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O parto é uma das coisas mais exigentes pelas quais o corpo humano pode passar. E, no entanto, as novas mães muito frequentemente se encontram numa situação em que são – seja por parte do ambiente ao redor, das redes sociais ou da própria cabeça – bombardeadas com perguntas e comentários sobre o quão rapidamente "voltam a parecer como antes". Esta pressão para uma rápida recuperação física e retorno ao corpo pré-parto não é apenas irrealista, mas em muitos aspectos também prejudicial. A verdadeira regeneração pós-parto é, na verdade, um processo muito mais profundo, complexo e pessoal do que aquele retratado nas fotografias de celebridades seis semanas após o parto.

A gravidez dura aproximadamente quarenta semanas. Durante esse tempo, o corpo da mulher muda de formas que são literalmente fisiologicamente impressionantes – o útero cresce, os órgãos se deslocam, o ambiente hormonal muda, os quilos necessários para o desenvolvimento saudável do bebê aumentam, os ligamentos e articulações se afrouxam. O parto em si – seja vaginal ou cesariana – representa um esforço físico comparável ao de uma atividade esportiva de alto desempenho. No entanto, em nossa cultura enraizou-se o mito de que o corpo deveria "se recuperar" em algumas semanas e retornar ao estado inicial. De onde veio esse mito e por que é hora de abandoná-lo?


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O corpo após o parto precisa de tempo, não de desafio

Imediatamente após o parto, o corpo feminino passa por mudanças turbulentas. Os níveis de estrogênio e progesterona caem drasticamente, a prolactina começa a ser produzida para a amamentação, o útero gradualmente se contrai de volta ao seu tamanho original – esse processo, chamado involução, dura aproximadamente seis a oito semanas. O assoalho pélvico, que durante toda a gravidez suportou o peso do bebê em crescimento e durante o parto foi submetido a uma carga extrema, precisa de cuidado direcionado e reabilitação. O mesmo vale para os músculos abdominais, que podem ter sido separados por uma condição chamada diástase – a separação dos músculos retos abdominais, que ocorre em grande parte das mulheres após o parto.

Uma fisioterapeuta especializada em assoalho pélvico pode ajudá-la muito mais nesse sentido do que qualquer programa de fitness voltado para o "postpartum body". A Organização Mundial da Saúde e as sociedades ginecológicas especializadas recomendam que as mulheres realizem uma avaliação do assoalho pélvico antes de iniciar qualquer exercício mais intenso – idealmente por volta da sexta semana após o parto, mas sem problema se for mais tarde. No entanto, muitas mulheres nunca recebem essa recomendação básica, porque o sistema de cuidados pós-parto para mães ainda é insuficiente em muitos países.

É interessante notar que em algumas culturas a recuperação pós-parto é entendida de forma completamente diferente. Na China existe uma tradição chamada "zuò yuèzi" – literalmente "sentar o mês" – em que a nova mãe descansa por quatro a seis semanas, é cercada pelo cuidado da família e não se sobrecarrega com atividade física ou tarefas domésticas. Tradições semelhantes existem no México, Índia ou Japão. Embora essas abordagens tenham suas especificidades e nem sempre sejam cientificamente fundamentadas em cada detalhe, sua filosofia básica – de que o corpo precisa de tempo e cuidado, não de desempenho imediato – é no mínimo inspiradora.

Imagine a mamãe Lenka, que deu à luz seu primeiro filho por cesariana. Seis semanas após o parto, recebeu do ambiente ao redor o comentário de que "poderia começar a se exercitar para voltar à forma". Lenka ainda sentia dor na cicatriz, sofria com a falta de sono e lutava contra uma depressão pós-parto incipiente. Mesmo assim, sentia-se culpada por "não estar fazendo nada". Enquanto isso, ela estava fazendo o mais importante – se curando, amamentando, cuidando do recém-nascido e aprendendo aos poucos a ser mãe. Essa é a realidade que as fotos no Instagram não mostram.

A regeneração psíquica é tão importante quanto a física

Falar sobre regeneração pós-parto sem mencionar a saúde mental seria como descrever um iceberg apenas pelo que está visível acima da água. O baby blues pós-parto, ou seja, o estado transitório de tristeza, choro e labilidade emocional nos primeiros dias após o parto, afeta até 80% das mulheres. A depressão pós-parto mais grave atinge aproximadamente uma em cada cinco a sete mães. E ainda assim, fala-se muito pouco sobre isso.

A pressão para uma rápida recuperação física e "retorno à forma" piora ainda mais esse estado psíquico. Quando uma mulher se sente culpada por seu corpo parecer diferente do que antes da gravidez, ou por não ter energia para se exercitar, ela adiciona um fardo psíquico desnecessário num momento em que seu sistema nervoso já está muito sobrecarregado. Pesquisas mostram que a percepção negativa do próprio corpo após o parto está intimamente relacionada a um maior risco de depressão e ansiedade pós-parto. Essa relação é bidirecional – a depressão piora a percepção do corpo e a percepção negativa do corpo aprofunda a depressão.

