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Quem compra regularmente pela internet conhece bem essa situação. O pacote chega, você o abre e fica com uma pilha de caixas de papelão, camadas de plástico bolha, montes de enchimento de papel e sacos plásticos que não têm destino certo. As compras online são convenientes, rápidas e práticas em muitos aspectos – mas a sua pegada ecológica é um tema cada vez mais discutido. Segundo dados da Comissão Europeia, os resíduos de embalagens representam aproximadamente um terço de todos os resíduos municipais na Europa, sendo que o boom do e-commerce na última década agravou significativamente este problema. Como então reduzir o desperdício nas compras online sem precisar abrir mão do conforto ao qual já nos habituámos?

A resposta não é simples, mas definitivamente existe. E começa antes mesmo de clicarmos no botão "Adicionar ao carrinho".


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O planeamento das compras como base de um comportamento sustentável

O maior erro que os compradores online cometem não é a escolha errada da loja nem uma forma de entrega inadequada. É a impulsividade. Comprar em pequenas doses – hoje uma coisa, amanhã outra, depois de amanhã uma terceira – gera uma quantidade desproporcional de material de embalagem e sobrecarrega desnecessariamente o transporte. Cada encomenda significa mais um carro na estrada, mais uma caixa no ecoponto e, em muitos casos, mais um saco plástico na natureza.

A solução é surpreendentemente simples: comprar com menos frequência, mas em maior quantidade de cada vez. Em vez de quatro encomendas separadas por mês, tentar reunir tudo o que é necessário num único carrinho e fazer um único pedido. Esta abordagem não só reduz a quantidade de resíduos de embalagem, como também limita significativamente as emissões de transporte. Além disso, muitas lojas online oferecem desconto ou envio gratuito ao ultrapassar um determinado valor de compra, por isso está a poupar não só o planeta, mas também a carteira.

O próximo passo no planeamento é refletir conscientemente sobre se realmente precisa do produto em questão. O hábito de adicionar produtos ao carrinho e deixá-los lá a "descansar" durante a noite ou o fim de semana funciona surpreendentemente bem – parte das compras impulsivas resolve-se assim por si mesma. O que parecia irresistível na sexta-feira à noite pode parecer muito menos urgente no sábado de manhã.

O planeamento está também intimamente relacionado com a escolha de produtos com maior durabilidade. Um artigo de qualidade que dure anos é sempre uma escolha mais ecológica do que uma alternativa mais barata que se descarta ao fim de meio ano. Isto aplica-se a roupas, eletrodomésticos e pequenos acessórios do quotidiano. Como observou acertadamente a ativista ambiental americana Annie Leonard: "A coisa mais sustentável é aquela que não precisa de ser fabricada."

O que fazer com o material de embalagem

Mesmo com o melhor planeamento de compras, o material de embalagem é inevitável. A questão é: o que fazer com ele depois? As caixas de papelão são as mais simples neste aspeto – a maioria dos municípios em Portugal garante a recolha de papel através de contentores azuis ou recolha direta. Basta dobrar as caixas para ocuparem menos espaço e depositá-las para reciclagem.

A situação é mais complicada com embalagens plásticas, películas de enchimento e materiais de espuma. As películas de bolha e as almofadas de ar são tecnicamente recicláveis, mas a maioria dos ecopontos não as aceita na triagem padrão. A boa notícia é que cada vez mais lojas online estão a mudar para enchimentos de papel ou cartão reciclado, que são muito mais adequados do ponto de vista da reciclagem.

Parte do material de embalagem também pode ser reutilizada de forma criativa. Caixas resistentes servem para armazenar coisas em casa, para mudanças ou como embrulho de presentes. Os enchimentos de papel podem ser reutilizados ao enviar as suas próprias encomendas. Não se trata de um grande gesto ecológico, mas de uma forma prática de prolongar o ciclo de vida dos materiais que de outra forma acabariam no lixo.

Nos últimos anos, surgiram no mercado serviços que resolvem de forma sistemática a recolha de materiais de difícil reciclagem. Algumas marcas oferecem programas de devolução de embalagens – o cliente devolve as embalagens usadas juntamente com a próxima encomenda ou num ponto de recolha, e o fabricante assegura o seu tratamento adequado. Este modelo é ainda a exceção e não a regra, mas a sua popularidade está a crescer.

A escolha de lojas online que trabalham ativamente para reduzir os resíduos de embalagem é, aliás, um dos instrumentos mais eficazes ao dispor do consumidor. A procura molda a oferta – e se os clientes demonstrarem que se preocupam com embalagens sustentáveis, as lojas acabarão por ter isso em conta.

