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# Jardim sem muita manutenção é mais fácil do que você pensa

Ter um jardim bonito é o sonho de muitas pessoas. No entanto, a realidade dos cuidados diários com os canteiros, a rega regular, a capina e a poda pode rapidamente arrefecer o entusiasmo. E se existisse uma forma de ter um jardim cheio de vida, cores e aromas, sem ter de passar cada fim de semana livre com uma pá na mão? A resposta está na escolha certa das plantas e numa abordagem inteligente ao planeamento de um jardim que, em grande medida, se cuida a si próprio.

Um jardim de baixa manutenção não é sinónimo de um pedaço de relva entediante com alguns arbustos. Pelo contrário – pode ser um ambiente diversificado e natural, cheio de insetos, pássaros e plantas que crescem ano após ano sem grande intervenção humana. A chave está em compreender o que a natureza oferece por si mesma e trabalhar com ela, não contra ela.


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Por que menos trabalho não significa menos beleza

O conceito tradicional de jardim, com um relvado perfeitamente aparado, canteiros simétricos e plantas exóticas, exige uma enorme quantidade de energia, água e produtos químicos. No entanto, a jardinagem moderna inclina-se cada vez mais para uma abordagem diferente – o jardim natural, que respeita as condições locais e trabalha com espécies adaptadas ao ambiente em questão. Esta tendência é confirmada por especialistas da Royal Horticultural Society, que há muito recomendam o plantio de plantas perenes e a cobertura natural do solo como base para um jardim com baixas exigências de manutenção.

Imagine, por exemplo, uma família que adquiriu uma casa mais antiga com um jardim abandonado. Em vez de investir num serviço regular de jardinagem, apostou numa combinação de plantas perenes, gramíneas e arbustos resistentes. Dois anos depois, o jardim não só tem um aspeto acolhedor e natural, como os proprietários passam nele em média apenas uma hora por semana. Este resultado não é fruto do acaso – é o resultado de uma escolha cuidadosa de plantas.

A filosofia básica é melhor expressa por uma citação do designer de jardins Piet Oudolf: "Um jardim não é um quadro que se pinta uma vez – é um sistema vivo que encontra o seu próprio equilíbrio." E é precisamente esse equilíbrio que qualquer pessoa que deseja um jardim sem trabalho desnecessário procura alcançar.

O que plantar num jardim que se cuida a si próprio

A escolha das plantas certas é absolutamente fundamental. Aplica-se um princípio simples: quanto mais uma planta se aproxima do ambiente natural de uma determinada localidade, menos cuidados necessita. Isto não significa que o jardim tenha de parecer um prado de ervas daninhas – muito pelo contrário. Existe uma vasta gama de plantas ornamentais e utilitárias que são simultaneamente resistentes, pouco exigentes e visualmente atrativas.

As plantas perenes são, sem dúvida, o elemento fundamental de qualquer jardim de baixa manutenção. Ao contrário das plantas anuais, que precisam de ser semeadas ou plantadas de novo todos os anos, as perenes hibernam e regressam cada ano mais fortes. Entre as favoritas está a equinácea-roxa (Echinacea purpurea), que floresce do verão ao outono, atrai polinizadores e praticamente não necessita de qualquer cuidado. Igualmente pouco exigentes são a hipericão, o sedum (Sedum) ou o gerânio-silvestre (Geranium) – plantas que conseguem sobreviver em solos menos férteis e com variações climáticas.

As gramíneas ornamentais são outra excelente solução para quem quer um jardim sem trabalho diário. Espécies como a carex (Carex), o pennisetum (Pennisetum) ou a festuca-azul (Festuca glauca) são visualmente interessantes durante todo o ano, resistem à seca e ao frio e apenas precisam de ser cortadas uma vez por ano. Os seus colmos ondulantes conferem ao jardim dinamismo e leveza, sem exigirem atenção constante.

Os arbustos são a espinha dorsal de qualquer jardim de baixa manutenção. O sabugueiro-negro (Sambucus nigra) é praticamente indestrutível – cresce rapidamente, floresce com aroma agradável, os seus frutos são populares para fazer xaropes e chás e os pássaros adoram-no. A espireira (Spiraea), a cotoneáster (Cotoneaster) ou o snowberry (Symphoricarpos) são outros exemplos de arbustos que não requerem modelação anual e, ainda assim, têm um aspeto cuidado. Para as partes sombrias do jardim, a mahónia (Mahonia aquifolium) é uma excelente escolha, pois consegue lidar até com sombra profunda e solo pobre.

Um capítulo especial são as plantas trepadeiras, que conseguem cobrir vedações, paredes ou pérgulas pouco atrativas com o mínimo esforço. A madressilva (Lonicera periclymenum) tem um aroma maravilhoso e cresce praticamente sozinha. A hera (Hedera helix) é uma lenda entre as trepadeiras pouco exigentes – sobrevive a quase tudo e mantém a parede verde durante todo o ano. Para locais soalheiros, a partenocisso (Parthenocissus) é ideal, explodindo no outono em tons vermelhos deslumbrantes.

