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Cada um de nós tem uma. No joelho após uma queda de bicicleta na infância, na barriga após uma cirurgia, no rosto após um acidente ou no ombro após uma vacinação. A cicatriz faz parte do corpo humano tão naturalmente quanto faz parte da história humana – e ainda assim, a maioria das pessoas deixa de cuidar dela antes que esteja completamente curada. É precisamente aí que reside o maior erro que cometemos nos cuidados com a pele.

A cicatriz não é apenas uma questão estética. É um tecido vivo que passa por um processo biológico complexo e que pode influenciar a mobilidade, a sensibilidade e o bem-estar psicológico da pessoa. No entanto, os cuidados com cicatrizes são uma das áreas mais subestimadas dos cuidados corporais. Começamos a aplicar creme, resistimos algumas semanas e depois – a vida volta ao normal e a cicatriz fica entregue a si mesma.


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Como uma cicatriz se forma e por que demora tanto

Para compreender por que os cuidados a longo prazo com as cicatrizes são tão importantes, é necessário primeiro entender o que acontece na pele após uma lesão. A cicatrização ocorre em quatro fases principais: hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação. Esta última fase – a remodelação – é crucial para a aparência final e a qualidade da cicatriz, e é também a mais longa de todas. Pode durar até dois anos, às vezes mais.

Durante a remodelação, o organismo reconstrói as fibras de colagénio que na fase anterior preencheram rapidamente a área lesionada. O colagénio original está organizado de forma caótica, razão pela qual a cicatriz parece rígida, elevada ou com coloração diferente. Gradualmente, as fibras se reorganizam, mas o resultado deste processo depende, entre outros fatores, de como cuidamos da cicatriz. Como indica uma revisão dermatológica do DermNet, a cicatriz nunca recupera totalmente a resistência original da pele – aproximadamente 80% da resistência original é o máximo que se pode alcançar. Por isso mesmo, é ainda mais importante apoiar este processo com os cuidados adequados.

E é precisamente aqui que surge o problema. A maioria das pessoas percebe a cicatriz como "curada" no momento em que a ferida se fecha e deixa de doer. Na realidade, é apenas o início da parte mais importante. Uma cicatriz que não recebe cuidados nos primeiros dois anos pode ficar mais rígida, mais elevada, sensível ao toque ou com menor mobilidade – e tudo isso é, em grande parte, prevenível.

Tomemos como exemplo uma mulher de trinta anos após uma cesariana. A ferida está fechada, o puerpério terminou, o bebé exige toda a atenção. Os cuidados com a cicatriz ficam naturalmente em segundo plano. Um ano depois, descobre que a cicatriz está rígida, puxa durante o movimento e causa sensações desconfortáveis. Bastaria dedicar-lhe alguns minutos por dia durante os primeiros meses – e o resultado seria dramaticamente diferente.

Produtos para cuidados com cicatrizes: gel de silicone, óleo de rosa-mosqueta, creme com centela e protetor solar SPF 50+

O que mais frequentemente se esquece nos cuidados com cicatrizes

A base dos cuidados com cicatrizes é a hidratação e a massagem. Isso já a maioria das pessoas sabe hoje em dia. Mas a prática é mais complexa do que a teoria, e no ritmo acelerado do quotidiano perdem-se os detalhes que determinam o resultado.

A massagem da cicatriz é uma das ferramentas mais eficazes que temos à nossa disposição – e simultaneamente uma das menos praticadas. A massagem regular ajuda a quebrar as estruturas rígidas de colagénio, melhora a circulação sanguínea do tecido e promove a sua elasticidade. Os dermatologistas recomendam iniciar a massagem quando a cicatriz estiver completamente fechada – geralmente quatro a seis semanas após a lesão – e realizá-la duas vezes por dia durante pelo menos seis meses. Os movimentos devem ser circulares ou lineares ao longo da cicatriz, com pressão moderada. Merecem atenção especial as cicatrizes pós-cirúrgicas, onde podem ocorrer aderências – fusões de tecido que limitam o movimento e podem causar dor.

Outro fator frequentemente negligenciado é a proteção da cicatriz contra o sol. Uma cicatriz jovem não contém melanina – o pigmento que protege a pele da radiação UV. Quando exposta ao sol, fica facilmente vermelha ou escurece, e esta alteração pigmentar pode ser permanente. Mesmo assim, muitas pessoas vão à praia no verão sem pensar na cicatriz. Os dermatologistas recomendam aplicar protetor solar com fator SPF elevado (50+) nas cicatrizes durante todo o primeiro ano – e idealmente por mais tempo. Ou cobrir fisicamente a cicatriz.

O terceiro fator frequentemente esquecido é a escolha do produto adequado. O mercado está inundado de cremes, géis e pensos para cicatrizes, mas nem todos são igualmente eficazes. A terapia com silicone é a mais cientificamente fundamentada – seja na forma de pensos de gel ou de gel de silicone em bisnaga. De acordo com um estudo de revisão publicado na revista Advances in Wound Care, os produtos de silicone estão entre os métodos disponíveis mais eficazes para a prevenção e tratamento de cicatrizes patológicas. O silicone forma uma camada oclusiva na superfície da cicatriz, que mantém a humidade e regula a produção de colagénio. Além disso, é seguro, não provoca reações alérgicas e pode ser utilizado a longo prazo.

