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# Metoda Dany K. Whiteové pro cronicamente desorganizados --- A **Dana K. White** é uma blogueira,

A ordem em casa é um tema que preocupa milhões de pessoas em todo o mundo. Existem inúmeros livros, cursos e métodos para se livrar de coisas desnecessárias e finalmente respirar no seu próprio espaço. No entanto, a maioria deles partilha um problema fundamental – são concebidos para pessoas naturalmente organizadas e não ajudam muito os outros, os cronicamente desordenados. É precisamente por isso que a blogueira e autora americana Dana K. White conquistou um lugar no coração daqueles que, após anos de esforço em vão, concluíram que a organização simplesmente "não é para eles".

A própria White descreve como viveu durante anos numa casa cheia de desordem e se sentia paralisada a cada tentativa de mudança. Não era preguiçosa nem irresponsável – simplesmente não funcionava da forma que os sistemas de organização convencionais pressupõem. A sua abordagem nasceu, por isso, da frustração pessoal e de uma compreensão profunda de como pensam as pessoas para quem manter a ordem é um verdadeiro desafio.


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O que significa afinal uma "pessoa cronicamente desordenada"?

Antes de nos aprofundarmos em dicas concretas, é importante perceber de quem se trata afinal. Uma pessoa cronicamente desordenada não é alguém que de vez em quando se esquece de arrumar a mesa da cozinha. É uma pessoa para quem a desordem é o estado natural – as coisas acumulam-se mesmo quando se esforça, e assim que a situação melhora um pouco, regressa muito rapidamente ao estado anterior. Muitas destas pessoas têm em casa montes de coisas das quais sabem que não precisam, mas não conseguem desfazer-se delas porque são dominadas pelo sentimento de culpa, pela sentimentalidade ou pelo medo de um dia precisarem daquele objeto.

De acordo com investigações publicadas na revista Personality and Social Psychology Bulletin, um ambiente sobrecarregado e caótico pode aumentar significativamente os níveis de cortisol – a hormona do stress – especialmente nas mulheres. A desordem não é, portanto, apenas um problema estético, mas tem um impacto direto na saúde mental e no bem-estar geral. White conhecia bem esta realidade pela sua própria experiência e foi precisamente por isso que decidiu criar um método que não exige capacidade organizativa natural nem motivação infinita.

A palavra-chave da sua filosofia é o realismo. Não pressupõe que a pessoa se transforme de um dia para o outro. Não exige que passe um fim de semana inteiro a separar coisas por categorias, nem que compre caixas de arrumação caras antes sequer de começar. Pelo contrário – White afirma que os organizadores são a última coisa que uma pessoa cronicamente desordenada deve comprar. Primeiro é preciso desfazer-se das coisas e só depois pensar em sistemas.

Como funciona o decluttering segundo Dana K. White na prática

O coração do seu método assenta em alguns princípios simples, mas surpreendentemente eficazes. O primeiro deles é o chamado "conceito do contentor" (container concept). White compara cada espaço da casa a um contentor com capacidade limitada – o armário, a prateleira, a gaveta ou o quarto inteiro. Se o contentor está cheio, não se pode acrescentar nada novo sem primeiro retirar algo. Este princípio aparentemente simples muda a forma como as pessoas pensam sobre as compras e sobre a acumulação de coisas em geral. Em vez da pergunta "onde é que eu ponho isto?", surge a pergunta "o que é que retiro para isto caber aqui?" – e isso representa uma mudança fundamental de mentalidade.

O segundo elemento-chave é a progressividade e os pequenos passos. White está convicta de que as pessoas cronicamente desordenadas falham precisamente porque tentam fazer demasiado de uma vez. As grandes sessões de arrumação são esgotantes, os resultados são de curta duração e a motivação desvanece-se rapidamente. Em vez disso, recomenda trabalhar em intervalos curtos – apenas cinco ou dez minutos por dia – e concentrar-se sempre num espaço concreto ou numa categoria de objetos. O objetivo não é atingir a perfeição, mas criar um hábito sustentável.

Imagine, por exemplo, a Lenka, uma mãe de dois filhos de 34 anos de Brno, que durante anos lutou com um apartamento sobrecarregado. Todos os anos na primavera dizia a si mesma que ia finalmente arrumar, comprava novas caixas de arrumação e passava o fim de semana a separar coisas – mas após duas semanas o apartamento estava igual ao que era antes. Quando descobriu a abordagem de White, tentou de forma diferente: todos os dias depois do pequeno-almoço dedicava cinco minutos a uma gaveta ou prateleira específica. Sem grandes planos, sem comprar organizadores. Após três meses, ela própria dizia que pela primeira vez na vida tinha uma mesa de cozinha onde se podia realmente sentar e comer.

