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A gravidez traz para a vida da mulher toda uma série de surpresas

A gravidez traz para a vida da mulher toda uma série de surpresas – desde as náuseas matinais, passando por desejos inacreditáveis por alimentos que nunca comeu antes, até um fenómeno sobre o qual se fala menos abertamente, mas que a grande maioria das grávidas experiencia. São os sonhos – cenas vívidas, intensas, por vezes bizarras e ocasionalmente aterrorizantes, que parecem tão reais que a mulher acorda de manhã com o coração aos saltos, perguntando a si mesma o que está a acontecer. Por que são os sonhos na gravidez tão diferentes de tudo o que a mulher conhecia antes? E o que nos dizem sobre o estado da sua psique?

A resposta reside profundamente na biologia, na psicologia e na própria essência deste período de vida extraordinário. A gravidez não é apenas uma transformação física do corpo – é uma metamorfose profunda de toda a personalidade, da forma de pensar e da vivência emocional. E os sonhos são uma das janelas mais claras para este processo.

Por que são os sonhos na gravidez tão intensos?

Logo desde as primeiras semanas de gravidez, o corpo começa a produzir enormes quantidades de hormonas que influenciam praticamente tudo – o humor, a perceção, as sensações físicas e o sono. A progesterona e o estrogénio, cujos níveis sobem vertiginosamente, têm uma influência direta na estrutura do sono. As grávidas acordam muito mais frequentemente a meio da noite – seja devido à pressão na bexiga, a uma posição desconfortável, ou simplesmente porque o sono é mais leve. E é precisamente esta maior frequência de despertar que desempenha um papel fundamental.

O cérebro humano sonha mais intensamente na fase do sono denominada REM, que ocorre em ciclos regulares de aproximadamente noventa minutos. Quanto mais vezes uma pessoa acorda e volta a adormecer, mais entra nas fases de sono REM e melhor se lembra dos sonhos. As grávidas não só vivenciam os sonhos com maior intensidade, como também os recordam muito melhor – e isso pode ser em si mesmo surpreendente e confuso, especialmente se a mulher anteriormente não se lembrava dos sonhos de todo.

Uma investigação publicada na revista científica Frontiers in Psychology confirma que a gravidez é um dos períodos em que ocorrem as maiores alterações nos padrões de sonho ao longo de toda a vida da mulher. Os sonhos tendem a ser mais vívidos, emocionalmente carregados e tematicamente muito diferentes dos sonhos fora da gravidez.

Mas as hormonas são apenas parte da história. A verdadeira profundidade dos sonhos na gravidez reside na psique – no que a grávida vivencia, do que tem medo, pelo que anseia e como processa a enorme mudança de vida que a aguarda.

A psique na gravidez: processar a maior mudança da vida

Psicólogos e parteiras concordam que a gravidez é um dos processos psíquicos mais exigentes pelos quais uma mulher pode passar. Não se trata apenas da alegria de aguardar uma nova vida – trata-se de uma transformação profunda e por vezes dolorosa da identidade. A mulher deixa de ser apenas ela própria e torna-se mãe. Esta transição, que os psicólogos designam por matrescence (por analogia com a adolescência), é acompanhada de dúvidas, medos, mas também de uma força sem precedentes.

Os sonhos são, neste processo, um instrumento que o cérebro utiliza para processar tudo aquilo que a mente consciente não consegue ou não quer tratar. É precisamente isso que capta o pensamento que aparece em diversas variações na literatura psicológica: os sonhos são a via régia para o inconsciente – e na gravidez este caminho conduz a uma profundidade especialmente grande.

Não é, portanto, de surpreender que os sonhos na gravidez tenham vários temas típicos. Muitas mulheres sonham com água – com o mar, lagos, rios ou mesmo cheias. A água, na linguagem simbólica dos sonhos, remete tradicionalmente para as emoções, para a força geradora e para o próprio inconsciente. Outras mulheres sonham com animais – pequenas criaturas indefesas, sobre as quais sentem instintivamente que têm de proteger. Por vezes surgem sonhos sobre o parto, sobre o bebé, sobre perder ou esquecer a criança – e estes sonhos podem ser tão realistas que a mulher, ao acordar, verifica tremendo se está tudo bem.

Tomemos como exemplo a Martina, de trinta anos, que no sexto mês de gravidez confidenciou à sua parteira que sonhava repetidamente que chegava ao hospital e descobria que não havia ninguém para a ajudar. A parteira explicou-lhe que este sonho provavelmente refletia os medos ocultos de Martina em relação ao parto e à questão de saber se teria apoio suficiente. Assim que Martina nomeou esses medos em voz alta e falou sobre eles com o parceiro, a intensidade dos sonhos diminuiu significativamente. O cérebro simplesmente recebeu o que precisava – o processamento consciente do medo.