Como disse certa vez a parteira e autora britânica Ina May Gaskin: "Seu corpo não é um problema a ser resolvido." Essa frase é imensamente importante no contexto do período pós-parto. O corpo de uma mulher após o parto não está "danificado" nem "fora de forma" – é um corpo que acabou de realizar um feito extraordinário e precisa de respeito, não de conserto.

A regeneração psíquica inclui também a aceitação de uma nova identidade. Tornar-se mãe é uma transformação que os psicólogos chamam de "matrescência" – uma analogia à adolescência, ou seja, um período de transição turbulento cheio de mudanças de identidade, valores e relacionamentos. Essa transformação dura anos, não semanas. E é completamente normal que uma mulher se sinta perdida, insegura ou triste, mesmo que o bebê seja saudável e amado.

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O que a verdadeira regeneração pós-parto envolve

O verdadeiro autocuidado no período pós-parto não se parece com uma corrida matinal ou um plano de dieta. Parece-se com dormir sempre que possível. Com refeições nutritivas e quentes sem culpa. Com uma conversa com o parceiro ou pessoa próxima sobre como você realmente se sente. Com buscar ajuda especializada – de uma fisioterapeuta, psicóloga ou consultora de amamentação – sem sentir fraqueza.

A nutrição no período pós-parto é uma área que recebe cada vez mais atenção. O corpo que amamenta precisa de aproximadamente 400 a 500 calorias a mais por dia do que o habitual. Precisa de ferro suficiente, cálcio, ácidos graxos ômega-3, vitamina D e outros nutrientes. Dietas restritivas nesse período não são apenas desnecessárias – são perigosas. No entanto, muitas mulheres recorrem a planos alimentares restritivos sob a pressão do desejo de uma transformação rápida.

O movimento tem seu lugar na regeneração pós-parto – mas no momento certo e na forma adequada. Caminhadas ao ar livre são ótimas desde os primeiros dias, se a mulher se sentir bem. Yoga suave, exercícios respiratórios ou alongamentos leves podem ser benéficos após algumas semanas. Exercícios mais intensos – corrida, musculação, HIIT – devem aguardar a aprovação de uma fisioterapeuta e ginecologista, independentemente do que dizem os influenciadores de fitness nas redes sociais. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) recomenda um retorno gradual à atividade física, levando em consideração a condição individual de cada mulher.

Uma parte importante do cuidado é também o apoio social. O isolamento que afeta muito frequentemente as novas mães – especialmente nos primeiros meses, quando o cuidado com o recém-nascido é desgastante em termos de tempo e energia – aprofunda a sensação de perda da própria identidade e aumenta o risco de problemas psíquicos. Grupos para novas mães, sejam presenciais ou online, podem ser imensamente valiosos. Assim como a comunicação aberta com o parceiro sobre o compartilhamento do cuidado e as necessidades de ambos.

Uma abordagem sustentável ao cuidado consigo mesma nesse período inclui também a escolha de produtos que sejam gentis com o corpo e com o meio ambiente. As novas mães estão em contato com uma série de produtos cosméticos e de higiene – desde o cuidado com a cicatriz até a amamentação – e a composição natural dos produtos nesse período desempenha um papel real. O corpo após o parto é sensível, os níveis hormonais são instáveis e a pele reage de forma diferente do habitual. Escolher produtos sem produtos químicos desnecessários, fragrâncias e potenciais alérgenos é uma escolha sensata nesse sentido, não uma moda passageira.

Da mesma forma, as roupas que a mulher usa no período pós-parto devem servir ao seu conforto, não a um ideal estético. Peças confortáveis, de qualidade e produzidas de forma sustentável, que respeitam a forma do corpo em transformação, são um investimento no bem-estar – e o bem-estar é fundamental nesse período. Não há necessidade de apressar o retorno às calças jeans antigas. O corpo muda, e tudo bem.

Quantas semanas, meses ou anos dura a regeneração pós-parto? A resposta honesta é: diferente para cada mulher. Pesquisas sugerem que a recuperação completa – física e psíquica – pode levar um ano ou mais. Um estudo publicado no Journal of Midwifery & Women's Health mostrou que muitas mulheres ainda sentem desconfortos físicos relacionados ao parto um ano depois, sendo esses desconfortos cronicamente subestimados no sistema de saúde.

Parar de medir a regeneração pós-parto pela velocidade com que o corpo "volta à forma", e começar a medi-la por como a mulher realmente se sente – física, psíquica e emocionalmente – é uma mudança de perspectiva que pode ter um impacto fundamental na saúde das mães. Porque o corpo que deu à luz um filho não é um corpo que falhou. É um corpo que realizou algo extraordinário. E isso merece cuidado, paciência e respeito – não cronômetros e balanças.

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