Quanto aos bolbos, são verdadeiros tesouros para o jardineiro preguiçoso. Plantam-se uma vez no outono e regressam sozinhos todos os anos – tulipas, narcisos, campainhas-brancas, cebolas-de-esquilo ou alho-dos-ursos. O alho-dos-ursos (Allium ursinum) é particularmente interessante, pois cobre grandes áreas sob as árvores onde outras plantas se recusam a crescer e, além disso, é comestível.

Jardim natural com plantas perenes, gramíneas ornamentais e plantas trepadeiras ao sol da tarde

O cuidado inteligente do solo como base do sucesso

Nem a planta mais resistente consegue prosperar no betão. Um solo saudável é o pré-requisito para um jardim que funcione sem supervisão diária. Felizmente, o cuidado do solo também pode ser muito simples, se se adotar a abordagem correta.

A cobertura do solo (mulching) é provavelmente a técnica mais eficaz para reduzir o trabalho no jardim. Uma camada de cobertura – seja de aparas de madeira, folhas, palha ou composto – suprime as ervas daninhas, retém a humidade no solo e enriquece-o progressivamente com nutrientes. Um centro de jardinagem ou uma composteira municipal são geralmente boas fontes de aparas baratas ou gratuitas. Uma camada de 5 a 10 centímetros à volta das plantas é suficiente para reduzir ao mínimo o trabalho de capina.

A compostagem é o complemento natural da cobertura do solo. Os restos de cozinha, a relva cortada, as folhas e os restos de plantas transformam-se no compostor numa matéria nutritiva que o jardim apreciará. Não é necessário comprar fertilizantes caros – a natureza trata do assunto por si mesma, se lhe dermos um pequeno empurrão.

Outro passo para um jardim menos exigente é a transição para um relvado mais resistente ou a sua substituição parcial. O relvado inglês clássico requer corte regular, fertilização, arejamento e rega. Uma alternativa pode ser um relvado com trevo, que se fertiliza a si próprio, ou áreas cobertas com potentila baixa (Potentilla), tomilho ou verónica rasteira (Veronica repens), que formam um tapete verde sem necessidade de corte semanal.

Um sistema de rega gota a gota ou rega subterrânea pode eliminar completamente a necessidade de rega manual. Os temporizadores modernos e os sensores de humidade do solo garantem que as plantas recebem água exatamente quando precisam – sem desperdício desnecessário e sem que o jardineiro precise de estar presente todos os dias. De acordo com um estudo da Comissão Internacional de Irrigação e Drenagem, a rega gota a gota reduz o consumo de água em até 50% em comparação com a aspersão convencional, enquanto as plantas prosperam melhor.

Alguns conselhos práticos para começar

Para quem pretende transformar o seu jardim num lugar de tranquilidade sem trabalho desnecessário, aqui está uma lista simples de plantas comprovadas:

  • Equinácea-roxa – planta perene florida para locais soalheiros, resistente à seca
  • Sedum – ideal para jardins rochosos, muros secos e bordas de canteiros
  • Gramíneas ornamentais – efeito visual durante todo o ano, basta cortar uma vez por ano
  • Sabugueiro-negro – arbusto de crescimento rápido com utilidade na cozinha e para a natureza
  • Alho-dos-ursos – cobre locais sombrios sob as árvores e é comestível
  • Madressilva – planta trepadeira perfumada para vedações e pérgulas
  • Bolbos – narcisos, cebolas-de-esquilo, campainhas-brancas; plantam-se uma vez, regressam todos os anos

A escolha das plantas deve sempre partir das condições concretas do jardim – exposição solar ou sombria, tipo de solo, zona climática e disponibilidade de água. Portugal oferece condições bastante diversificadas e a maioria das espécies acima mencionadas consegue adaptar-se tanto a regiões mais secas como a zonas mais frias e húmidas.

A abordagem ecológica ao jardim não significa apenas a escolha de plantas pouco exigentes. Trata-se também de uma filosofia global de cuidado com o ambiente natural. Os jardins que apoiam a biodiversidade, atraem polinizadores e proporcionam refúgio a insetos e pássaros funcionam como pequenos ecossistemas. Quanto mais espécies um jardim contiver, mais resistente será a pragas e doenças – afinal, a natureza consegue cuidar de si mesma num ambiente diversificado.

Por fim, vale a pena lembrar que um jardim sem grande manutenção não é um projeto para um fim de semana. É uma transformação gradual que requer paciência e vontade de experimentar. Mas é precisamente aí que reside o seu encanto – cada ano traz novas surpresas, novas cores e novas criaturas que passam a frequentar o jardim. E o proprietário pode sentar-se com uma chávena de café no terraço e, em vez de pensar no que ainda tem de fazer, simplesmente observar como o jardim vive a sua própria vida.

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