O terceiro pilar é a pergunta "onde é que isto pertence?" em vez de "onde é que eu guardo isto?". White sublinha que as coisas devem ter um lugar fixo e lógico que faça sentido no contexto da vida quotidiana. Se as chaves estão constantemente em cima do balcão da cozinha, é porque é lá que naturalmente pertencem – e a solução não é comprar uma tigela decorativa para o hall de entrada, mas reconhecer onde realmente usamos e deixamos as coisas.

Interessante é também a sua perspetiva sobre os objetos sentimentais e as coisas que as pessoas guardam "por precaução". White não aconselha ser impiedoso nem promove um estilo de vida minimalista a todo o custo. Em vez disso, oferece perguntas concretas que ajudam na tomada de decisão: Se eu visse este objeto numa loja, compraria-o de novo? Este objeto impede-me de ter em casa o espaço onde me sinto bem? Estas perguntas ajudam a libertar o sentimento de culpa associado a deitar fora as coisas e substituem-no por uma decisão consciente.

Dicas para começar – mesmo que nunca tenha conseguido antes

Para aqueles que se reconheceram na descrição de pessoa cronicamente desordenada, o melhor é começar de forma muito simples. White, no seu livro Decluttering at the Speed of Life (publicado pela editora Thomas Nelson), oferece vários passos práticos que funcionam mesmo para quem se sente completamente sobrecarregado.

O primeiro passo é começar pelo lixo. Antes de se aventurar na triagem e na tomada de decisões, percorra o espaço e remova tudo o que é claramente lixo – garrafas vazias, jornais velhos, embalagens de alimentos, objetos partidos. Este passo não exige nenhuma tomada de decisão e cria imediatamente uma diferença visível que motiva para continuar.

O passo seguinte é concentrar-se nas coisas claramente supérfluas – duplicados, objetos de que não precisou durante anos, ou itens que simplesmente não pertencem àquele espaço. White recomenda ter sempre à mão uma caixa ou saco destinado a objetos para doação, para que a decisão não seja adiada indefinidamente.

É também fundamental não deslocar as coisas de um lugar para outro. As pessoas cronicamente desordenadas tendem a reorganizar as coisas sem se desfazerem delas verdadeiramente – o resultado é que a desordem apenas migra pelo apartamento. White insiste em que cada objeto que abandona o seu espaço original deve ter um destino claro: ou recebe um lugar fixo, ou sai definitivamente da casa.

Como a própria White afirma: "Organização sem eliminação é apenas deslocar a desordem." Este pensamento é talvez o insight mais importante de todo o seu método, porque nomeia o erro que a maioria das pessoas comete quando tenta "arrumar".

Uma parte importante da sua abordagem é também trabalhar com as emoções associadas aos objetos. Muitas pessoas não conseguem desfazer-se de certos itens porque sentem que ao fazê-lo estão a rejeitar memórias, a pessoa que lhes ofereceu o objeto ou uma parte do seu passado. White respeita esta sensibilidade, mas ao mesmo tempo oferece uma perspetiva: os objetos em si não são memórias. As memórias vivem em nós, não nos objetos. Se dez canecas iguais de diferentes férias estão numa caixa na cave e nunca as olha, não lhe trazem alegria – apenas ocupam espaço e carregam o peso de uma decisão que ainda não tomou.

Toda a abordagem de Dana K. White assenta na convicção de que uma casa organizada não é um privilégio de pessoas organizadas, mas um objetivo alcançável por qualquer pessoa que esteja disposta a mudar a forma como pensa sobre os objetos. Não se trata de ter menos coisas a todo o custo, nem de imitar os interiores do Instagram cheios de espaço vazio. Trata-se de ter uma casa que funciona – onde encontra as coisas, onde se sente bem e onde o ambiente não acrescenta stress desnecessário.

Para quem quer começar, a melhor notícia é que não é preciso esperar pelo momento certo, pela energia suficiente nem por um fim de semana livre. Bastam cinco minutos, uma gaveta e a vontade de se desfazer de um único objeto que claramente não pertence ali. E depois amanhã fazer o mesmo. É precisamente nesta discreta quotidianidade que reside a força do método que finalmente faz sentido também para aqueles para quem nenhum outro funcionou até agora.

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