Para além do silicone, têm também o seu lugar produtos com ácido hialurónico, centela asiática ou extrato de cebola (Allium cepa). Precisamente a centela asiática – uma planta tradicionalmente utilizada na Ásia – desperta cada vez mais atenção da comunidade científica pelo seu efeito na síntese de colagénio e na cicatrização dos tecidos. Os produtos com estes ingredientes são uma opção mais suave para peles sensíveis e podem fazer parte da rotina diária.

Igualmente importante é a nutrição e hidratação interna. O organismo necessita de vitamina C, zinco, aminoácidos e ingestão adequada de água para a correta produção de colagénio. Uma alimentação rica em vegetais, leguminosas, frutos secos e proteínas de qualidade apoia diretamente a qualidade da cicatrização. Por outro lado, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool retardam a cicatrização e podem levar a resultados piores – o que é confirmado por dados clínicos, como os da Mayo Clinic.

A dimensão psicológica das cicatrizes é outro tema sobre o qual se fala demasiado pouco. Uma cicatriz num local visível pode influenciar significativamente a autoestima e a relação da pessoa com o próprio corpo. "As cicatrizes são mapas das histórias que carregamos na pele", dizem alguns psicólogos – e esta metáfora descreve com precisão a dupla natureza das cicatrizes: fazem parte da nossa identidade, mas podem também ser uma fonte de ansiedade. Cuidar de uma cicatriz não é, portanto, apenas uma questão cosmética. É também uma forma de lidar com a experiência vivida e de voltar a tocar no próprio corpo com gentileza.

Uma categoria especial são as cicatrizes queloides e hipertróficas, que ultrapassam os limites da lesão original ou são visivelmente elevadas e rígidas. Estas cicatrizes têm predisposição genética e ocorrem com mais frequência em pessoas de pele mais escura. O seu tratamento é mais complexo e requer colaboração com um dermatologista ou cirurgião plástico – podendo incluir injeções de corticosteroides, terapia a laser ou terapia compressiva. Se a cicatriz não mostrar melhoria após três a quatro meses de cuidados padrão, procurar ajuda especializada é absolutamente indicado.

Um capítulo à parte são as cicatrizes de acne, que afligem um grande número de pessoas. Estas cicatrizes têm uma estrutura diferente – frequentemente trata-se das chamadas cicatrizes atróficas, que estão afundadas abaixo da superfície da pele. O seu tratamento inclui esfoliações suaves, produtos com retinol ou niacinamida e, nos casos mais graves, procedimentos dermatológicos como microagulhamento ou peelings químicos. Aqui também se aplica a regra de que quanto mais cedo se iniciam os cuidados, melhores são os resultados – e menos invasiva será a intervenção necessária no futuro.

No que diz respeito à rotina diária, a abordagem ideal inclui vários passos:

  • Hidratação da cicatriz com um creme ou óleo de qualidade (por exemplo, com óleo de rosa-mosqueta, rico em vitamina C e ácidos gordos essenciais) uma a duas vezes por dia
  • Massagem durante dois a três minutos em cada aplicação do produto
  • Proteção contra radiação UV – protetor solar SPF 50+ ou cobertura física
  • Terapia com silicone – gel ou penso, idealmente durante seis a doze meses
  • Monitorização das alterações – se a cicatriz mudar de cor, crescer ou causar dor, é altura de consultar um médico

É importante ter expectativas realistas. Nenhum produto elimina completamente uma cicatriz. O objetivo dos cuidados é apoiar ao máximo o processo natural de cicatrização para que a cicatriz seja o menos visível possível, o mais elástica possível e o mais confortável possível – tanto física como esteticamente. E esse é um objetivo que merece cinco minutos de atenção diária.

O mercado moderno oferece uma vasta gama de produtos que facilitam e tornam mais agradáveis os cuidados com cicatrizes – desde óleos naturais a géis de silicone e cremes multifuncionais com combinações de ingredientes ativos. Na escolha, vale a pena ler a composição, evitar perfumes e conservantes desnecessários que podem irritar o tecido cicatricial sensível, e optar por produtos cuja eficácia seja fundamentada em estudos científicos ou recomendada por dermatologistas.

Cuidar de cicatrizes é uma maratona, não uma corrida de velocidade. E precisamente porque os resultados não se veem de um dia para o outro, tantas pessoas desistem. No entanto, é exatamente a perseverança – mesmo nos períodos em que parece que nada está a mudar – que determina o resultado final. Uma cicatriz à qual dedicamos atenção ao longo de meses e anos tem, a longo prazo, um aspeto completamente diferente daquela que esquecemos logo após o fechamento da ferida. E essa é uma diferença que vale a pena fazer.

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