# Biodiversidade na varanda beneficia a natureza e você
Poucas pessoas percebem que mesmo alguns metros quadrados acima do solo podem desempenhar um papel na preservação da natureza. Uma varanda, terraço ou parapeito de janela – pedaços aparentemente insignificantes do espaço urbano – podem tornar-se pequenos oásis de vida que contribuem para a biodiversidade muito mais do que parece. E trata-se de um prazer que traz alegria não apenas à natureza, mas também às próprias pessoas.
Estamos a falar de um fenómeno que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos nos últimos anos: a construção intencional de biodiversidade na varanda. Não se trata de nenhuma ciência complexa nem da necessidade de possuir um grande jardim. Basta um pouco de vontade, as plantas certas e algumas decisões inteligentes. O resultado é um espaço que zumbe, floresce e respira – e que todas as manhãs nos recorda que, mesmo na cidade, existe um mundo vivo.
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Por que a biodiversidade importa mesmo num prédio de apartamentos
Os números são alarmantes. Segundo o relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), as populações de animais selvagens diminuíram em média mais de 60 por cento desde 1970. Os polinizadores – abelhas, borboletas, abelhões e outros insetos – estão entre os grupos mais ameaçados, sendo que o seu declínio ameaça diretamente a produção de alimentos e a estabilidade dos ecossistemas. A urbanização, a agricultura química e a destruição dos habitats naturais são os principais responsáveis por esta tendência.
As cidades podem, no entanto, fazer parte da solução. As investigações mostram repetidamente que as áreas verdes em ambiente urbano funcionam como refúgios importantes para muitas espécies. As varandas e os jardins de telhado formam uma rede de pequenos habitats que podem servir de "estações de transferência" para os polinizadores na sua jornada pela paisagem. Uma lavanda solitária a florir no quinto andar pode não parecer a salvação do mundo, mas no contexto de dezenas de milhares de varandas semelhantes numa cidade, trata-se de uma contribuição ecologicamente significativa.
É de certa forma semelhante ao que aconteceu com a Markéta de Brno, que há três anos encheu a sua varanda com uma mistura de ervas aromáticas e flores silvestres. No início era apenas uma questão estética – queria ter uma vista mais bonita da janela e ervas frescas à mão. Mas rapidamente percebeu que à sua varanda começavam a chegar abelhas, abelhões e borboletas que praticamente não via na zona anteriormente. "Pareceu-me um pequeno milagre", conta. "De repente, tive a sensação de estar a fazer algo com sentido, mesmo morando no terceiro andar."
É precisamente esta experiência que é fundamental para muitas pessoas. O contacto com a natureza – mesmo na sua forma mais modesta – melhora comprovadamente a saúde mental, reduz o stress e reforça o sentido de propósito. Como refere um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology, o contacto regular com elementos naturais na cidade influencia positivamente o humor e o bem-estar geral. A biodiversidade na varanda não é, portanto, apenas um investimento ecológico – é um investimento na própria saúde mental.
Quais as plantas que mais atraem os polinizadores
A base de qualquer paraíso de varanda para insetos são as plantas bem escolhidas. A palavra-chave é "natural" – os polinizadores preferem flores simples e abertas, das quais conseguem facilmente aceder ao néctar e ao pólen. As variedades ornamentais com flores densamente dobradas podem ter um aspeto impressionante, mas para as abelhas e borboletas são praticamente inúteis.
Entre as melhores escolhas para varandas estão a alfazema, o tomilho, o orégão, a melissa e a sálvia. Estas ervas aromáticas são fáceis de cultivar, toleram bem a seca e as suas pequenas flores são um íman para os polinizadores. Além disso, podem ser utilizadas na cozinha, pelo que oferecem um duplo benefício. Igualmente populares são os gerânios em variedades simples, as calêndulas, os tagetes ou a verbena. Entre as plantas suculentas, o sedum é uma excelente opção, pois floresce mesmo no verão quente, quando outras fontes de néctar são escassas.
Quem quiser fazer ainda mais pode optar por misturas de sementes de flores silvestres destinadas a varandas e jardineiras – que nos últimos anos estão disponíveis em muitos viveiros e lojas online com enfoque ecológico. Uma tal mistura contém normalmente dezenas de espécies de plantas que se revezam na floração da primavera ao outono, proporcionando uma fonte contínua de alimento para os insetos.