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Os tipos mais comuns de sonhos estranhos e o que podem significar

Os sonhos na gravidez têm a sua própria lógica, mesmo que à primeira vista pareçam absolutamente sem sentido. Os sonhos bizarros e caóticos – onde se misturam diferentes linhas temporais, onde aparecem pessoas que já morreram há muito tempo, ou onde a mulher de repente voa sobre a cidade – não são sintoma de perturbação mental. São a expressão de como o cérebro, durante a noite, organiza a enorme quantidade de informações, emoções e memórias que chegam de todos os lados ao mesmo tempo durante a gravidez.

Os sonhos eróticos são outro fenómeno sobre o qual pouco se fala, mas que é absolutamente comum na gravidez. O aumento do fluxo sanguíneo para a região pélvica e as alterações hormonais influenciam a perceção corporal, e o cérebro reage a isso de forma natural. As mulheres ficam surpreendidas com estes sonhos ou sentem vergonha deles, mas não há absolutamente nenhum motivo para preocupação – trata-se de um fenómeno fisiológico natural.

Por outro lado, os sonhos de ansiedade e os pesadelos podem ser um sinal de que a grávida está a suportar uma carga psíquica demasiado pesada. Se a mulher acorda repetidamente de sonhos aterrorizantes e durante o dia se sente esgotada, irritável ou triste, é motivo suficiente para falar sobre o seu estado com um médico ou psicólogo. A ansiedade na gravidez e a depressão pré-natal são diagnósticos reais que merecem atenção e ajuda especializada. Segundo a Sociedade Checa de Ginecologia e Obstetrícia, aproximadamente uma em cada cinco mulheres sofre de algum grau de ansiedade durante a gravidez.

O terceiro trimestre traz sonhos especialmente intensos. À medida que a data do parto se aproxima, o cérebro trabalha horas extraordinárias – processa o medo da dor, das complicações, de saber se a mulher será uma boa mãe, se conseguirá amamentar, se a sua relação com o parceiro irá mudar. Todos estes temas entrelaçam-se nos sonhos e criam por vezes histórias quase surrealistas, que podem ser muito confusas. É importante saber que ter esses sonhos não significa que algo irá realmente acontecer – o cérebro simplesmente experimenta vários cenários como forma de preparação.

Da mesma forma, o primeiro trimestre tende a ser agitado nos sonhos, embora por razão diferente. A mulher pode ainda não estar habituada à ideia de estar grávida, e o subconsciente processa esta nova realidade de forma intensa. Os sonhos neste período podem estar repletos de símbolos de novos começos, mas também de caos e incerteza.

Interessante é também a influência do ambiente e das experiências diurnas no conteúdo dos sonhos durante a gravidez. As mulheres que acompanham notícias repletas de acontecimentos negativos, leem histórias assustadoras sobre maternidades ou ouvem conselhos não solicitados de pessoas à sua volta sobre "como tudo pode correr mal" tendem a ter significativamente mais sonhos ansiosos. O cérebro processa durante o sono aquilo com que é alimentado durante o dia. Nesta perspetiva, faz sentido cuidar conscientemente dos estímulos com que a mulher se rodeia durante a gravidez – e isso aplica-se também ao ambiente digital, às redes sociais e ao conteúdo que consome.

Apoiar o bem-estar psíquico na gravidez não precisa de ser complicado. O exercício regular ao ar livre, um sono de qualidade com uma preparação adequada para a noite, conversas com pessoas próximas ou especialistas e uma desaceleração consciente do ritmo quotidiano – tudo isso se reflete diretamente na qualidade do descanso noturno. Muitas mulheres apreciam também escrever um diário de sonhos, onde logo após acordar registam o que sonharam. Este hábito aparentemente simples ajuda a processar os sonhos conscientemente, a retirar-lhes parte da sua urgência emocional e por vezes a revelar medos ocultos sobre os quais é depois mais fácil falar.

O apoio do parceiro desempenha também um papel não negligenciável. Os homens e parceiros de grávidas por vezes não sabem como reagir quando a sua companheira chora de manhã por causa de um sonho que foi "tão vívido e assustador". A melhor reação não é minimizar nem entrar em pânico – mas ouvir com calma e assegurar que se trata de uma parte normal da gravidez. Partilhar sonhos pode ser uma experiência surpreendentemente íntima e fortalecedora para ambos.

Vale também a pena lembrar que nem todos os sonhos na gravidez são sombrios ou ansiosos. Muitas mulheres descrevem sonhos maravilhosos, coloridos e reconfortantes, nos quais veem o seu bebé, sentem a sua presença ou vivenciam momentos de alegria pura. Estes sonhos são igualmente valiosos – o cérebro processa neles a esperança, o amor e a antecipação. São prova de que a psique se prepara para a chegada de uma nova vida de todos os ângulos ao mesmo tempo.

Os sonhos na gravidez são, portanto, muito mais do que uma mera curiosidade noturna. São um retrato vivo do que se passa no interior da mulher – quais são os seus medos, desejos, questões por dizer e alegria profunda. Em vez de os rejeitar como disparate ou de os temer, a mulher pode acolhê-los como guias do seu próprio mundo interior. E se forem demasiado intensos ou perturbadores, é um sinal para procurar apoio – porque cuidar da psique na gravidez é tão importante como cuidar da saúde física.

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