Transporte, devoluções e outros encargos ecológicos ocultos das compras online

As embalagens são o tema mais debatido, mas os resíduos das compras online estão longe de se limitarem a caixas e películas. Um capítulo importante e pouco discutido são as emissões de transporte. Os serviços de estafeta geram enormes quantidades de emissões de CO₂, sendo que a entrega expresso – ou seja, encomendas entregues no dia seguinte ou até no mesmo dia – é significativamente mais dispendiosa em termos de pegada ecológica do que a entrega padrão. A razão é simples: as encomendas expresso não podem ser agrupadas eficientemente com outras, por isso os veículos circulam meio vazios.

Flat-lay of miniature delivery van, eco delivery badge, and pickup point card illustrating sustainable shipping choices

Portanto, se a situação o permitir, optar por uma entrega mais lenta é ecologicamente mais responsável. Algumas lojas online oferecem esta opção explicitamente e identificam-na como "entrega ecológica" ou "envio verde". Uma alternativa é o levantamento num ponto de recolha – redes de cacifos ou outros pontos de recolha reduzem significativamente o número de deslocações desnecessárias e são frequentemente mais convenientes para o cliente do que esperar em casa pelo estafeta.

As devoluções de produtos e reclamações constituem um capítulo à parte. Portugal, tal como outros países europeus, apresenta uma taxa elevada de devoluções de compras online, sendo a indústria da moda a recordista absoluta neste aspeto. Os clientes encomendam vários tamanhos ou variantes, ficam com um e devolvem o resto. Este modelo é conveniente para o consumidor, mas ecologicamente muito dispendioso – cada devolução implica mais transporte, mais embalagens e, em muitos casos, produtos que não voltam à venda e acabam como resíduos.

A solução passa por uma seleção mais cuidadosa antes da compra. Ler as avaliações, prestar atenção às tabelas de tamanhos, ver as fotografias de vários ângulos e, se necessário, consultar um assistente online ou o serviço de apoio ao cliente. Quanto mais bem pensada for a compra antecipadamente, menor é a probabilidade de acabar em devolução.

Um exemplo interessante da prática é oferecido pela comunidade sueca de moda desportiva Houdini Sportswear, que além da venda também oferece aluguer de roupa e serviço de peças mais antigas. A sua filosofia assenta na ideia de que a peça de roupa mais sustentável é aquela que se repara e continua a ser usada – não aquela que é devolvida e substituída por uma nova. Uma abordagem semelhante está a encontrar gradualmente o seu caminho até aos consumidores portugueses.

Outro aspeto que merece menção é o lixo digital associado às compras online. E-mails de confirmação de encomenda, newsletters de marketing, notificações push – todas estas mensagens estão armazenadas em servidores que consomem energia. Cancelar a subscrição de newsletters que não lê e apagar e-mails antigos é um gesto simbólico, mas no conjunto de milhões de utilizadores, este comportamento também tem o seu impacto.

Como escolher lojas online tendo em conta a sustentabilidade

Nem todas as lojas online abordam a questão da sustentabilidade da mesma forma. Ao escolher onde comprar, vale a pena prestar atenção a alguns aspetos. A transparência é fundamental – uma loja online séria deve ser capaz de informar de que materiais são feitas as suas embalagens, se colabora com transportadoras com certificação ecológica e que política aplica relativamente aos produtos devolvidos.

As certificações são neste contexto um guia útil. Marcas como FSC (para embalagens de papel provenientes de florestas geridas de forma sustentável), B Corp (para empresas que cumprem padrões rigorosos de responsabilidade social e ambiental) ou EU Ecolabel sinalizam que a loja ou o fabricante em questão leva a sério a sua pegada ecológica. A base de dados de empresas certificadas B Corp está disponível publicamente e permite pesquisar facilmente marcas específicas.

As lojas online locais têm uma vantagem natural face às grandes plataformas internacionais: distâncias de transporte mais curtas. Um produto que vem de um armazém português tem uma pegada de carbono significativamente menor do que um artigo encomendado do outro lado do mundo. Isso não significa, naturalmente, que as compras internacionais sejam automaticamente más, mas quando o preço e a qualidade são comparáveis, a escolha local é ecologicamente mais favorável.

Também ajuda acompanhar como as lojas online se expressam sobre temas de sustentabilidade nos seus sites e redes sociais. As empresas que trabalham genuinamente para reduzir o seu impacto geralmente comunicam isso de forma aberta e apresentam números e objetivos concretos – e não apenas proclamações vagas sobre "amar o planeta". O greenwashing, ou seja, afirmações de marketing ecológico enganosas, é infelizmente ainda um fenómeno generalizado ao qual é necessário estar atento.

Reduzir os resíduos nas compras online não significa, portanto, abdicar do conforto do mundo moderno. Trata-se antes de tomar decisões conscientes – comprar menos, mas melhor, escolher lojas que partilham os mesmos valores e lidar responsavelmente com o material de embalagem. Cada compra é também um voto por uma determinada forma de o mundo funcionar. E quanto mais pessoas votarem pela sustentabilidade, mais rapidamente o mercado se adapta.

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