A diversidade também é importante. Diferentes espécies de polinizadores preferem diferentes plantas e diferentes formatos de flores. Os abelhões, com a sua longa probóscide, conseguem facilmente alcançar o néctar em flores tubulares profundas, como a dedaleira ou a sálvia, enquanto as espécies menores de abelhas selvagens preferem flores mais planas e abertas, como a camomila ou o milefólio. Quanto mais espécies de plantas cultivar na varanda, mais espécies de insetos atrairá – e mais rico e vivo será o seu pequeno ecossistema.
Não se esqueça também da água. Um pequeno recipiente com água e pedrinhas (para que os insetos não se afoguem) pode ser literalmente uma tábua de salvação para os polinizadores nos dias quentes de verão. Basta reabastecê-lo de vez em quando e limpá-lo ocasionalmente.
Uma abordagem sustentável que faz sentido
Construir biodiversidade na varanda seria incompleto se estivesse associado ao uso de pesticidas ou fertilizantes sintéticos. Embora possam ajudar as plantas a curto prazo, destroem precisamente os insetos que estamos a tentar atrair. Felizmente, existem alternativas naturais igualmente eficazes e respeitosas com o ambiente.
A compostagem é uma delas. Mesmo numa varanda, pode usar-se um pequeno vermicompostador – ou seja, um compostor com minhocas – que processa os resíduos de cozinha e produz um substrato nutritivo para as plantas. Trata-se de uma solução circular elegante que não requer um terreno de jardim nem grandes investimentos. Igualmente natural é a fertilização com extrato de urtiga ou cavalinha, que fornece às plantas os nutrientes necessários sem produtos químicos.
Para proteger as plantas de pragas, funcionam muito bem os sprays à base de plantas com alho ou piri-piri, ou simplesmente métodos mecânicos como remover os pulgões com um pano húmido. A natureza ajuda-se a si própria em muitos aspetos – se criar um ecossistema suficientemente diversificado na varanda, virão também os predadores naturais das pragas, como as joaninhas ou os crisopídeos.
A escolha dos recipientes e do substrato também desempenha um papel importante. Os cultivadores com consciência ecológica preferem recipientes de materiais naturais – terracota, madeira ou materiais reciclados – em vez de jardineiras de plástico. Os substratos sem turfa, extraída de turfeiras raras e ecologicamente valiosas, estão hoje disponíveis em muitos viveiros e são uma alternativa plenamente válida. As turfeiras são, aliás, um dos mais importantes reservatórios de carbono do planeta, pelo que a sua proteção tem uma dimensão global.
Como disse certa vez o escritor e naturalista britânico Ken Thompson: "Um jardim não precisa de ser grande para ser importante. O que importa é o que acontece nele." E este pensamento aplica-se duplamente às varandas.
A ligação a uma comunidade mais ampla pode multiplicar o efeito. Se partilhar a intenção de criar uma varanda próxima da natureza com os vizinhos, forma-se uma rede de ilhas verdes dentro de um mesmo edifício ou rua. Algumas cidades checas apoiam até estas iniciativas no âmbito de projetos de infraestrutura verde – por exemplo, Praga tem a sua própria estratégia de adaptação às alterações climáticas, que apoia, entre outras coisas, o enverdecimento de edifícios e espaços públicos.
Uma tendência interessante dos últimos anos são também os hotéis para insetos e casinhas para abelhas solitárias, que podem ser facilmente colocados em varandas. As abelhas solitárias – ao contrário das abelhas melíferas – não vivem em colmeias e não produzem mel, mas são polinizadores extraordinariamente eficientes. Basta-lhes uma cavidade do tamanho certo onde possam pôr os ovos e hibernar. Os hotéis para insetos podem ser feitos com restos de madeira e caules ocos, ou comprados já prontos – e a sua instalação é uma questão de minutos.
Toda a abordagem à biodiversidade na varanda reflete, na verdade, uma filosofia de vida sustentável mais ampla: pequenos passos conscientes que se somam num todo maior do que a soma das suas partes. Não é necessário esperar por grandes decisões políticas nem por condições perfeitas. Cada varanda, cada jardineira com flores silvestres, cada recipiente com água para um abelhão sedento – tudo isto é uma ação concreta com um impacto real.
E talvez seja precisamente aí que reside a maior magia do jardim de varanda: em recordar-nos todas as manhãs, enquanto tomamos o café, que a natureza é resiliente, adaptável e grata por cada oportunidade que lhe damos. Basta convidá-la – e ela virá.