.

Como observou de forma eloquente o especialista americano em qualidade do ar Joseph Allen, da Escola de Saúde Pública de Harvard: "O ar dentro dos edifícios pode ser até cinco vezes mais poluído do que o ar do exterior – e passamos aproximadamente 90 por cento da nossa vida no interior." Este número deveria levar-nos a refletir sobre o que realmente respiramos.

Como cuidar corretamente do ar-condicionado e proteger a sua saúde

A boa notícia é que a maioria dos riscos associados a um ar-condicionado sujo é totalmente prevenível. A manutenção regular e corretamente realizada consegue eliminar os perigos antes mesmo de se manifestarem. Não se trata de nada tecnicamente complicado – parte dos cuidados pode ser realizada por qualquer pessoa, parte é aconselhável confiar a um profissional.

O passo fundamental é a limpeza ou substituição dos filtros. Na maioria dos ar-condicionados domésticos do tipo split, os filtros são acessíveis após abrir a tampa da unidade interior e podem ser removidos, enxaguados com água morna, deixados a secar e recolocados. Esta operação deve ser realizada aproximadamente a cada quatro a seis semanas durante o período de utilização ativa do aparelho. Parece trabalho desnecessário? Tente imaginar que passa o verão inteiro a respirar ar filtrado através de uma camada de pó e fungos com vários milímetros de espessura.

Para além dos filtros, é importante prestar atenção às lamelas do evaporador e do condensador. Estas partes do aparelho são responsáveis pelo arrefecimento propriamente dito do ar e a sua contaminação não só reduz a eficiência energética do ar-condicionado, como também cria superfícies adicionais para a deposição de microrganismos. A limpeza das lamelas é mais complexa e requer produtos especiais ou serviço profissional. Definitivamente não vale a pena ignorar esta parte apenas porque não é visível à primeira vista.

A manutenção profissional do ar-condicionado deve ser realizada pelo menos uma vez por ano, idealmente na primavera antes do início da temporada de verão. O técnico verificará não apenas a limpeza, mas também a estanquidade do circuito de refrigerante, o funcionamento da bandeja de condensados e o estado geral do aparelho. A bandeja de condensados negligenciada, para onde escorre o condensado, é aliás um dos locais mais comuns onde se acumula água estagnada e com ela bactérias. A manutenção regular não é, portanto, apenas uma questão de higiene, mas também de longevidade do aparelho.

Ao limpar o ar-condicionado por conta própria, é aconselhável recorrer a produtos que sejam amigos do ambiente e ao mesmo tempo eficazes contra microrganismos. No mercado existem detergentes de limpeza enzimáticos de base biológica, que decompõem as impurezas orgânicas sem produtos químicos agressivos. Esta abordagem está em consonância com a filosofia do lar sustentável – cuidamos não só da nossa própria saúde, mas também da saúde do planeta. Os produtos de limpeza naturais sem cloro, formaldeído e perfumes sintéticos são mais seguros para crianças, animais domésticos e pessoas alérgicas que são sensíveis a substâncias químicas.

Existem também outras medidas que ajudam a manter a qualidade do ar num espaço climatizado a um bom nível. A ventilação regular – mesmo nos dias quentes – garante a renovação do ar e reduz a concentração de alergénios e microrganismos. A utilização de humidificadores de ar com ionizador ou purificadores de ar com filtro HEPA pode complementar eficazmente o ar-condicionado na luta pelo ar interior limpo. E claro, quanto menos pó se depositar nos móveis e pavimentos do espaço, menos o ar-condicionado absorve e menos tem de filtrar.

Merecem atenção especial os lares com crianças pequenas, idosos ou pessoas que sofrem de asma e alergias. Nestes grupos, as consequências da má qualidade do ar são mais graves e mais rápidas. As crianças passam grande parte do dia em casa e o seu sistema respiratório é mais vulnerável do que o dos adultos. Se não mantiver o ar-condicionado do quarto das crianças regularmente, pode acontecer que em vez de refrescamento proporcione à criança uma dose de esporos de fungos a cada vez que é ligado.

Vale também a pena mencionar que um ar-condicionado limpo é mais económico. Um filtro sujo cria resistência ao fluxo de ar e o motor tem de trabalhar com maior potência para atingir a temperatura desejada. Segundo estimativas de especialistas em energia, a manutenção negligenciada pode aumentar o consumo de eletricidade do ar-condicionado entre dez e vinte e cinco por cento. Este é um argumento que convencerá mesmo aqueles a quem os riscos para a saúde deixam indiferentes.

A transição para um modo de vida mais ecológico em casa inclui naturalmente o cuidado com os aparelhos que utilizamos diariamente. Uma abordagem sustentável do lar não significa apenas comprar alimentos biológicos ou usar sacos de pano – significa também cuidar conscientemente do ambiente em que vivemos e minimizar o desperdício desnecessário de energia e de saúde. O ar-condicionado é, a este respeito, um bom exemplo: um aparelho bem mantido dura mais, consome menos energia e não prejudica a saúde dos habitantes do lar.

No que diz respeito à escolha de produtos de limpeza para a manutenção doméstica do ar-condicionado, vale a pena procurar alternativas ecológicas certificadas. Os produtos com certificações ecológicas como EU Ecolabel ou Nordic Swan Ecolabel passaram por testes independentes e cumprem requisitos rigorosos de biodegradabilidade e segurança de composição. A sua utilização é um passo que faz sentido tanto do ponto de vista da proteção da saúde como da proteção do ambiente.

Para concluir, vale a pena lembrar que a limpeza do ar-condicionado não é um luxo nem uma precaução exagerada – é uma componente fundamental do cuidado com o lar e com a saúde de quem nele vive. Tal como lavamos regularmente a louça, passamos o aspirador nos tapetes ou mudamos a roupa de cama, devemos também cuidar dos aparelhos que influenciam a qualidade do ar que respiramos. O ar é, afinal, a primeira coisa que inspiramos ao chegar a casa – e merece ser verdadeiramente limpo.

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